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A vacina contra o HIV está próxima?

Em fevereiro, cientistas de Cuba anunciaram avanços numa medicação que combate o vírus. O quão perto estamos da cura?

por Diogo Antonio Rodriguez
06 Março 2017, 3:34pm

wikimedia commons

No fim do mês passado, o Centro de Engenharia e Biotecnologia de Havana, em Cuba, anunciou avanços na confecção de uma vacina que combate o vírus HIV, causador da Aids. O medicamento está na fase de testes em humanos e tem se mostrado eficaz em estimular o sistema imunológico dos pacientes. Segundo os pesquisadores, o objetivo é criar um tratamento alternativo aos existentes hoje, que combatem diretamente o vírus. É hora de comemorar? Podemos dizer que a cura da Aids está próxima?

Guarde a champanhe

Infelizmente, a resposta é não. A vacina cubana funciona apenas em pacientes que já têm o HIV. Ela não serve como prevenção à contaminação. Os cientistas e médicos ainda não descobriram como criar uma resposta imunológica suficientemente eficaz para impedir que o vírus se espalhe uma vez dentro do corpo. O tratamento cubano é um avanço, sem dúvida, mas ainda estamos longe do sonho de erradicar o HIV.

Como é o tratamento atual?

Ele se baseia no chamado "coquetel", uma combinação de drogas cujo alvo é a reprodução do vírus HIV. O tratamento impede que o HIV se espalhe para novas células do corpo. Assim, os pacientes conseguem ter qualidade de vida, apesar de não se "curarem" da doença.

Por que o HIV não é curável?

Porque o vírus se integra ao DNA da pessoa infectada, adquirindo, assim, a capacidade de se reproduzir sozinho. O HIV ataca as células T, que são parte do sistema imune do corpo. Ao usá-las para a própria reprodução, o vírus causa a morte de bilhões dessas células e fragiliza a imunidade do paciente. Isso explica porque os portadores do HIV são muito suscetíveis a infecções virais e bacterianas.

O HIV será um dia curável?

Não dá para cravar que sim, mas existe o caso de Timothy Ray Brown, a única pessoa curada de HIV na história. Portador do vírus, ele estava se tratando de uma leucemia. Uma das técnicas usadas consistia em matar as células imunes e injetar medula óssea de uma pessoa não infectada pelo vírus. Brown conseguiu se livrar do vírus, que nunca mais foi acusado em seu sangue. Isso mostra que, sim, existe uma chance mínima de acabar com o HIV. O problema é que um tratamento desses não é simples de fazer e traz muitos riscos ao paciente.

O sonho não acabou

Mesmo sem a perspectiva de uma cura, há quem defenda que a chamada epidemia de HIV pode ser contida e a doença, erradicada. O principal caminho para isso seria uma estratégia que mistura prevenção (com campanhas de educação a respeito dos riscos), universalização do tratamento e investimento em novas drogas. Embora talvez nunca seja possível inibir o funcionamento do vírus, ao conseguir diminuir o número de pessoas infectadas e evitando a transmissão, seria possível acabar com a existência do HIV.

Diogo Antonio Rodriguez é jornalista e editor do meexplica.com. Na coluna Motherboard Destrincha, ele resume os assuntos mais intrincados da ciência e da tecnologia. Siga-o no Twitter.