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Mais feminista que eu?

Um ranking dos maiores esquerdomachos do Brasil.

Todo mundo conhece um esquerdomacho. Eles estão em todos os lugares, espalhando a palavra do poliamor (exceto se a namorada dele quiser pegar outras pessoas), colocando flores na barba e afirmando saber mais sobre feminismo do que todas as mulheres do mundo. Como um pavão se exibindo durante o ritual de acasalamento, o esquerdomacho parece ter opinião para tudo e se acha um ser evoluído, mas é só dar uma intimada mais pesada que logo essa espécime perde as estribeiras te chamando de louca ou de burra.

São caras que se dizem tão progressistas e solidários às causas da minorias que é impossível eles serem preconceituosos ou machistas. E ai de você, mulher, que ousa dizer para o esquerdomacho que ele está sendo sexista. Um absurdo. São homens que até passam como gente fina à primeira vista, mas não sabem se camuflar. É só abrir o Facebook dele e contar quantas vezes por semana ele se dedica a ensinar para nós, pobres mulheres, sobre o feminismo. Se passar de duas vezes, pode ter certeza que esse ser só fala sobre isso pra comer mina.

Recentemente, o ator José Mayer passou um tempão assediando uma colega de trabalho e, ao ser repreendido, chamou a mesma de "vaca". Depois, pediu desculpas públicas e foi parabenizado por colegas de profissão por ter feito, hm, o mínimo. Diante dessas situações vergonhosas em profusão, nós, jornalistas mulheres da VICE Brasil, resolvemos rankear alguns dos símbolos brasileiros do movimento esquerdomacho — que nada acrescentam à luta das mulheres, mas adoram ganhar um holofotezinho.

Crédito: reprodução/ Facebook

1° LUGAR: Dado Dolabella

Em 2008, o ator Dado Dolabella agrediu sua então namorada, Luana Piovani. Tempos depois, ressurgiu das trevas renovado, militando pelo veganismo e pelo feminismo no Facebook. Mais conspiratório que o menino filósofo do Acre, Dado explicou que era feminista, e não mulherista. "No meu ponto de vista, mulherista defende direito de mulheres. Feministas defendem fêmeas de todas as espécies", publicou, afirmando que mulheres que comem carne não podem ser consideradas feministas. Confrontado pelas próprias na rede social, o ator, indignado com a falta de resiliência alheia, questionou: "Mais feminista que eu?". Não, Dado. Você é o nosso Deus do feminismo. Nós te idolatramos e ficaremos bem caladinhas enquanto você nos ensina tudo sobre o assunto. Amém.

Crédito: reprodução/ Twitter

2° LUGAR: Xico Sá

O jornalista & escritor tem a validação de uma galerinha meio metida a besta — que acha a Mercearia São Pedro o melhor rolê literário do Brasil — para falar uma penca de besteira. Por ser parte dessa velha guarda que acha engraçadinho ouvir essas besteiras, Xico Sá faz muita mulher desejar estar morta ao ler seus textos sobre como homem não sabe diferenciar celulite de estrias ou sobre qual é a melhor cantada pra pegar mulher. Você está gordinha? Não se preocupe, Xico Sá acha que você está ótima. Você tem celulite? Não há o que temer, Xico Sá te comeria mesmo assim. Ainda bem que Xico Sá quer nos comer, senão jamais seríamos completas nesse universo. Típico homem que se diz um profundo conhecedor de mulheres, mas no fundo mesmo acredita que a motivação única de todas nós é agradar homem. Aquele cara que se diz interessado no que mulheres querem dizer, exceto quando ela quer abrir a boca para falar de coisas mais importantes e/ou discordar do que ELE acha sobre o que é ser mulher. Embora inofensivo, Xico é aquele cara que abre o precedente do esquerdomacho que paga de sensível, mas na verdade só tá se fazendo de amigo porque quer te papar.

