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O ex-RPW W-Yo e o Questions prestam homenagem ao Beastie Boys

Rapper e banda de hardcore da Zona Oeste de São Paulo soltam o verbo em crítica à política brasileira que tem base tirada de "Tough Guy", música do conjunto americano.
23 Fevereiro 2018, 2:00pm
Questions e W-Yo (ao centro), juntos no estúdio. Foto: Divulgação

Com o fim do RPW, o correria do grupo W-Yo não se conteve e logo seguiu em carreira solo: lançou o projeto W-Yo, Aquele Q Vc Xingô!. O primeiro single foi da música "O Velho e o Novo", com participação de Felipe Flip. Nesta première do Noisey, ele pegou a letra “Eu Não Vou!”, a qual havia escrito para um álbum do trio bate-cabeça, e convidou o Questions para gravar junto o segundo single do projeto.

A letra, um grito de revolta contra a situação atual do Brasil, conta o rapper da ZO de São Paulo que fora inspirada na atitude in your face do Beastie Boys. Calhou que os caras do Questions guardavam sob a asa um instrumental de “Tough Guy”, gravado de olho num potencial futuro álbum de covers. Nessas, surgiu a ideia de botar a letra em cima do instrumental.

Moradores da mesma área, banda e MC compartilham o gosto pelo rap e o hardcore, os ideais antissistema e, agora, o estúdio. “Aí adaptei o texto, levamos pro pessoal do estúdio Toth, colocamos as vozes e eles cuidaram da mixagem e masterização”, conta W-Yo. “Senti que era o momento ideal — mais real do que quando escrevi, infelizmente — para gravá-la. Há tempos tentávamos fazer algum trabalho juntos, pelo fato de morarmos do mesmo lado do mapa, mas ainda não tínhamos conseguido."

"Conheci o W-Yo no fim dos anos 1980, na época do pixo, quando ele atendia pelo vulgo MxOxRxT!”, relembra com entusiasmo Helinho Suzuki, do Questions. “Ele colava no Oba, um fliperama no Jardim Arpoador, onde morei grande parte da minha vida. Logo, ele começou a trilhar o hip hop e eu, o metal, o punk e o hardcore, mas sempre mantivemos contato. Em minha opinião, o Beastie Boys representa esse elo entre o hip hop e o hardcore.”

Sobre a mensagem que querem passar, W-Yo deixa claro: “A inspiração é, infelizmente, o dia a dia de milhares de cidadãos que sofrem há anos com defasagem salarial, péssima qualidade de transporte público, o sufoco com que a sociedade impõe certas regras, enfim, é uma mensagem de sufoco, um grito de eu não aguento mais, que está nítido nas ruas, no rosto de cada cidadão.”

A maior parte das cenas do clipe foram gravadas na pista de skate conhecida como Butanclan, no CEU Butantã, e no QG do Questions, onde rolam os ensaios. “A proposta é justamente aproximar mais o rap e o hardcore, para reforçar a voz da rua, e com isso, alertar mais a população dos golpes e armadilhas do sistema”, conclui.

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