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100 maneiras como brancos podem fazer a vida de pessoas não brancas menos frustrante

Só algumas sugestões para começar.

por Kesiena Boom; Traduzido por Marina Schnoor
30 Abril 2018, 11:00am

Como alguém com uma tolerância muito baixa para conversa fiada racista, consegui me cercar de pessoas brancas que reconhecem seu privilégio e se esforçam para fazer do mundo um lugar menos assustador e frustrante para pessoas não brancas. Isso quer dizer que muitas vezes tenho que lidar com esses amigos perguntando o que podem fazer para gerar mudança. Sendo assim, aliados ansiosos do mundo, aqui vão 100 maneiras simples de ser a mudança. Não é uma lista totalmente abrangente, mas é um começo. Vá em frente e derrube nosso paradigma racial nocivo.

1. Só porque você não consegue ver o racismo ao seu redor não quer dizer que não acontece. Confie na avaliação das pessoas não brancas em cada situação.

2. Não suponha que todas as pessoas não brancas têm a mesma visão. Não somos um monólito.

3. Não tente adivinhar a raça das pessoas. Ninguém gosta dessa brincadeira.

4. Se alguém te disser que é de Uganda, não diga algo do tipo “Fui pra Nigéria uma vez!” Sério, por favor.

5. Relacionado: não se refira a África como um país. A África é um continente e é incrivelmente variado. Sim. Pense um pouco.

6. Ah, e te garanto que literalmente nenhuma pessoa não branca quer te ver voltar das férias na praia, mostrar seu bronzeado e dizer “olha, estou quase tão preto quanto você!” Pelo amor de deus.

7. Não ache que uma pessoa não branca sabe tudo sobre seu país de origem. Você sabe tudo sobre seu país? Foi o que eu pensei.

8. Não suponha que corremos rápido porque somos negros, somos bons em matemática porque somos asiáticos, temos problemas com alcoolismo se somos indígenas...

9. Nos considere como indivíduos autônomos e únicos, não representantes da nossa raça.

10. Não faça piadas constrangedoras para tentar “se dar bem” com pessoas não brancas. Vamos rir de você, não com você.

11. Não tente usar os memes específicos da nossa cultura. Eles são nossos. Pode ficar com aqueles estranhos sobre fruta seca no panetone.

12. Se você está numa festa na minha casa, não tente trocar o Weeknd por Arctic Monkeys. (OK, essa é bem específica, mas aconteceu comigo uma vez e ainda não perdoei. Que audácia!)

13. Evite frases como “mas eu tenho um amigo negro! Então não sou racista!” Você sabe tanto quanto a gente que isso é conversa mole.

14. Quando você reclama sem parar que brancos são escrotos, você está sendo um branco escroto. Apenas pare.

15. Não ouse dizer merdas tipo “eu sei como é ser uma pessoa não branca... sou ruivo!”

16. Não questione a negritude de alguém que tem a pele mais clara. Esse não é seu lugar. Outros negros vão garantir que pessoas negras de pele mais clara reconheçam seu privilégio.

17. Não queira ensinar para uma pessoa não branca o que é e o que não é racista.

18. Quando você encontrar exemplos de racismo na internet, por favor, não mande pra gente. Sabemos que racismo existe, valeu.

19. Leia alguma coisa que alguém já escreveu sobre um assunto antes de procurar seu amigo/conhecido não branco para saber a opinião dele sobre as apropriações de gente como Kim Kardashian/Miley Cyrus. Não queremos pensar nessas merdas 24 horas por dia.

20. Entenda que alguns dias são ainda mais exaustivos mentalmente para pessoas não brancas graças às notícias. Tente não ficar pedindo nossa opinião sobre a atrocidade do momento. Deixe a gente lidar com a nossa dor.

21. Mas quando temos algo para dizer sobre alguma coisa, escute.

22. Compartilhe artigos relacionados com experiências de raça e racismo no cotidiano escritas por pessoas não brancas.

23. Mas não seja aquela pessoa irritante que adora demonstrar como é conscientizada para as pessoas não brancas ao seu redor. Tenha consideração.

24. Leia livros escritos por pessoas não brancas. Recomendo Sister Outsider de Audre Lorde, The New Jim Crow de Michelle Alexander e literalmente tudo de Junot Diaz sobre negritude.

25. Assista séries que são criadas por pessoas não brancas, como Atlanta e Insecure. (Sério, se ainda não assistiu Atlanta, faça isso. Agora.)

26. Tenha um olhar crítico quando assistir TV e filmes. Como eles estão retratando pessoas não brancas e por quê? A que propósito isso serve?

27. Se você estiver visitando uma galeria de arte, note quantas obras foram feitas por pessoas não brancas. Se forem poucas, chame a atenção para isso, mande um e-mail, pergunte ao curador. Os brancos não devem ter o monopólio sobre o que pode ser considerado arte.

