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Um dos maiores sites de pornografia infantil da dark web foi derrubado graças a um grande erro do administrador

Mais de 337 pessoas foram presas em 38 países, inclusive no Brasil. O site “Welcome to Video” hospedava 8 terabytes de pornografia infantil.

por Jason Koebler; Traduzido por Marina Schnoor
17 Outubro 2019, 10:00am

Imagem: Getty Images.

O Departamento de Justiça dos EUA anunciou que apreendeu e fechou o Welcome to Video, um dos maiores sites de pornografia infantil da dark web, numa ação envolvendo autoridades do mundo todo.

A polícia prendeu mais de 337 supostos pedófilos em 38 países e resgatou 23 crianças em situação de abuso como parte da operação, o DJ disse numa entrevista coletiva na quarta.

O DJ disse que rastreou pagamentos com Bitcoin por blockchain para encontrar usuários e administradores do site. Numa grande cagada de segurança de operações, o administrador do site estava recebendo pagamentos através corretoras de Bitcoin americanas com o nome, número de celular e conta de e-mail verdadeiros, o que tornou a investigação inicial muito fácil em se tratando de uma operação na dark web.

O site hospedava “mais de um quarto de milhão de vídeos, e os usuários baixaram mais de um milhão de arquivos, totalizando 8 terabytes”, disse o DJ.

“Muita coisa no site retratava crianças e bebês envolvidos em condutas sexuais”, disse Jessie Liu, promotora federal do distrito de Washington, DC, na entrevista coletiva.

Segundo a acusação, o site operou entre junho de 2015 e final de 2018, quando foi apreendido. Membros do site pagavam aproximadamente US$ 350 em Bitcoin por uma assinatura de seis meses do site, que permitia downloads ilimitados. “A página de upload do Welcome to Video dizia: 'Não poste pornografia adulta'”, diz o documento do DJ.

A investigação foi uma parceria entre o DJ, ICE e IRS, e departamentos do tipo no Reino Unido e Coreia do Sul. Liu disse que 53 supostos pedófilos foram presos nos EUA e que mais uma dezena de pessoas estão sob investigação. Ela disse que prisões foram feitas no Brasil, República Checa, Coreia do Sul, Espanha, Irlanda, Emirados Árabes e outros países.

Segundo a acusação, as autoridades conseguiram rastrear usuários do site através de blockchain não devido ao design do Bitcoin em si, que usa pseudônimos, mas porque “nos EUA, corretoras de moeda virtual são obrigadas por lei a coletar informação de identificação de seus clientes e verificar identidades”.

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O documento da acusação aponta que o DJ usou um disfarce e mandou Bitcoin para a carteira de Bitcoin do site em várias ocasiões. A carteira de Bitcoin era hospedada numa corretora e registrada com o nome Jong Woo Son, o suposto administrador do site. Ele registrou seu número de celular e conta de e-mail na corretora. O departamento também conseguiu rastrear quando o administrador sacava de sua conta no banco através de uma corretora de Bitcoin americana. O DJ não deu o nome da corretora na acusação.

O DJ usou um software chamado Chainalysis para rastrear os pagamentos entrando na carteira de Bitcoin do administrador.

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Uma mapa das transações feito pelo Chainalysis.

Apesar de a escala da operação ser incrível, os detalhes técnicos são bem básicos. Diferente de investigações anteriores de alto escalão na dark web, não parece que o DJ teve que depender de uma vulnerabilidade na rede Tor ou hackear qualquer coisa para determinar a identidade dos donos do site. A dependência do site de corretoras de Bitcoin americanas permitiu que a autoridades descobrissem as identidades do administrador e dos clientes do site relativamente rápido, segundo a acusação.

Obviamente, essa é uma operação muito importante na dark web, mas a acusação formal levanta questões sobre por que o Departamento de Justiça permitiu que o site operasse por tanto tempo. Identificar o administrador e alguns dos usuários foi feito rapidamente. Há um debate na comunidade de justiça norte-americana sobre se as autoridades devem permitir que sites de pornografia infantil continuem operando para juntar mais evidências e prender mais pessoas, mas, como o próprio DJ apontou na entrevista coletiva, cada vídeo postado no site detalhava um novo crime horrível contra crianças.

Matéria originalmente publicada na VICE EUA.

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