A Cidade Australiana de Gold Coast nos Sexy e Sexistas Anos 70

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A Cidade Australiana de Gold Coast nos Sexy e Sexistas Anos 70

Há anos, essa imitação de Miami lida com fisiculturistas, competições de biquíni e especulação imobiliária.
06 Maio 2015, 12:30pm

Gold Coast é, provavelmente, a cidade mais extravagante da Austrália. Há anos, essa imitação de Miami lida com fisiculturistas, competições de biquíni e especulação imobiliária. O mais interessante é que o cara que tirou estas fotos não vê a coisa bem assim. Para Graham Burstow, que fotografa GC desde os anos 60, isso é mais que uma vinheta de férias australianas com alguns biquínis no meio. Ele viu a área evoluir de cabanas de madeira no meio do mato para a cidade resort de arranha-céus de hoje. Falamos com ele para saber como Gold Coast mudou.

VICE: Oi, Graham. Como você começou a fotografar Gold Coast?
Graham Burstow: Nasci em 1927 em Toowoomba. Quando eu tinha três ou quatro anos, minha família costumava alugar uma casa ali, até que meu pai comprou um terreno em Mermaid Beach. Construímos uma casa na praia lá, e, dos anos 60 aos 80, passei todas as minhas férias de verão tirando fotos.

E como você se envolveu com fotografia?
Venho de uma família de artistas. Todo mundo da família era parte de um coro, e comecei a fazer fotos quando tinha 17 anos. Aí as pessoas começaram a pedir cópias dessas fotos; então, comecei a revelar os filmes eu mesmo. Daí em diante, sempre documentei férias e eventos. Qualquer coisa onde houvesse muita gente.

Incluindo competições de biquíni?
Sim, eles chamavam isso de Miss Sun Girl Quest. Lembro que isso começou com apenas algumas garotas na praia. Aí eles arrumaram um palco; depois, um pano de fundo nos anos 70. Era uma coisa muito popular na época. Os garotos costumavam deitar embaixo do palco para assistir. Não sei o que aconteceu. Não vejo propaganda disso há anos.

Você não parece um cara particularmente interessado em fotografar alusões sexuais. Por que há tanto sexo implícito nas suas fotos?
Isso era o que estava acontecendo na praia. E eu nem sempre gostava disso. Lembro-me de ir até lá com a família no Ano Novo e a coisa ser um pouco estressante. Muita gritaria e bebedeira. Mas também tirei essas fotos, porque gosto de fotografar grupos. Quero ver pessoas interagindo umas com as outras, não apenas comigo. Enfiando uma câmera na cara de alguém, você só consegue um sentimento falso. Pessoas simplesmente cuidando de suas vidas – é isso que quero ver. Sempre achei que havia mais sentimento nessas fotos.

Como a área mudou nesse tempo?
Parece diferente, mas acho que a cultura tem algumas similaridades. Nos anos 70, os arranha-céus estavam sendo construídos. Eu costumava fotografá-los derrubando as velhas casas de praia. E isso é algo que é diferente – você não tem o cooee das demolições agora. Acho que, no geral, tínhamos um modo de vida mais simples naquela época. Um fotógrafo podia andar entre as pessoas tirando fotos, e ninguém se preocupava com isso. Agora, as pessoas geralmente se preocupam mais com o que você está fazendo e aonde está indo. A Austrália tinha um jeito mais fácil de olhar para as coisas do que agora. Não somos mais tão descontraídos quanto costumávamos ser.

As fotos dessa série foram tiradas do livro de Graham, Flesh. Esse trabalho ficará em exposição no Gold Coast Arts Centre de 22 de outubro a 6 de dezembro deste ano.

Entrevista por Julian Morgans. Siga-o no Twitter.

Tradução: Marina Schnoor