Sexo

Perdi metade do meu pênis para o câncer. É assim que faço sexo

“A primeira coisa que notei foi uma falta total de sensação.”
Traduzido por Marina Schnoor
09 Março 2020, 10:00am
sex after penile amputation cancer
Ilustração por Cathryn Virginia.

Nem todo homem nasce com pênis. E o pênis não é o centro da identidade de gênero ou da vida sexual de todo homem. Muitos homens conseguem tanto prazer, até mais, com estimulação da próstata ou outras zonas erógenas muitas vezes negligenciadas quanto conseguiriam com o pênis, então o foco de suas atividades sexuais é ali. Alguns homens até escolhem ter o pênis removido, não como parte da transição para sua identidade de gênero, mas porque não estão confortáveis com seu membro, em vez disso focando em outras partes do seu corpo e mente como local de sua identidade masculina e prazer erótico.

Mas para a maioria dos homens nascidos com pênis, esse órgão é praticamente tudo – não só o centro de suas experiências sexuais, mas onde fica muito de seu senso de eu e autoestima. Então, naturalmente, quando esses homens perdem parte ou todo o pênis por coisas como câncer ou acidentes, pode ser algo devastador.

Amputados penianos frequentemente relatam sentir ansiedade e depressão severas, geralmente ligadas a um senso de emasculação ou preocupações com sua capacidade de ser sexual, e até de formar e manter relacionamentos íntimos. Segundo alguns estudos limitados sobre amputações parciais, apenas metade deles ainda conseguem ter ereção. Mas como parte de um pênis muitas vezes não tem as partes mais sensíveis da genitália biológica masculina – o prepúcio, frênulo e glande – eles raramente sentem prazer durante o sexo penetrativo e muitas vezes não conseguem manter ereções por mais de alguns minutos sem ajuda médica. Eles também não conseguem muito do sexo oral, seja flácido ou ereto, e nenhum dos outros tipos de estimulação peniana. A habilidade de fazer sexo de qualquer tipo focado no pênis do jeito como eles estavam acostumados leva muitos amputados parciais, mesmo com amputações menores, a sofrer com, e até desistir do, sexo.

Raramente ouvimos falar sobre esses problemas, em parte porque amputações penianas são relativamente incomuns. A maioria das amputações do tipo são resultado de câncer peniano, uma doença rara que atinge cerca de 2 mil homens nos EUA todo ano, e que a medicina está avançado para tratar sem recorrer a cirurgias grandes. (Sintomas de câncer peniano incluem dores ou marcas no pênis que não se curam ou desaparecem depois de algumas semanas, sangramento peniano inexplicável, corrimentos, tecido engrossando ou endurecendo, dificuldade de puxar o prepúcio quando a pessoa não é circuncidada, e mudanças na cor do pênis. A condição é mais comum em homens acima de 40 anos.) Alguns resultam de trauma físico – ferimentos que cortam ou arrancam o pênis que tornam muito difícil para médicos religarem o membro, ou depois o homem não encontrar o pênis para ser religado.

(Mesmo religamentos de sucesso nem sempre restauram totalmente as funções ou sensações penianas.) Um ou dois resultam de estrangulamento peniano, quando algum objeto corta o fluxo de sangue para o pênis até o ponto que o tecido necrosa e basicamente morre, ou casos graves de priapismo, ereções dolorosas que duram mais de quatro horas, que podem levar a necrose do tecido. E apesar disso não ser comum nos EUA, em certos países, circuncisões rituais muitas vezes são realizadas com instrumentos não-higienizados ou por praticantes inexperientes ou descuidados, e esse processo também pode levar a uma amputação peniana.

Também raramente ouvimos sobre a vida dos amputados penianos, já que muitos veem suas doenças ou ferimentos como algo muito tabu ou desconfortável para se pensar. E as poucas discussões públicas que surgem acabam focando nos supostos benefícios de cirurgia reconstrutiva. Faloplastia, desenvolvida por um médico russo usando cartilagem das costelas em 1936, muitas vezes envolve esticar o que restou da uretra e usar nervos, pele, vasos sanguíneos e músculos do braço ou coxa da pessoa para criar um novo falo, muitas vezes acrescentando uma estrutura de bomba interna que permite que a pessoa crie ereções artificialmente. Mas nem todo amputado peniano é candidato para cirurgia reconstrutiva. E a maioria das pessoas com esses novos pênis relatam complicações com cicatrizes uretrais e outros tipos de danos a tecidos, além de não ficarem satisfeitas com a aparência deles. Muitos reganham apenas sensação parcial em seu pênis reconstruído; outros não ganham nenhuma. Então esse procedimento não é a solução universal e total que muitas pessoas esperam ou acreditam que seja. Transplantes penianos totais, outra solução com muito hype para amputados penianos, ainda são raros e podem envolver outras complicações.

