VICE Sports

Por dentro do maior torneio de pôquer profissional da América Latina

Entre apostas mal feitas, piratas e massagistas, vivi a dura busca dos milhões de reais na jogatina que é considerada um esporte da mente.

por Yuri Campos
11 Dezembro 2018, 9:00am

Jogadores durante o BSOP 2018. Foto: Marcos Muniz/VICE

Na busca de faturar uma fatia do prêmio de um milhão e meio de reais, competi no maior torneio de pôquer da América Latina, o Brazilian Series of Poker (BSOP) 2018, evento que aconteceu na cidade de São Paulo, entre os dias 27 de novembro e 6 de dezembro.

Com habilidades limitadas e pouca sorte nas cartas, logo pude sacar com o meu parceiro, o fotógrafo Marcos Muniz, os grandes figurões e particularidades dessa festa do baralho, de fichas e dinheiro. Pra facilitar, elenquei todo tipo de coisa que você pode sacar num evento desse naipe.

1544469071181-marcos-muniz-vice-poker-15
Foto: Marcos Muniz/VICE

Massagem na frente de todo mundo

Se você não tem encanação de ser massageado perante três mil pessoas, o pôquer pode ser o seu esporte. Se você está disposto a jogar pôquer, você encontrará uma massagem. Contudo, massagistas homens não costumam dar as caras nas mesas, como pudemos constatar com a arquiteta e massagista nas horas vagas Giulia Centenaro.

1544469121290-marcos-muniz-vice-poker-10
João Batista, 50, contou o segredo da pressão psicológica do pôquer: “Tem muita ficha, saia da mesa, deixa as pessoas se destruírem um pouco." Foto: Marcos Muniz/VICE

Outfit bolado

Ao sentar em uma mesa de pôquer, saiba: alguém cheio de estilo provavelmente estará a sua direita e / ou a sua esquerda. Ao longo das andanças pelo salão do BSOP encontramos figuras incríveis como o João Batista, o pirata de 50 anos, conhecido online como royal poker, professor de matemática, motorista de Uber, barman e jogador de pôquer.

1544469193060-marcos-muniz-vice-poker-3
O Ivan estava bolado depois de ser eliminado numa "bad beat", como os jogadores de pôquer chamam uma aposta infeliz que geralmente culmina com a eliminação do jogador. Foto: Marcos Muniz/VICE

Dinheiro

Aqui temos um ponto muito louco e que pode despertar o desejo de muitos a adentrar nessa aventura. Conversando com as pessoas no campeonato, vi que era normal falar o seu desempenho financeiro nos últimos campeonatos jogados antes mesmo de dizer o próprio nome. Sem contar que geral anda com maços de dinheiro na mão, pronto para entrar em ação.

Neste ano, o BSOP movimentou mais de 55 milhões de reais em premiações totais.

1544469219845-marcos-muniz-vice-poker-11
O jogador de pôquer profissional Fernando Pontes, 37 (ex-jogador de futebol e ex-bancário também), conta que “puxou” R$300 mil nos últimos dois meses de jogo. Foto: Marcos Muniz/VICE

Alguns jogadores me contaram como organizam suas finanças: em todos os campeonatos que disputam, seja online ou presencialmente, a estratégia é fazer uma planilha de Excel marcandos os valores dos custos por competição e o retorno em premiações. A flutuação positiva ou negativa dessa história é o famoso bankroll.

1544469450037-marcos-muniz-vice-poker-1
Jairo de Souza era conferente em um frigorífico e trabalha com pôquer há seis anos. Foto: Marcos Muniz/VICE

Dealers gente boa (eles entregam cartas, não drogas)

Esses são os verdadeiros heróis que não usam capa no mundo do pôquer. Com muito bom humor e passados diferentes, em comum notamos duas coisas: todos parecem muito felizes com a sua profissão e todos jogam pôquer quando não estão dando as cartas que alimentam o sonho da fortuna alheia.

1544469514913-marcos-muniz-vice-poker-13
A jogadora profissional Ana Freitas. Foto: Marcos Muniz/VICE

Infelizmente, poucas mulheres no esporte

As fontes são escassas, porém, de acordo com o site The Big Blind e o site 888poker, menos de 4% das participantes dos grandes eventos, como o que joguei, são mulheres.

Conversei com uma dessas poucas jogadoras, a empresária brasileira e jogadora profissional de pôquer Ana Freitas, que estava liderando uma das mesas finais do campeonato de maior premiação daquela noite com a tranquilidade de um monge tibetano.

1544469648899-marcos-muniz-vice-poker-7
Foto: Marcos Muniz/VICE

Idosos curtição

Tinha idosos style demais na jogatina. Diferentemente da maioria dos esportes em que a idade é um fator limitante para a prática em alto nível, o pôquer possui jogadores como o multicampeão texano Doyle Brunson, de 85 anos, que está na ativa, é um ícone e realça o status de “esporte da mente”.

1544470041082-yuri-campos-foto-carlos-monti
Foto: Carlos Monti/Divulgação/BSOP

A real é que os milhões não entraram na minha vida, razão esta de você estar lendo essa matéria. Se você quiser jogar pôquer recreativamente, talvez esse seja o único esporte que com um mínimo de planejamento financeiro te dá a possibilidade de dividir uma mesa com um profissional e, quem sabe, levar algum dinheiro para casa. Contudo, se é o seu desejo é ser um Pôquer Pro, saiba que terá que viver o esporte como qualquer trabalhador regular, que investe minimamente oito horas no seu ofício, dividido entre jogos e estudos de estratégias. Quem sabe num futuro, além do estilo, eu traga alguns reais para casa.

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.