Fotos que capturam a angústia e a apatia do amor na era do Instagram

A paixão segundo a fotógrafa palestina Sarah Bahbah.

por Shelby Black; Traduzido por Marina Schnoor
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abr 2 2018, 8:00pm

Imagens cortesia da artista.

As imagens saturadas e cinematográficas da fotógrafa Sarah Bahbah parecem otimizadas para a internet. Nelas, jovens bonitos se esticam em camas e piscinas, comendo pizza e bebendo champanhe direto da garrafa. O lado mais sombrio surge nas legendas estilo filme estrangeiro, evocando corações partidos, dor e o mal-estar da adolescência. É uma combinação que se mostrou um sucesso, rendendo a Bahbah uma legião de seguidores no Instagram.

A fotógrafa, no fundo, é uma narradora, e os textos expressivos que acompanham seus cliques são meticulosamente criados como um roteiro. Com exposições recentes em Miami e LA, e sua primeira exposição solo em Nova York atualmente na Castle Firtzjohns Gallery, Bahbah está desafiando o establishment da arte a aceitar um trabalho igualitário e pensado para ser compartilhado de graça nas redes sociais. A bio dela no Instagram diz “Você provavelmente viu minha arte no feed de alguém".

A VICE falou recentemente com a artista palestina – que foi criada na Austrália e hoje mora em Los Angeles –, sobre navegar pelas políticas da internet, a natureza da intimidade e a importância de homens emocionalmente vulneráveis.

"Posso sentar aqui?" / "Não, desculpa, tô apaixonado."

VICE: O que inspirou o título da sua exposição, Fuck Me, Fuck You?
Sarah Bahbah: É o coração e a natureza do amor moderno. Olhando todo meu corpo de trabalho, você vê que todos os meus protagonistas têm uma ambivalência com o amor e a decepção. Como uma foto onde um personagem diz “Preciso de amor”. E em outra ele diz “Vai se foder, te odeio”. Esse título realmente captura essa influência.

Você vem fazendo muitas exposições recentemente. O que iniciou esse impulso?Ver meus amigos se saindo bem em seus campos me inspira, e tem muitas mulheres empreendedoras arrasando. É importante ser uma boss bitch sempre que possível. Comecei a fazer o que eu queria fazer. Tenho grandes objetivos pra mim e comecei a me representar, criar minha equipe e financiar todas as minhas exposições. Eu queria fazer exposições solo em todos os lugares. Comecei em Miami, e mesmo tendo investido muita grana, eu acreditava em mim e me senti motivada para continuar. Aí fiz uma exposição em LA, e agora em Nova York. Planejo fazer uma turnê pela Europa no verão. Não quero depender de ninguém para conseguir o que quero.

"Sentimentos." / "Fodam-se."

Qual tem sido o feedback?
Há uma grande apreciação pelas mensagens em Nova York. O feedback que tenho recebido lá é muito forte. As pessoas me dizem que estou dando uma voz para seus corações e mentes. Essa é minha resposta favorita. É muito significativo saber que você está fazendo diferença na maneira como as pessoas se expressam.

Qual a diferença de ver seu trabalho ao vivo versus numa tela?
Fãs me disseram que é muito diferente ver meu trabalho pessoalmente. Tem uma diferença entre mexer num celular e ficar cara a cara com uma foto e realmente pensar no que está sendo dito: uma linda mensagem numa escala maior que a sua cabeça.


As exposições te deram mais crédito pelo seu trabalho?
Com certeza. Se alguém compartilhava uma foto minha [numa rede social] sem dar crédito ano passado, eu diria que 70% das pessoas se safavam fazendo isso. Este ano, só uns 5% se safam. Parei de me importar muito tempo atrás, mas meus seguidores são tipo uns espiões. Amo eles.

"Por que eu não posso morrer só por uma noite? Quero uma morte temporária."

O ator Dylan Sprouse foi um dos primeiros homens que você fotografou para a sua série. Como foi isso?
Para mim, o feminismo é uma questão de fortalecer as mulheres e permitir que os homens se sintam vulneráveis. Temos que permitir que os homens chorem e digam o que sentem. Eles não precisam ser uma figura forte.


Como você captura essa honestidade?
Tudo que você vê, das imagens aos diálogos, vem dos meus pensamentos e sentimentos. Internalizo conversas ou coisas que quero dizer, e aí crio e escrevo. Tenho tentado praticar transparência há alguns anos com meus pensamentos e emoções. As mulheres foram silenciadas por tempo demais para dizer o que sentem e quando querem, e isso é mais importante que nunca.

"Se você for um boy lixo, pelo menos transe bem."

O que vai rolar? O que você espera compartilhar?
Há muitas mensagens que não são comunicadas na nossa sociedade, muitos tabus que não estão sendo abordados. Quero usar minha plataforma para conscientizar sobre conversas que ainda não foram tidas. Na nossa época, precisamos nos sentir confortáveis para comunicar coisas que reprimimos subconscientemente.

"Fora drama. Partiu festa."
"Sou apaixonada por duas coisas: eu mesma e alguém me comendo."
"Alter ego dominando."

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