28. Se um personagem que você achava que era branco num livro é interpretado por um ator não branco num filme, aceite. Branco não é o padrão.

29. Apoie peças escritas e interpretadas por pessoas não brancas. O mundo do teatro é esmagadoramente branco.

30. Se recuse a frequentar clubes noturnos e show de drag e burlesco que fazem apropriação cultural.

31. Se você tem filhos, compre bonecas não brancas e livros com personagens não brancos pra eles.

32. Apoie campanhas de financiamento coletivo de produtos culturais criados por pessoas não brancas se puder.

33. Faça doações para movimentos de base perto de você que são comandados e apoiam pessoas não brancas.

34. Apoie pequenos negócios de pessoas não brancas.

35. Se você é de classe média ou alta, evite se mudar para áreas historicamente povoadas por pessoas não brancas de classe baixa. A gentrificação destrói comunidades.

36. Não suponha que pessoas não brancas não sabem falar sua língua.

37. Mas também tenha paciência se a pessoa não fala sua língua perfeitamente. Você é bi/tri/multilíngue? Provavelmente não. É difícil.

38. No geral, não ache que queremos ser brancos ou queremos ser assimilados. E não nos pressione para isso.

39. Reconheça que você não pode adivinhar a religião de alguém pela aparência. Nem todo mundo do Sudeste Asiático e do Oriente Médio é muçulmano, nem todo negro é cristão, nem todo mundo da Ásia Oriental é budista. Entendeu a ideia?

40. Lembre-se que nem toda pessoa não branca é hétero.

41. Lembre-se que pessoas não brancas não são inerentemente mais homofóbicas que os brancos.

42. Pessoas pode ser negras, gays, deficientes, trans e classe média. A negritude é expansiva. Ela não existe de um só jeito. Tenha isso em mente.

43. Quando falamos sobre raça, não estamos falando só sobre homens! Repita comigo: intersecções de raça e gênero existem.

44. Lembre-se que são mulheres negras, indígenas e mestiças que têm mais chances de serem estupradas durante a vida. Você não pode criticar a violência sexual sem considerar o impacto da raça.

45. Não pergunte para uma negra se o cabelo dela “é de verdade”. E não julgue mulheres negras por usarem perucas, apliques ou fazer relaxamento.

46. Não encoste a mão no nosso cabelo, ok.

47. Se você namora uma negra, por favor, tenha sempre condicionador no seu banheiro. Não aquela merda 2 em 1!!! Eu imploro.

48. Nunca tente fazer uma “brincadeira com raça” no quarto sem perguntar antes. Sério, puta merda.

49. Tente identificar e se afastar de tropos orientalistas, ou seja, acreditar que mulheres da Ásia Oriental são naturalmente mais submissas ou dóceis. Pessoas não brancas são pessoas, não personagens.

50. Se você chamar uma mulher não branca de “exótica”, você merece topar o dedinho do pé numa quina todo dia da sua vida por um ano. Não. Faça. Isso.

51. Além disso, dizer “nunca transei com uma pessoa negra/asiática/indígena” para alguém com quem você está tentando ficar é uma passagem direto para o inferno.

52. Se você tem esses pensamentos fetichistas, nem tente chegar perto de uma pessoa não branca.

53. Lembre-se que ter filhos mestiços não é uma cura para o racismo ou um jeito de viver suas estranhas fantasias raciais.

54. Se você está tentando começar uma família mestiça, analise profundamente suas intenções.

55. Se você tem um filho mestiço, garanta que ele tenha acesso a pessoas que parecem com ele e entendem suas experiências.

56. Se você tem um parceiro ou um filho não branco, entenda que você ainda pode ser racista. Você não é exceção. Na verdade você tem um dever maior de examinar seu comportamento em benefício de quem você ama.

57. Chame a atenção dos parentes racistas pelas merdas que eles dizem nos almoços de família ou nas redes sociais.

58. Confronte seus colegas que dizem merdas racistas no trabalho.

59. Olhe ao redor no seu local de trabalho – as únicas pessoas não brancas são da limpeza ou assistentes? O que você pode fazer para mudar isso? (A resposta quase nunca é “nada”).

60. Se alguém te pedir para tomar uma posição que você acha que deveria ser de uma pessoa não branca, recomende uma pessoa não branca talentosa que você conhece e recuse a oferta.

61. Não tenha uma só pessoa para representar diversidade na sua empresa. Ou pague mais para a pessoa pelo trabalho de diversificar sua firma.

62. Se recuse a participar num painel só com pessoas brancas. Independentemente do tópico.

63. Se há só uma pessoa não branca no seu seminário, não fique encarando ela quando alguém faz perguntas sobre raça esperando que ela responda tudo.

64. Se você está no comando de criar um currículo, se certifique de que há obras de pessoas não brancas, especialmente mulheres, na lista de leitura. E não só nas semanas dedicadas à raça.