Recentemente, algumas pessoas começaram a falar sobre a condição na mídia, em sites como o Reddit e em fóruns privados, compartilhando suas experiências com amputação peniana. A história deles ajuda outros amputados a se sentir menos isolados, e dá a eles algum apoio e conselhos para lidar com a ansiedade, e navegar o sexo e relacionamentos. Alguns fornecem conselhos úteis e detalhados sobre como explorar estimulação de próstata e escroto, entre outras formas de atividade sexual não-penetrativa, encontrar zonas sensíveis perto de cicatrizes cirúrgicas, e comunicar sua condição e necessidades para o parceiro.

Mas poucas dessas histórias e conselhos capturam a dinâmica da vida depois de uma amputação peniana dos dois lados de um relacionamento. A VICE falou recentemente com Ellis, um homem que teve metade do pênis amputado em 2017 para tratar câncer peniano, e sua esposa Anne para discutir exatamente isso. (Ambos pediram para usar pseudônimos devido ao estigma que ainda cerca amputação peniana.) A experiência de cada casal em reconstruir sua vida sexual depois de uma amputação peniana é única, então a história de Ellis e Anne não é definitiva e universal. Mas é um vislumbre honesto e detalhado de quão profundamente uma amputação pode chacoalhar as fundações da vida sexual de muitos casais – e como eles podem encontrar maneiras de manter intimidade física e emocional depois do procedimento.

Ellis: Anne e eu nos conhecemos em 1992. Eu tinha 16 e ela tinha 21. Nunca tínhamos tido parceiros sexuais antes. Mas logo no começo, éramos muito ativos e aventureiros sexualmente. Eu ia escondido pra casa dela no caminho pra escola de manhã para uma rapidinha. Quando me formei no ensino médio, a gente frequentava festas e fazíamos sexo ao ar livre.

Anne: Transamos num lava-jato.

Ellis: Sim. Acabamos tendo filhos quando eu tinha 20 anos.

Anne: Mas continuamos nos aventurando bastante depois disso.

Ellis: A coisa começou a desacelerar um pouco, mas isso acontece.

Aí, durante uma viagem de férias na Escócia em dezembro de 2016, estávamos transando quando senti uma dor forte no pênis. Depois disso, um pequeno ponto apareceu na cabeça do meu pênis.

Anne: Uma marca vermelha.

Ellis: Tinha uns 0,20 centímetro de diâmetro. Em janeiro, a mancha tinha aumentado para 1,20 centímetro. No meio de fevereiro, ela tinha quase 2,5 centímetros. Meu clínico geral disse que achava que era candidíase, então me receitou remédios pra isso. Mas não melhorou. As coisas estavam piorando rapidamente. Finalmente procurei meu clínico geral de novo e ele conseguiu uma consulta de emergência com um urologista. Ele deu uma olhada e acho que soube logo de cara o que era. Fui levado às pressas para fazer biópsia. O resultado saiu em três dias e ele disse “Você tem carcinoma de células escamosas da pele”. Eles achavam que podia acontecer uma metástase para os nódulos linfáticos.

Nos deram duas opções: uma era penectomia [remoção de parte ou de todo o pênis]. Outra era [um procedimento experimental que poderia preservar mais do tecido peniano, mas] não havia garantias [de que isso removeria todo o câncer]. Eu sustento nossa família. Minha esposa não trabalha há 15 anos por uma doença pulmonar. Pensar em deixá-la sozinha e sem nada foi o que me fez decidir passar por uma cirurgia para preservar a vida, em vez de uma para preservar a qualidade de vida. Pensei “Vamos dar uma chance, talvez seja uma remoção mínima”.

Anne: Bom, a outra opção parecia muito dolorosa e estranha, além de experimental.

Ellis: O urologista viajou por uma semana. Mas assim que ele voltou... passei pela cirurgia na mesma noite às 19h, e o procedimento terminou por volta das 21h.

Anne: Acho que não tivemos muito tempo para digerir o que estava acontecendo. Eu sabia que a vida mudaria depois da cirurgia mas... nem pensei nas repercussões, porque ouvimos a palavra câncer e ficamos preocupados com a vida dele. E o médico não sabia quanto seria preciso remover.

Quando ele estava para entrar na sala de operação, perguntei ao médico “Ele vai passar a noite no hospital?” O médico disse “Não, os pacientes geralmente não ficam internados pra isso. Se corta um dedo fora, você não passa a noite no hospital”. E fiquei pensado “Olha, tem muita diferença entre isso e cortar um dedo”. Não acreditei que ele fez essa comparação. Ellis acabou ficando internado naquela noite porque os médicos não sabiam como ele reagiria à anestesia. Mas fiquei pensando “Você comparou mesmo isso a um dedo?”

Ellis: Acabei perdendo metade do pênis.

