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A Creche é a menor treta, vish!

Com humor visceral e entrada no time da Läjä Records, a melhor banda jovem de hardcore punk de São Paulo lança seu primeiro álbum — ‘Menor Treta’.

por Eduardo Ribeiro
03 Agosto 2018, 10:00am

A Creche;. Foto: Divulgação

Numa claríssima alusão ao Minor Threat e à capa do clássico disco que compila seus dois EPs de estreia, o pessoal da banda A Creche lança Menor Treta, primeiro álbum de verdade da carreira. Antes, o grupo havia lançado somente o EP Geração Zero. “Conseguimos enganar o chefão do underground podre, Mozine, então vamos sair pela Läjä”, festeja o guitarrista César Passa-Mal. “A coisa mais benéfica que o selo traz é com certeza a exposição e divulgação da banda para pessoas e lugares que dificilmente conseguiríamos chegar sozinhos.”

A criança que aparece imitando a pose de Alec, irmão do vocalista da banda de Washington D.C. Ian MacKaye, na imagem da capa d'A Creche, é também irmã da vocalista Letícia, o que fecha toda uma ideia referencial de comunicação. “Esperamos que ela não nos processe quando crescer e perceber a enrascada em que se meteu”, diz César.

O som do EP é do mais alto nível de hardcore punk rápido, energético e divertido. Em geral, as bases e melodias são autênticas e cativantes, sobretudo pelo encaixe das linhas de voz e o senso de humor das letras, que despretensiosamente acabam calhando em verdadeiras críticas comportamentais.

Uma das poucas letras mais contundentes é “Topetes e Máscaras”, que fala sobre uma fita real acontecida no show de uma bem conhecida e antiga banda psychobilly de São Paulo, a Kães Vadios, em 2017. Segundo Letícia, o vocalista da tal banda teria dito algo como: “Essa música é pra quem sempre quis espancar a namoradinha”. “Aí o caldo engrossou”, comenta ela. “Quando foi cobrado pelas palavras, se fez de tonto, e, depois, na internet, ficou se defendendo junto de amigos, dizendo que era tudo brincadeira, coisa de filme de terror, etc. Um baita babaca com B maiúsculo.”

As 17 faixas de Menor Treta contam com uma produção que valoriza todos os instrumentos, além da voz. Isto foi importante para que o quarteto se sentisse satisfeito com o resultado. “Rapaz, a gente ficou feliz demais com essa gravação. O Caio Monfort (que também gravou nosso primeiro EP) tá sacando cada vez mais o som que curtimos, coitado dele!”, exclama o guitarrista. “E, com certeza, a ideia é deixar sempre todos os instrumentos bem pesados e bem audíveis, sem nenhum se sobressair demais. Mesmo que isso revele uns erros... a nossa proposta é soar como uma banda ao vivo bem gravada”.

Depois de conquistar o objetivo da gravação ideal, a próxima grande meta d’A Creche é sobreviver até setembro para tocar no Läjä Festival. “A gente tá muito ansioso pra esse show!”, assume César. “Se ninguém morrer depois dele, acho que o que mais queremos é realmente tocar bastante e divulgar nosso trampo. Não temos objetivos megalomaníacos, só queremos beber, tocar, viajar e conhecer muita banda e gente doida por aí”.

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