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Nem Tiros, Porradas e Bombas Intimidaram a Marcha das Mulheres Negras em Brasília

Dois policiais civis que estavam acampados no gramado do Congresso pedindo a volta da ditadura militar foram presos em flagrante durante a marcha por terem disparado armas de fogo.

por Thais Moreira
19 Novembro 2015, 4:54pm

Na tarde de quarta-feira (18) a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi tomada pela Marcha das Mulheres Negras contra o racismo, que reuniu cerca de 10 mil pessoas segunda a polícia, e 20 mil segundo a organização do protesto.

Embora grande parte da manifestação ter ocorrido sem maiores problemas,um grupo defensor da intervenção militar, acampando em frente ao Congresso, começou a protestar contra a marcha, causando tumulto.

Segundo a galera pró-golpe militar, membros do MST e da CUT (que estava presente na marcha) chegaram no gramado destruindo faixas do acampamento pedindo a volta da ditadura e a saída da presidente e colocando barracas. Já o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, Paulo João Estausia, alegou que a confusão começou por causa dos protestantes pró-golpe.

Segundo relato de uma das manifestantes, um homem foi visto dando um tiro em direção à marcha e depois saiu correndo em direção do acampamento pró-impeachment/intervenção militar.

Na confusão, o deputado federal e presidente da Comissão de Direitos Humanos, Paulo Pimenta, tentou conter o tumulto entre os manifestantes e levou um jato de spray de pimenta nos olhos por um policial da Polícia Militar.

O saldo da treta foi dois policiais civis presos em flagrante. Um deles, Marcelo Penha, é do Maranhão e disse ter disparado por ter se sentido ameaçado. Ele já havia sido levado à delegacia na sexta passada (13) por portar uma arma em um protesto de estudantes.

Confusões à parte, a marcha contou com a presença de figuras importantes como a cantora e compositora Leci Brandão, a escritora Conceição Evaristo, a militante Nilma Bentes e mais milhares de mulheres de diferentes estados reunidas contra o racismo e a violência. A fotógrafa Thais Macedo esteve lá e registrou alguns momentos que você pode conferir abaixo.

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