Como não era circuncidado, eu tinha alguma pele extra que o médico conseguiu usar para me dar uma pequena reconstrução. Sendo parte de um grupo de homens muito masculinos que frequenta vestiários, ter que ficar nu era uma ideia muito difícil. O urologista até disse: “Vou te deixar pronto para o vestiário”. Ele pensar assim – foi algo bom pra mim.

Depois da cirurgia, veio a recuperação.

Anne: Mas foi muito dolorosa.

Ellis: O cateter provavelmente foi a parte mais dolorosa. Depois que ele foi removido, visitei um oncologista – especialista em nódulos linfáticos – e eles escolheram fazer uma dissecção dupla de linfonodos. Essa cirurgia foi igualmente ruim. Eles colocaram agulhas na ponta do meu pênis, onde ficava o tumor – nas glândulas e na uretra – e levaram elas até os nódulos linfáticos [para ver se havia células cancerígenas]. O exame deu negativo. Depois de me recuperar disso, me liberaram para recomeçar as atividades sexuais.

A primeira coisa que notei foi uma falta total de sensação. Acho que a cabeça do pênis é a parte mais sensível – essa foi a parte mais difícil de entender. Sempre me foquei muito no pênis na minha sexualidade, incluindo na masturbação. E masturbação aliviava muito meu estresse quando algo acontecia no trabalho ou algo assim – aquele fluxo de endorfina no chuveiro e tal. Agora isso é algo que não tenho. É algo que não tenho há três anos.

Anne: Em se tratando de excitação e sentir algo próximo do orgasmo, acho que ele não tem nada disso.

Ellis: Ficar e continuar duro é muito difícil também [sem qualquer sensação aos estímulos]. No passado, eu conseguia continuar por meia hora direto às vezes. Agora, tenho sorte se consigo três ou quatro minutos.

Anne: O médico receitou Viagra para ajudar. E funciona, mas tem efeitos colaterais: dores nas costas e dores de cabeça. No dia seguinte, ele sempre tem problemas. Então se podemos fazer algo mais natural – sim, uma rapidinha é uma rapidinha [mas é preferível que os efeitos colaterais]. Ellis gosta de peitos. Ele adora meus peitos. Então digo pra ele “Toque os meus peitos! Sei que você vai conseguir ficar duro por mais tempo, mesmo que por um minuto”. Isso funciona alguns dias e outros dias não. Também fomos até uma sex shop procurando algo que ajudasse a manter a ereção por mais tempo – e encontramos. Colocar e tirar isso – ele não gosta muito, Mas ajuda. Você encontra soluções.

Já conversamos sobre fazer uma cirurgia para melhorar isso.

Ellis: Uma opção que o urologista sugeriu é uma bomba peniana que você instala para inflar e ajudar com as ereções. Mas ainda não será a mesma sensação. Então foi só uma conversa mesmo.

Anne: Quando discutimos isso, a primeira coisa que pensei foi: “Se ele não vai ter mais sensação com isso, não vale a pena ter que passar por outra cirurgia. Não é justo”.

Alguns dias estamos os dois no lugar certo. Em outros, o sexo não funciona mesmo. Tivemos que nos ajustar e ficar contentes com o que temos, quando temos. O que é bem difícil. Acho que mais difícil pra ele.

Ellis: Mesmo fazendo sexo com a Anne... Sabe, estou tentando estar lá por ela. Mas se você se move do jeito errado, nem sabe mais se ainda está dentro. Nos piores casos, é só passar pelos movimentos. Mas você não sabe se eles estão funcionando.

Anne: Ele já se sentiu mal com isso. Mas sempre digo “Você não pode se sentir mal. Você precisa tirar disso o que puder. E se vamos ser o rei e a rainha das rapidinhas por enquanto, então é isso que somos”.

Pra mim, uma das coisas que mudou muito foi o sexo oral. Eu gostava de fazer nele. Mas agora... é inútil? Porque ele não sente o mesmo que sentia. Não há sensação.

Seis meses depois da penectomia, numa consulta de acompanhamento, o médico disse: “Sua sensação peniana pode voltar. Ou pode não voltar”. Então há alguma esperança.

Ellis: Ele disse que isso nunca vai voltar a ser o que era – mas que posso reganhar algum tipo de sensação. Mas a única sensação que recuperei foi uma dor forte. Essa é uma das coisas que preocupam a Anne quando tentamos fazer sexo – que haja alguma dor.

Anne: Não sei se o médico só queria nos dar alguma esperança.

Ellis: Não é como se o nervo fosse milagrosamente crescer de novo e um dia você vai ter a sensação. Saber que isso nunca vai voltar... Isso te afeta.

