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Entretenimento

Um resumo de todas as polêmicas cercando 'Coringa' do Joaquin Phoenix até agora

De alertas do FBI sobre violência incel até a resposta das vítimas do atentado em Aurora, o filme dirigido por Todd Phillips está tendo um lançamento conturbado.

por Josh Terry; Traduzido por Marina Schnoor
08 Outubro 2019, 10:00am

Warner Bros.

Coringa, do diretor Todd Phillips, é um dos blockbusters mais aguardados no ano, mas o filme também tem rendido muita polêmica. As primeiras avaliações foram variadas, com alguns chamando o filme de “obra-prima” e digno de Oscar, enquanto outros disseram que ele espelha demais e até simpatiza com o dilúvio de terrorismo nacionalista branco e incel. O diálogo ferveu tanto que quando pressionado para responder se Coringa poderia inspirar violência na vida real, o astro Joaquin Phoenix – que interpreta o vilão da DC Comics – entrou em pânico e saiu da entrevista com o The Telegraph.

Com a estreia do fim de semana, a nuvem de controvérsia pairando sobre o filme não mostra sinais de estar se dissipando. Semana passada, um grupo de parentes de testemunhas e vítimas do atentado de 2012 em Aurora, Colorado, onde um atirador armado com uma AR-15 matou 12 pessoas durante uma sessão de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, fez uma petição para o estúdio Warner Bros. denunciar violência armada antes do lançamento de Coringa. Implorando para que a companhia faça lobby por reforma das legislações de controle de armas, eles escreveram: “Pedimos a vocês para ser parte de um coro crescente de líderes de empresas que entendem que têm uma responsabilidade social para manter todo mundo seguro”. A carta deles veio na esteira da notícia que o cinema onde a tragédia de Aurora aconteceu não vai exibir Coringa.

A Warner Bros. divulgou uma resposta para a declaração das vítimas, mencionando que o estúdio fez doações para causas antiviolência. “Não se enganem: nem o personagem Coringa, nem o filme, é um endosso de violência na vida real de nenhum tipo. Não é intenção do filme, nem dos produtores ou do estúdio, apresentar esse personagem como um herói.” A declaração também dizia: “Violência com armas de fogo é uma questão crítica da nossa sociedade, e estendemos nossa mais profunda simpatia para todas as vítimas e famílias impactadas por essas tragédias”. O estúdio também prometeu se juntar “a outros líderes da indústria para exigir que legisladores abordem essa epidemia”.

Mas numa notícia ainda pior para o filme, o FBI e o exército americano alertaram que violência incel e extremista pode ocorrer quando o longa chegar aos cinemas. Dois memorandos descobertos pelo io9 do Gizmodo alertavam membros das agências de ameaças críveis de incels durante sessões do filme. Os destinatários dos e-mails eram aconselhados a “se manter conscientes dos arredores” e “identificar ao menos duas rotas de fuga” nas salas de cinema. Outro e-mail do exército detalhava que autoridades do Texas tinha descoberto “conversas perturbadoras e muito específicas” na “dark web” sobre “atacar um cinema desconhecido durante o lançamento”.

Até o momento a Warner Bros não falou nada sobre esses alertas.

Atualização: Em uma entrevista com The Wrap na semana passada, o diretor Todd Phillips respondeu as críticas ao filme. Ele disse: “A ideia não foi 'Queremos glorificar esse comportamento'. Foi literalmente 'Vamos fazer um filme com um orçamento real chamado Coringa'. Só isso”. Mais tarde na entrevista, ele colocou a culpa da polêmica na “extrema esquerda”, dizendo: “Acho que isso aconteceu porque ultraje é uma commodity, acho que é uma commodity há tempos. O que mais se destaca pra mim nesse discurso é o quão fácil a extrema-esquerda pode soar como a extrema-direita quando isso se adequa à sua agenda. Isso realmente abriu meus olhos”.

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