Sex

O que sonhos eróticos realmente significam, segundo sexólogas

Incluindo por que algumas pessoas só gozam dormindo.
Juta
ilustrado por Juta
Traduzido por Marina Schnoor
25 Junho 2020, 7:31pm
Illustration of a woman lying down in bed while being groped by an alien-looking figure in a trippy space landscape encased by a thought bubble
Ilustração por Juta.

Matéria originalmente publicada pela VICE Itália.

Não sei você, mas quando acordo, raramente lembro meus sonhos eróticos. É uma pena, porque meus parceiros de cama já disseram que costumo gemer e me contorcer dormindo. Falando cientificamente, geralmente temos sonhos eróticos durante o sono REM, a fase do sono ligado a sonhos vívidos – quando o fluxo sanguíneo aumenta nos genitais, o que provoca o tesão.

De muitas maneiras, sonhos ainda são um mistério. Não lembramos muito deles porque nosso cérebro não quer confundi-los com a realidade. Segundo a psicóloga e sexóloga Laura Duranti, a qualidade e conteúdo dos sonhos eróticos depende de quem você é e sua relação com a própria sexualidade. Duranti explicou que nosso cérebro não se separa completamente da realidade durante o sono, mas “integra estímulos internos que recebe”, como a temperatura, o quarto em que você está dormindo ou o que (ou quem) você está tocando.

A posição durante o sono também é importante. “Alguns estudos, como o de Calvin Kai-Ching Yu da Hong Kong Shue Yan University, sugere que dormir de barriga pra baixo encoraja sonhos eróticos”, disse Duranti. Dormir de barriga pra baixo restringe a respiração e coloca pressão nos genitais, basicamente lembrando ao cérebro as sensações durante o sexo.

Quando são intensos o suficiente, esses sonhos podem fazer algumas pessoas gozarem. Algumas mulheres relatam que não conseguem atingir o orgasmo na vida real, mas o experimentam (ou algo similar) em seus sonhos. “Elas podem ser fisicamente capazes de gozar, mas não encontram o estímulo que precisam na vida real, seja com masturbação ou de outra pessoa”, disse Duranti.

A psicóloga e sexóloga Marilena Iasevoli disse que sexo é “uma liberação de energia” tanto no mundo dos sonhos como na realidade. “Nos sonhos é mais fácil se livrar de inibições, e abordar suas necessidades e desejos sem o monitoramento do corpo ou pensamentos – ou do parceiro”, ela disse. Segundo Duranti, isso é especialmente verdade quando nossos sonhos são sobre fantasias que não podemos realizar na vida real – estando num relacionamento ou não.

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“Sexo pode ser um jeito de relaxar, e pode compensar ou até reparar assuntos inacabados com um parceiro, um ex ou uma pessoa fora do casal”, disse Iasevoli. Mas também podemos ter sonhos eróticos com pessoas por quem não sentimos atração na vida real. É tentador acreditar que nossos sonhos sempre revelam desejos subconscientes que não estamos prontos pra aceitar, mas é mais provável ser uma questão não resolvida com alguém. Se recentemente você sonhou que estava transando com um amigo querido, alguém de quem você não gosta ou por quem não sentiria atração normalmente, “o sonho também pode representar um laço forte que você tem com essa pessoa, um talento que inveja nela, ou um lado feminino ou masculino dela de que você gostaria de se apropriar”, explicou Iasevoli.

Mas nossos sonhos nem sempre são tão desinibidos quanto gostaríamos. Duranti diz que inseguranças também podem surgir nos sonhos, especialmente pra quem experimenta um profundo bloqueio emocional com sua sexualidade, tem medo de perder poder ou de se soltar. As duas especialistas concordam que o único jeito de viver completamente suas fantasias é descobrir o que está causando o bloqueio na vida real.

É importante lembrar que sonhos eróticos nem sempre são uma expressão dos nossos desejos mais profundos e sombrios. Muitas vezes, é simplesmente o cérebro tentando tirar sentido do que experimentamos naquele dia. Filmes, personagens de um livro ou até músicas que evocam fantasias sexuais enquanto você dorme. Então, dá próxima vez que você sonhar que está se pegando com um alienígena sensual – deixa rolar. Pode não significar nada.

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Tradução do inglês por Marina Schnoor.

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