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Será que em 2017 perderemos o "panda do mar"?

Dos 60 animais que restam, apenas 25 são fêmeas.

por Sarah Jeong
03 Janeiro 2017, 1:00pm

Crédito: YouTube/Chris Johnson.

Os acontecimentos deste ano foram trágicos de um modo totalmente gratuito, e muitos esperam que 2017 traga algum tipo de redenção. Entretanto, para a vaquita – a menor toninha que existe no mundo, e a que mais corre risco de extinção – o ano que vem poderá ser seu último no planeta. Como resultado, muitas pessoas empenhadas no trabalho com a vida marinha se uniram em um último esforço para salvar as espécies em perigo.

Medindo um metro e meio de comprimento, a pequena vaquita, ou Phocoena sinus, está flertando com a extinção há um bom tempo. Operações de pesca ilegais no golfo da Califórnia, habitat único da vaquita, abarrotaram a paisagem marinha de redes de pesca que aprisionam e matam os cetáceoas. Os cientistas estimam que sua população diminuiu mais de 92% desde 1997. Ano passado somente 60 animais sobreviveram, sendo que menos de 25 eram fêmeas procriadoras.

Os esforços de salvamento da vaquita acontecem com o empenho de conservacionistas e do governo mexicano. Em 2015, o presidente do Mexico Enrique Pena Nieto declarou o banimento emergencial de redes de pesca por um período de dois anos. As autoridades também ofereceram compensações aos pescadores cujas vida dependiam do comercio que dizimava as vaquitas em 37 milhões de dólares por ano.

Por causa de seu tamanho pequeno e de suas feições carismáticas (os olhinhos redondos contornados de preto lhes renderam o apelido de "panda do mar"), os ativistas se empenham em sua sobrevivência. E assim como o panda gigante, o rosto da vaquita se tornou um ícone do movimento, que apela à simpatia dos humanos, talvez mais do que qualquer outra coisa.

Ainda assim, apesar de um influxo de doações em dólares para proteger a vaquita, e os esforços do governo mexicano para protege-los, a espécie está desaparecendo. "A marinha está empenhada em muitos esforços heroicos [para refrear o uso de redes de pesca ilegais], porém, os pescadores estão utilizando todos os truques existentes", Lorenzo Rojas-Bracho, presidente do Comitê Internacional para a Proteção da Vaquita, contou à NBC News esta semana.

Crédito: YouTube/Chris Johnson.

De acordo com funcionários, a demanda chinesa por um peixe chamado de totoaba, desejado por sua bexiga natatória no mercado negro, causou o maior dano colateral à vaquita. Entre outubro e dezembro desde ano, mais de 100 redes de pesca "fantasmas" foram descobertas em uma área de 12 mil quilômetros do golfo da Califórnia.

Agora, especialistas em conservação querem pegar e registrar as vaquitas restantes como forma de proteção. Esse método permitiria, teoricamente, que a espécie nadasse livremente, porém, sem a ameaça da rede. Entretanto, o processo de capturar os animais pode se mostrar bastante arriscado. Rojas-Bracho se preocupa que se as fêmeas procriadoras morrerem, isso poderá extinguir a espécie.

"Capturá-las, transportá-las, há um risco inerente a tudo o que façamos. Mas precisamos fazer algo como medida emergencial", afirmou. "Nossa equipe é a melhor que pudemos reunir no mundo. É a equipe dos sonhos."

Assim como muitas outras batalhas contra a extinção, a maior luta será proteger os habitats das espécies das atividades humanas destrutivas. As mudanças climáticas, a pesca desenfreada e a poluição são algumas das maiores ameaças aos ecossistemas marinhos. "As espécies estão em risco, assim como o ecossistema todo", Rojas-Bracho acrescentou.

Tradução: Amanda Guizzo Zampieri