Publicidade
Crimes

Fugi da cadeia de helicóptero, duas vezes

Falamos com Alket Rizai sobre suas fugas, que foram muito parecidas com a fuga da semana retrasada do detento francês Redoine Faid.

por Τάσος Θεοφίλου ; Traduzido por Marina Schnoor
24 Julho 2018, 4:46pm

Na noite de 6 de junho de 2006, um pequeno helicóptero pousou no pátio da prisão de segurança máxima Korydallos em Pireu, uma cidade portuária do sul da Grécia. Momentos depois ele decolou levando dois prisioneiros – Vassilis Palaiokostas e Alket Rizai.

Foi a primeira fuga de helicóptero de uma prisão grega. Uma semana depois, o piloto disse à polícia que, no dia da fuga, “Dois homens marcaram um voo sobre Atenas, pagando €1.400 [mais de R$6 mil] adiantado. Alguns minutos depois da decolagem, eles me ameaçaram com uma arma e uma granada, e me obrigaram a pousar em Korydallos”.

Rizai acabou preso de novo quatro meses depois num vilarejo num sudoeste da Grécia, enquanto a polícia levou mais três meses para encontrar Palaiokostas, só para os dois escaparem de novo de helicóptero em 2009, enquanto aguardavam julgamento pela primeira fuga. Palaiokostas nunca foi encontrado, mas Rizai foi preso nove meses depois e cumpre prisão perpétua desde então.

A história deles é incrivelmente similar a de outro fugitivo em série, Redoine Faid – um dos mais infames criminosos franceses – que escapou de uma prisão francesa no começo deste mês de helicóptero e continua foragido. Doze anos depois de sua primeira fuga, Rizai concordou em falar comigo de Korydallos sobre o incidente e como é ser caçado pela polícia.

VICE: O que te fez decidir tentar fugir da cadeia?
Rizai: Não tive nada a ver com os assassinatos de que fui acusado. Não estou dizendo que nunca fiz nada de errado, mas não tive nada a ver com aquele crime em particular. A única razão para eu ser acusado e pegar prisão perpétua foi porque o chefe do departamento de homicídio queria ajustar contas comigo. Quando o Tribunal de Apelação rejeitou meu caso, decidi planejar uma fuga.

Como você organizou a coisa toda?
Com ajuda do meu colega de cela, Palaiokostas. Pedimos a um amigo de fora para fazer um voo de helicóptero sobre a prisão para encontrar possíveis pontos de fuga, e ver o que era possível fazer. Depois que ele avisou onde não havia segurança, começamos a planejar.

No dia da fuga, havia um grande protesto nas proximidades, então havia muitos helicópteros sobrevoando a área. Logo depois que decolaram, eles revelaram ao piloto o plano real e desconectaram o rádio dele. Quando eles chegaram, percebemos que eles não podiam aterrissar porque o piloto teria que desligar os motores, então eles ficaram pairando a alguns metros do chão.

Como eles sabia exatamente onde pousar?
Tínhamos tudo coordenado, mas também balançamos uma bandeira vermelha do Che Guevara que podia ser vista de longe. Depois que decolamos, voamos até o cemitério Schisto em Atenas, onde nos buscaram de moto, e ficamos escondidos numa mata próxima. Tentei colocar fogo no helicóptero antes de fugir, mas o piloto se recusou a sair. Eu tinha medo que ele nos perseguisse com o helicóptero, então arranquei alguns cabos para impedir ele de voar e fui embora de moto.

Como você se sentiu na hora?

Não consigo descrever a sensação. Eu estava tão cheio de drogas e adrenalina que nem conseguia mostrar minhas emoções – só fiquei sentado lá, chocado. Mas quando trocamos das motos para carros, dirigi o mais rápido que podia, sabendo que não tinha mais que me preocupar com a prisão. Me senti no paraíso.

Você se divertiu enquanto estava foragido?
Não – não tem nada pior do que ser caçado. Eu estava tão estressado que quase saí do esconderijo. Eu via um padre passar na rua e ficava imaginando se não era um policial disfarçado.

Atualmente você é elegível para condicional. Você acha que suas duas fugas te atrapalham nisso?

Eu disse há muito tempo que pendurei as chuteiras, e que quero começar uma família e me reintegrar à sociedade. Mas eles sempre mencionam as fugas para não me conceder a condicional. Mas, pensando bem nisso, escapamos do melhor jeito possível – não ferimos ninguém, inclusive o piloto. Saímos como cavalheiros.

Matéria originalmente publicada pela VICE Grécia.

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.