Anne: Quando ele percebeu que não estava reganhando a sensação, ele passou por uma fase de muita raiva. É justo, você tem esse direito. Mas falar sobre isso era muito difícil pra ele. Ele pode me contar as coisas. Mas não sei se realmente... Não sou homem. Quero entender, mas não consigo totalmente. Lembro que ele passou por todas essas emoções e depressão. Era um pouco difícil conviver com ele. Mas tenho que ser compreensiva, claro, porque ele estava passando por algo que não pode controlar.

Ellis: O sistema de saúde falhou no lado mental do acompanhamento. Não me forneceram ajuda psicológica. Encontrei um fórum sobre câncer peniano. Mas tive que me separar disso, porque leio todas essas histórias e elas são exatamente iguais à minha. Aí você percebe que as postagens têm três ou quatro anos, e agora essas pessoas não estão mais ali. Estou aqui no meu terceiro ano.

Vou passar por uma cirurgia de acompanhamento nos próximos meses para refazer partes da operação. O que significa que vou perder ainda mais do meu pênis. Então penso “Vou passar por uma cirurgia atrás da outra, e eles vão continuar cortando e cortando?” – é difícil.

Anne: Alguns caras falam sobre como as esposas os deixaram e coisas assim. E Ellis se preocupa que isso aconteça. Sempre digo: “Não vou embora. Estou aqui. Vou estar aqui pra você”. Falamos sobre fazer terapia. Mas escolhemos não fazer. Pensando agora, talvez tivesse sido bom. Mas eu não saberia como começar a procurar alguém pra isso.

Ellis: Não encontrei muita ajuda sobre como navegar o sexo nessa situação na internet também. Muitas histórias vêm de pessoas mais velhas, e sexo não é uma ocorrência tão regular pra eles. Algumas pessoas disseram que estimular manualmente as parceiras já é o suficiente pra eles. Tentei integrar isso no nosso relacionamento. Infelizmente, a Anne sente muitas cócegas e chegamos num ponto onde estou excitado fazendo coisas com ela e ela diz “Espere, pare, pare”. Quando ela diz isso, acaba com qualquer coisa que consegui construir. Posso ficar bastante excitado, mas se ela me pede pra parar – é game over. Voltar ao ponto é quase impossível.

Anne: Tivemos que aprender a nos comunicar de maneira diferente. Quando você tem 20 e poucos anos, o sexo vem naturalmente. Agora dizemos tipo, “OK, o que está acontecendo?” E ainda é um processo em andamento.

Ellis: Não encontrei nenhuma parte do meu corpo que me dá o mesmo prazer que eu sentia com o pênis [como algumas pessoas conseguem]. Mas ainda estamos num estágio de exploração. Só da Anne ser mais aberta com o sexo me traz prazer agora. Ela não dizia muito sobre isso antes.

Anne: Não costumo iniciar as coisas.

Ellis: Sim. Mas isso foi algo que mudou agora. Volto pra casa do trabalho e ela me mostra os peitos. O que ajuda. Ela tem feito coisas fora de sua zona de conforto nesse sentido.

A necessidade de ter contato físico [sexual] me faz seguir em frente. Para a Anne, isso é menos importante. Carinho e coisas assim provavelmente são o suficiente pra ela.

Mas temos nossos desafios nessa área também, por causa da condição da Anne. Ela tem uma cama médica e eu tenho uma cama de solteiro, então ficar de conchinha – chamamos isso de deitar sobre o Grand Canyon.

Anne: Mas ainda tentamos, porque humanos precisam de conexão. Pode não ser algo tão regular quanto foi um dia. Pode não ser a mesma coisa. Mas ainda conseguimos nos conectar.

Se o Ellis dissesse “Não quero mais fazer sexo”, eu ficaria um pouco desapontada, com certeza. Mas eu diria “Entendo por quê. É sua questão médica. Não vou te pressionar”. Mas como ele diz “Ainda quero tentar”, fico feliz em tentar. O fato dele não tirar mais tanto disso quanto eu me deixa triste. Me faz sentir um pouco culpada. Mas a conexão é muito importante.

Ellis: Eu gostaria dizer que as coisas estão melhorando. Mas não vejo elas melhorando. Então continuamos o que estamos fazendo. E esperamos chegar a uma idade onde o sexo não é mais tão importante.

E encontrei outras coisas [onde colocar minha energia e de onde tirar conforto]. Sou louco por velocidade. Compramos um carro esporte para passear juntos. É um ponto de conexão pra nós. Vamos dar uma volta por estradas vazias e nos divertir um pouco com o carro. Isso substituiu parte do alívio de estresse [que eu tinha com sexo e masturbação], porque posso entrar no carro, pisar no acelerador, e sentir adrenalina. E ela gosta de passear comigo, e às vezes até pega o voltante para se divertir também. Isso é o que podemos fazer, encontrar outros jeitos de nos conectar.

Matéria originalmente publicada pela VICE EUA.

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