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Ao Derrubar a Internet Por Causa do Estado Islâmico, Uso do Tor Cresce no Iraque

O governo iraquiano tenta impedir a comunicação entre o jihadistas, mas o uso de ferramentas populares na internet não para de crescer no país.
02 Julho 2014, 2:55pm

De tudo que o governo do Iraque tentou para frear o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, em inglês) que avança rapidamente, nada causou grande diminuição na pressão a Bagdá por parte do grupo militante jihadista. De acordo com um estudo do Citizen Lab da Universidade de Toronto, até o filtro à internet imposto pelo governo iraquiano para impossibilitar a comunicação do ISIS está sendo subvertido.

O Citizen Lab relata que desde o bloqueio das mídias sociais foi posto em prática no dia 13 de junho, não só mudanças de DNS (Sistema de Nomes de Domínio) e o uso do Psiphon aumentaram no Iraque, como também o Projeto Tor está a todo vapor no país, com ligações diretas crescendo de cerca de 1.000 para cerca de 10.000 em menos de cinco dias.

"Seguindo a captura de Mosul e de Tikrit", o relatório diz, "o governo do Iraque implementou restrições de acesso à internet como meio de limitar a habilidade do ISIS de se mobilizar e de comunicar sua mensagem". Muito foi feito a partir da estratégia de mídia social do ISIS – que usa o Twitter, o Instagram, o YouTube e o Facebook para se comunicar e tentar recrutar combatentes estrangeiros – e nada sugere que esses esforços online tenham desacelerado desde os blackouts.

Até o dia 16 de junho, imagens de jovens rapazes sendo executados por militantes do ISIS estavam se proliferando no Twitter. Depois disso, o Twitter baniu os usuários que espalhavam essas fotos e o governo iraquiano tentou reforçar o banimento direcionado à mídia social e ao blackout da internet em províncias que lutavam com mais força, de acordo com a empresa de inteligência Renesys.

A Renesys postou uma carta de um provedor de internet endereçada a um cliente que confirmou que oficiais do Ministério das Comunicações do Iraque ordenaram o apagão da internet em algumas regiões. Surgiram também outras cartas vazadas do governo do Iraque encorajando os provedores a impedirem o acesso à internet no país. De acordo com a Renesys, o governo iraquiano também preparou blackouts direcionados a páginas específicas em cidades ao invés de bloqueios à internet em atacado.

A carta acima diz:

Estimados clientes,
Devido a atual situação de segurança no Iraque e por instruções do Ministério de Comunicações enviadas pelo Primeiro Ministro Sr. Nori Kamel Al-Maliki, o serviço de internet será suspenso para as províncias abaixo até segundo aviso começando hoje, terça, 12/06/2014, 3:00 PM GMT+3
Ninava
Kirkuk
Salaheldin
Anbar

De acordo com o Citizen Lab, a base de usuários do Psiphon no Iraque saltou de uma baixa quantidade a mais de 700.000 usuários diários durante o período de 12 a 18 de junho, 97% do número total de usuários usando aplicativos do Psiphon para Android. É incerto quantos desses usuários são membros do ISIS alvejados pelo banimento, mas não há dúvidas de que membros do ISIS estão inclusos. Todos os combatentes com quem conversei na Síria usavam telefones para se comunicarem comigo através de serviços de bate-papo como Kik Messenger enquanto reclamavam do serviço telefônico.

Também sabemos que o ISIS tem um amor assumido por apps do Android. Por exemplo, o ISIS desenvolveu um app para Android chamado The Dawn of Glad Tidings, lançado em abril de 2014, que fazia com que contas de Twitter compartilhassem tuítes relacionados ao ISIS. No fim das contas, o app foi removido do Google Play por violar as condições de uso. Junto a isso, relatórios do Vocativ sugerindo que o ISIS instruiu combatentes a fazerem download e usar o navegador Tor quando acessarem o Twitter ou o Facebook.

O Citizen Lab disse que "relatórios de usuários localizados no Iraque" que estavam usando servidores DNS públicos do Google "não burlaram a censura, sugerindo que os pedidos do DNS estão sendo desviados". O governo turco fez a mesma coisa durante os protestos em março, quando impediram o acesso de grandes áreas à internet enquanto tentavam parar a onda de usuários do Tor acessando o Twitter.

Também não se trata só do Tor e do Psiphon. Em setembro, para dar vantagem aos jihadistas sobre agências de inteligência ocidentais, o Global Islamic Media Front produziu um software de criptografia móvel para usuários mandarem mensagens de texto criptografadas de smartphones operados por Android ou Symbian. Um anúncio online da entidade dizia que o software de criptografia foi desenvolvido internamente.

"Assim não estaremos sujeitos à vigilância deles; deste modo fecharemos as portas para não nos espionarem e não saberem dos segredos dos Mujahideen e o que os Mujahideen nos confiaram", o comunicado declara.

Traduzido por: Julia Barreiro