65. Encomende trabalhos sobre raça de pessoas não brancas.

66. Encomende trabalhos sem relação com raça de pessoas não brancas.

67. Não diga coisas como “uma história tem sempre dois lados!” ou tente dar uma de advogado do diabo quando estiver numa conversa sobre raça.

68. Em situações assim, apenas ouça.

69. Nunca é útil dizer coisas como “mas e a classe trabalhadora branca?” Você já pensou sobre as necessidades da classe trabalhadora não branca?

70. NÃO VOTE EM POLÍTICOS RACISTAS. Não acredito que preciso dizer isso, mas parece que tem gente que esquece.

71. Pesquise sobre os seus candidatos. Quem tem políticas progressistas que não vão necessariamente criminalizar pessoas não brancas? Vote neles.

72. Lembre-se que mulheres negras não estão aqui pra te salvar de si mesmo. Você tem que fazer sua parte, OK?

73. Tenha consciência de como sua raça pode ser usada contra pessoas negras. Ou seja, mulheres brancas, não brinquem com estereótipos de homens negros serem inerentemente ameaçadores para você. Isso acaba em homens negros mortos. Por exemplo: Emmett Till.

74. Use seu privilégio branco para ficar entre as pessoas não brancas e a polícia em manifestações. Você tem muito menos chance de sair ferido que nós.

75. Registre encontros policiais que você ver envolvendo pessoas negras.

76. Compartilhe alertas quando a imigração estiver planejando uma batida.

77. Vá contra a islamofobia sempre que encontrar isso.

78. Se você já achou que frases como “Black Lives Matter” eram muito agressivas, considere por que você se sente tão desconfortável com pessoas negras defendendo sua humanidade.

79. Ouça quando pessoas negras disserem “não me sinto confortável nessa situação”. Você assistiu Corra!, né?

80. Se você ainda não assistiu Corra!, assista Corra!. Entenda que o terror do cotidiano é real.

81. Questione se você não é hipócrita quando se trata de drogas. Você acha legal quando empreendedores brancos fazem fortuna com maconha, mas acha que pessoas negras que são pegas com erva merecem ser presas?

82. Não faça dreads se você não é negro, por favor. Além de ser ofensivo, não é certo para o seu tipo de cabelo. Faça literalmente qualquer outra coisa.

83. Não se refira a coisas como seu “animal espiritual” se você não é indígena. Tem outros jeitos de expressar afinidade.

84. Não compare a exploração animal com racismo. Nunca. Sério.

85. Não acredito que preciso dizer isso em 2018, mas lá vai: não faça blackface.

86. Nem pense em usar a palavra com N. Mesmo se estiver sozinho. Mesmo se estiver ouvindo rap. Mesmo se estiver sozinho ouvindo rap.

87. De maneira similar, não use as palavras “cig*n*”, “jap*” ou “pel* verm*lh*”, ou qualquer outra gíria racial. Mesmo se você está repetindo o que alguém disse ou lendo num texto.

88. Isso inclui “de cor”. “Pessoa não branca” e “pessoa de cor” não é a mesma coisa. Confie em mim.

89. Entenda que o Brasil, os EUA e outros países são o que são hoje porque roubaram terras de indígenas e roubaram pessoas da África.

90. Se importe com raça nos outros 364 dias do ano que não são o Dia da Consciência Negra.

91. Além disso, não faça whitewash com o legado de ativistas negros para dizer que os negros deveriam se conformar com o que receberam.

92. Pense em como raça funciona, mesmo quando pessoas não brancas não estão por perto. Reconheça isso onde estiver, em qualquer situação. Pessoas não brancas precisam fazer isso, então você também deveria.

93. Lembre-se que ser queer/mulher/trans/classe baixa/deficiente não te exclui do privilégio branco.

94. Faça seu feminismo ser útil para todas as mulheres em vez de se chamar de “feminista interseccional”. Faça em vez de falar.

95. Não suponha que você pode entender o que é experimentar racismo. Não pode. Esse é o ponto.

96. Entenda que nada na sua vida é intocado pela sua condição de branco. Tudo que você tem seria muito mais difícil de conseguir se você não tivesse nascido branco.

97. Fique grato pela lição quando alguém apontar o seu racismo. Ficar na defensiva não ajuda em nada.

98. Supere sua culpa branca. Culpa é uma emoção improdutiva. Não fique atolado nisso, seja melhor.

99. Reconheça que lutar contra o racismo não é sobre você, não é sobre os seus sentimentos; é sobre libertar pessoas não brancas de um mundo que tenta esmagá-las todo dia.

100. Lembre-se: ser um aliado é um verbo, não um substantivo. Você não pode magicamente se tornar um aliado de pessoas não brancas porque diz que é, isso é algo em que você tem que trabalhar sempre.

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