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Há 20 anos, 'GoldenEye 007' revolucionava os games de tiro

E faz duas décadas que eu enxergo a AK-47 do jogo como um lápis.

por Pedro Falcão
25 Agosto 2017, 7:06pm

Imagem: Rare/Reprodução.

O Nintendo 64 foi primeiro console que entrou na minha casa e o GoldenEye 007 foi provavelmente um dos primeiros cartuchos que segurei na mão. Foi também o primeiro jogo que eu falava que jogava bem e o primeiro em que tomei uma sova de alguém que jogava melhor. Mas o clássico da Rare não foi só um marco na minha vida. Esse foi o game que mudou a história dos jogos de tiro para console.

Hoje (25) faz 20 anos que GoldenEye 007 foi lançado e é impossível não enxergar a enorme influência que esse game teve. Até então, jogos de tiro em consoles tinham experiências limitadas – só podiam mexer a mira horizontalmente ou eram dolorosamente lineares –, enquanto ficávamos babando com os games do tipo mais avançados, graficamente e mecanicamente, que rolavam nos PCs.

GoldenEye 007 influenciou o seu gênero de mais de uma forma. Para começar, abriu às portas para jogos de tiro mais complexos nos consoles, estendendo um tapete pelo qual anos depois desfilaram com grandiosidade séries como Halo e Call of Duty. Essas franquias pegaram as melhores partes do game do James Bond e as evoluíram através dos seus jogos: o divertidíssimo multiplayer de GoldenEye 007 tomou novas proporções com Halo, enquanto as cenas de ação e pressão do jogo foram grande influência para construir a narrativa com estilo à la "Bayhem" de Call of Duty.

Apesar de usar nomes fantasiosos, o game da Rare também foi um dos responsáveis por criar uma tradição de realismo bélico em jogos de tiro. As armas do jogo eram baseadas em uma coleção de armas reais que, posteriormente, apareceram em quase todos os games de tiro realistas que surgiram. No jogo, Walther PPK virava "PP7"; Micro Uzi era chamada de "ZMG"; a AK-47 (que, para mim, sempre se parecerá com um lápis no jogo) se tornava a "KF7", e assim por diante.

Essa tradição atingiu níveis ainda mais realistas e, principalmente, questionáveis nos jogos de tiro contemporâneos, que recebem grana da indústria bélica para reproduzir fielmente as armas que existem de verdade, incluindo nome de modelo e fabricante, praticamente fetichizando e fazendo propaganda dessas armas pro público desses games. Pelo menos GoldenEye 007 era fiel à fonte: James Bond também foi a série que iniciou esse mesmo processo propagandista bélico nos cinemas.

E finalmente, ao lado de jogos como Godfather, Spider-Man 2 e The Warriors (todos para PlayStation 2), GoldenEye 007 provou que, ao contrário do que a enorme quantidade de games horríveis baseados em filmes mostram, é possível sim adaptar direito uma história dos cinemas pros videogames – o segredo é ter um bom distanciamento do material original e não ter medo de contar a própria versão daquela história.

Por tudo isso, GoldenEye 007 merece os nossos parabéns pelas duas décadas de lançamento.

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