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Entretenimento

O que acontece quando uma garotinha negra vira youtuber

Uma avalanche de comentários racistas não tiram o brilho de uma criança em frente às câmeras.

por Bruno Costa
15 Maio 2018, 9:19pm

Imagem: Reprodução / YouTube.

Ana Clara Barbosa tem 11 anos e faz do YouTube o seu vlog rotineiro. Em todos os vídeos ela propõe uma nova aventura: se arrumar, dar um tour pelo seu quarto arrumadíssimo, novelinhas em que ela atua e narra, além de tutoriais de make e penteados. Mas uma criança negra fazendo isso é de incomodar muita gente.

Com mais de 37 mil seguidores, a pequena youtuber de Bertioga recebe uma chuva de comentários na maioria dos seus vídeos. No mais mais visualizado, com aproximados 640 mil views, Ana explica Como arrumar seu cabelo para ir para escola.

Em outro, sobre Penteado SURPRESA, como fazer, muitos usuários da plataforma disparam os mais racistas e ofensivos comentários, sem ao menos se importar que é com uma criança que eles estão falando.

A internet, ligeira por si só, aproveitou essa onda errada e aproveitou para rebater as críticas e mostrar para Ana que está tudo bem ter cabelo crespo, fazer seus vídeos e ser bloguerinha. Além de acionar marcas e contatinhos para que prestassem atenção ao conteúdo que Ana inocentemente produz.

Em alguns vídeos, os comentários foram desativados e logo há de se pensar quantas coisas escrotas poderiam estar escritas ali. Porém, mesmo na candura de sua infância, Ana Clara fala sobre respeito e a importância de viver as diferenças em outros vídeos, deixando de lado a cobrança irreal de que meninas precisam disso ou aquilo, até mesmo massacrando o racismo desmascarado que tentar diminuir um sonho de uma criança.

Mesmo 130 anos após a lei do fim da escravatura no Brasil, ainda persiste a ignorância de que negro não deve tomar lugares dominados por brancos. Ou mesmo que cabelo bom é cabelo liso. O resquício de esperança surge quando a internet e a sociedade não permitem que essas babaquices perdurem, deixando claro que crianças negras devem sim ocupar seus espaços e sonhar ser o que quiserem ser.

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