ANIMALS

Mais de 100 cães foram salvos de fazendas de carne de cachorro na Coreia do Sul. Agora eles podem ser adotados nos EUA.

Apesar de não ser mais uma prática comum, alguns coreanos mais velhos ainda comem carne de cachorro porque acreditam que isso tem benefícios para a saúde.
MS
Traduzido por Marina Schnoor
17 Julho 2020, 7:04pm
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Um cão numa jaula numa fazenda de carne de cachorro em Hongseong, Coreia do Sul, em 6 de maio de 2020. Foto: Jean Chung / HSI.

Matéria originalmente publicada pela VICE Ásia.

Mesmo não sendo mais uma prática comum, o consumo de carne de cachorro ainda é uma questão séria na Coreia do Sul. Ativistas dos direitos dos animais continuam lutando contra a prática e recentemente, um grupo conseguiu salvar mais de 100 cachorros do abate.

Ativistas do grupo Humane Society International (HSI) resgataram os animais de fazendas de carne de cachorro por todo o país, como parte de sua iniciativa para fechar essas instalações que criam cães para consumo humano. A organização estima que cerca de 2 milhões de cachorros são criados em milhares de fazendas do tipo na Coreia do Sul todo ano.

Comer carne de cachorro não é explicitamente proibido na Coreia do Sul. Coreanos de gerações mais velhas acreditam que comer carne de cachorro aumenta a estamina sexual. Alguns também comem esse tipo de carne nos “dias de carne de cachorro”, três dias durante o verão que os coreanos acreditam ser os mais quentes. Alguns acreditam que comer carne de cachorro ajuda a sobreviver ao calor. Ativistas de direitos dos animais na Coreia do Sul tipicamente fazem protestos contra consumo de carne de cachorro nesses dias, que caem em 16 de julho, 26 de julho e 15 de agosto este ano.

Segundo a HSI, 60 dos mais de 100 cães resgatados nos últimos meses vieram da mesma fazenda de carne de cachorro. Nessas fazendas, os cães são mantidos em jaulas muito pequenas, cercados de fezes de animais e lixo, e raramente passam por exames de saúde.

“A maioria dos cães passa a vida inteira em jaulas de arame, sem abrigo e cuidado veterinário adequados até serem abatidos, geralmente por choque elétrico ou enforcamento”, a HSI disse numa declaração.

O grupo já libertou mais de 2 mil cães e fechou 16 fazendas de carne de cachorro desde 2015, segundo a mídia local. Além de destruir as jaulas, os criadores também assinam um contrato de 20 anos prometendo não criar cães ou outros animais. Para ajudar essas fazendas a fechar, a HSI fornece fontes alternativas de renda para os fazendeiros de carne de cachorro.

Os mais de 100 cães resgatados este ano foram enviados para os EUA em 16 de julho, onde ficarão em abrigos de animais na Virgínia, Pensilvânia, Nova Jersey, Maryland e Nova York.

Segundo uma lista fornecida pela HSI, os cães agora podem ser adotados em várias associações de bem-estar animal, incluindo a Angels of Assisi na Virgínia e a Animal Haven em Nova York. Para adotar os cachorros, as pessoas precisam entrar em contato com os abrigos listados e entregar a documentação necessária.

Enquanto ter animais de estimação está se tornando mais popular na Coreia do Sul, a maioria das pessoas ainda prefere comprar seus pets em vez de adotar. Apenas 0,8% dos donos de animais de estimação adotaram cães abandonados em 2019, segundo o Ministério da Agricultura, Alimentos e Bem-Estar Rural coreano.

E ainda há muito trabalho a ser feito pelos direitos dos animais no país. Segundo a Agência de Quarentena de Animais e Plantas da Coreia do Sul, testes com animais aumentaram 10% de 2018 para 2019. Esses experimentos são comuns nas indústrias farmacêutica e química, e mostraram infligir dor extrema aos animais.

No começo do mês, legisladores criaram uma lei que visa resgatar animais de estimação de donos abusivos. O governo também criou o Centro Coreano para Validação de Métodos Alternativos (KoCVAM) em 2009, uma agência que visa reduzir testes com animais e encontrar métodos de teste alternativos.

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