Publicidade
Notícias

PM pede afastamento por sofrer ameaças homofóbicas após vazamento de vídeo

Após a divulgação de um vídeo em que beija um homem no metrô, Leandro Prior pediu afastamento da PM e está internado em clínica de repouso. A corporação está apurando as ameaças.

por Amanda Cavalcanti
03 Julho 2018, 3:53pm

Imagens: reprodução do YouTube

O soldado da Polícia Militar de São Paulo Leandro Prior pediu afastamento médico da corporação na última sexta-feira (29), após sofrer ameaças homofóbicas por causa da divulgação de um vídeo em que, fardado, beija um homem no metrô, o G1 reporta.

A autoria do vídeo não é conhecida, mas ele foi amplamente compartilhado nas redes sociais e recebeu comentários homofóbicos como “falta de respeito com sua farda, menos ainda com o juramento da bandeira” e “bicha sem vergonha, imoral, não respeita o código de conduta moral da PM.” Segundo Leandro, porém, essas demonstrações de preconceito não são as reações mais preocupantes que o vídeo despertou: o PM relatou ao G1 que estaria recebendo ameaças de morte.

No momento, o policial encontra-se internado num hospital psiquiátrico até o dia 11 de julho, quando deve voltar ao trabalho, segundo seu advogado José Beraldo. À VICE, por telefone, Beraldo diz que já foram registrados dois boletins de ocorrência em respeito ao caso: um por crime cibernético e um por homofobia, na especializada Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância em São Paulo. “Já estamos tomando todas as medidas judiciais, e estamos ingressando também com medidas cíveis e criminais contra honra, por ameaça e constrangimento. Estamos, também, pedindo a proteção do PM junto à polícia”, diz o advogado.

Quanto ao trabalho de Prior na polícia, Beraldo garante: “[Prior] é um policial muito honrado, um homem de bem. Ele é gay, mas é excelente policial. Na marinha, no exército, na aeronáutica tem gays que sempre desenvolveram um excelente papel, fizeram um excelente trabalho. São pessoas que tem que ser respeitadas acima de tudo.”

Em nota enviada ao G1, a Polícia Militar informou que o soldado está afastado porque foi encaminhado para tratamento de saúde pelo serviço médico da instituição. Acrescentaram, ainda, que as ameaças “com conotação homofóbica” feitas a Prior pelas redes sociais estão sendo apuradas. Sobre uma suposta punição que seria dada ao PM, a corporação afirma que “a conduta do PM fardado no Metrô captada em vídeo será apurada única e exclusivamente sob o aspecto administrativo, pois demonstra postura incompatível com os procedimentos de segurança que se espera de um policial fardado e armado, que exigem que esteja alerta.”

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.