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In Memorian

Morre Alberto Dines, decano do jornalismo brasileiro, aos 86 anos

As história do jornalista carioca se confunde com a história da imprensa brasileira na segunda metade do século XX.

por Equipe VICE Brasil
22 Maio 2018, 2:57pm

Foto: EBC

Jornalista de longa carreira e fundador do Observatório da Imprensa, Alberto Dines morreu nesta terça-feira (22) aos 86 anos em São Paulo – Dines estava internado há dez dias no hospital Albert Einstein, no bairro do Morumbi, e a família diz preferir não divulgar a causa da morte.

A história de Dines se confunde com a história da imprensa brasileira na segunda metade do século XX. Nascido em 1932 no Rio de Janeiro, Dines começou a carreira como crítico de cinema da revista A Cena Muda em 1952, mas, ao entrar para a recém-fundada revista Visão para escrever sobre cultura, acabou caindo no universo político, cobrindo as campanhas de Jânio Quadros para a prefeitura de São Paulo em 1953 e para o governo do estado no ano seguinte.

Em 1957 foi para a revista Manchete, onde era secretário de redação e assistente de direção. Em 1959 passou a dirigir o caderno 2 do jornal Última Hora, onde depois foi diretor das duas edições diárias. Em 1960 trabalhou como editor-chefe da revista Fatos e Fotos e depois como diretor do Diário da Noite, de onde foi demitido por Assis Chateaubriand por não ignorar o sequestro do navio Santa Marie, no Recife, que ocorreu em protesto contra a ditadura salazarista em Portugal.

Em 1962, aos 30 anos, ingressou como editor-chefe do Jornal do Brasil, onde capitanearia a reformulação do diário. Durante seus 12 anos no jornal, foi responsável por momentos especiais, como a edição na promulgação do AI-5 e a primeira capa sem manchetes (porque estavam censuradas pelo governo) sobre o golpe que derrubou Salvador Allende do governo do Chile em 11 de setembro de 1973. Além disso, no período, foi preso em dezembro de 1968 e em janeiro de 1969 após um discurso contra a censura na ocasião em que foi paraninfo de uma turma de jornalismo da PUC-RJ.

Depois do Jornal do Brasil, chefiou a sucursal carioca da Folha de S. Paulo, de onde foi demitido em 1980 por Boris Casoy por cobrir a repressão da polícia do governador Paulo Maluf contra as greves de metalúrgicos no ABC. Entrou para a editora Abril e entre 1988 e 1995 foi diretor da empresa em Portugal, onde criou em 1994 o Observatório da Imprensa. O veículo ganharia sua versão online em 1996, iniciativa do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e projeto original do Labjor, da Unicamp, fundado por Dines em 1994. Em maio de 1998, o Observatório da Imprensa ganhou uma versão televisiva, produzida pela TVE do Rio de Janeiro e TV Cultura de São Paulo, e transmitida semanalmente pela Rede Pública de Televisão.

Durante os anos FHC e com a internet ainda devagar em seu crescimento no Brasil o Observatório da Imprensa conferia um importante contraponto à cobertura pasteurizada da grande mídia do país no pós-Plano Real, apontando certa leniência no trato com o impopular presidente.

Além do trabalho jornalístico, Dines ainda foi autor e organizador de mais de uma dezena de livros, de ficção e não-ficção, incluindo biografias de personagens como os escritores Stefan Zweig e Antonio José da Silva (o “Judeu”, perseguido pela Inquisição em Portugal) e o apresentador Sílvio Santos. Dines Casou-se pela primeira vez com Ester Rosali Dines, sobrinha de Adolfo Bloch, com quem teve quatro filhos. E, pela segunda, com a jornalista Norma Couri.

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