Crédito: reprodução/ Twitter

3° LUGAR: Gregorio Duvivier 

O ator chega até ser venerado na província do Rio de Janeiro pela nata progressista moradora da zona sul, mas não consegue convencer quem é mais ligeiro das ideias. Duvivier é aquele cara que cola de papete & ukulele no rolê, fala cinco frases insanamente óbvias sobre feminismo ("o machismo está cada vez mais babaca"), crise política e aquela vez que fumou um baseado na Urca, cortando a transa de todo mundo. O cara parece ser uma espécie de símbolo da esquerda sem consciência de classe e vira e mexe acaba conseguindo viralizar seus textos enfadonhos nas redes sociais falando coisas óbvias sobre feminismo. Como o mundo é um lugar de merda, as obviedades de Gregorio são levadas muito em consideração, como se ele mesmo fosse o inventor da roda e padroeiro das questões feministas. O ápice da existência de Gregorio, fora ser protagonista de um dos filmes mais chatos do cinema brasileiro, foi seu "desabafo" sobre o finado namoro com a manic pixie dream girl brasileira Clarice Falcão. A dica aqui é: evitem, mulheres, vocês são mais inteligentes do que isso pra pagarem pau pra esse brother.

4° LUGAR: Marcelo Rubens Paiva 

O escritor — do sempre citado Feliz Ano Velho — costuma lançar livros cujos títulos falam por si só. Ainda assim, li Malu de Bicicleta e O Homem que Conhecia as Mulheres. Dois dos títulos feitos-pra-pegar-mulher e encher as páginas com sua narrativa "sacana" cheia de referências às curvas femininas, pegar novinhas e gatas que usam camiseta branca sem sutiã. O nosso pícaro até tenta pagar de grande entendedor das mulheres, mas já saiu com pepitas do tipo: "Brasileiro não é machista, só é bobão com mulher", na época do lançamento da comédia cheia de lugar comum sobre a conversa de homens na mesa de bar "E aí, comeu?". Para além do seu trabalho como escritor, o esquerdomacho frequentador da Merça derrapa também nas redes.

5º LUGAR: Caio Blat

Parece que José Mayer, o cão arrependido, encontrou seu personal passador de pano. Durante entrevista, o também ator Caio Blat – que, apesar de ser casado com uma feminista, parece não ter feito a lição de casa – defendeu o sujeito, considerou o abuso uma "brincadeira fora do tom" e brindou quão brilhante foi o pedido de desculpas do veterano, que, pressionado, confessou o assédio com uma cartinha de mea culpa. Como se esse chorume não fosse suficiente, Caio Blat disse que Mayer é inofensivo e a Globo não deveria tê-lo suspendido. A cereja do bolo foi comentar sobre a própria companheira, a escritora e atriz Maria Ribeiro, relatando os casos de assédio sofridos por ela e dando a entender que isso é normalzão. "Ainda faz parte da nossa cultura", falou. No Twitter, Maria não segurou o B.O. do marido e publicou que estava "100% do lado das minas" e da figurinista assediada por Zé Mayer.

Foto: Pedro Ladeira/ Reprodução/ Facebook

6º LUGAR: Fábio Chap

Usa chapéu misterioso
Faz textão capcioso
Grande colunista do Quebrando o tabu
Onde
Paga de ativistão
Inteligentão
Polemicão
Escrevendo putaria ruim no facebook
Poesia-bosta
Também é feministão
Manjador das causas das mulheres
Acha que toda mulher precisa aprender com
Ele
Mas ai daquela que falar que Fábio Chapas
está erradão
Desconstruidão
Repete mil vezes que é transão
Mas deve transar chatão
E mesmo todo mundo
Podendo ler o nome no Facebook
Ele
Assina
Todos
Os textões
Desse jeito:

**

[fábio chap]

Crédito: reprodução/ Twitter

7° LUGAR: Felipe Neto

Lembra do Felipe Neto quando ele surgiu com seus vídeos amargos lá em 2010, que consistiam em dez pra mais minutos dele falando mal de qual fosse a nova tendência entre os pré-adolescentes da época? Pois bem, digamos que a lagarta virou borboleta, e hoje o youtuber pertence à mais comum e irritante espécie de esquerdomacho: o homem que mudou! Ele mesmo, o famoso desconstruído. Hoje, o Felipe Neto, que tanto se dispôs a fazer tweets e vídeos incansavelmente depreciando mulheres e feminismo, hoje faz textões pedindo desculpas e assumiu o posto de paladino da justiça, apontando machismo nas mais diversas situações (como ele fez no caso de assédio do Biel), inclusive – quem diria! – o cometido por mulheres. Que coisa, né?

Crédito: reprodução/ Twitter

Crédito: reprodução/ Twitter

8° LUGAR: Esteban Tavares 

Muitas meninas emo ao redor do Brasil tiveram sua adolescência despedaçada ao conferir os tweets e declarações recentes do Rodrigo Tavares, ou Esteban Tavares, ex-baixista da Fresno. O típico endossador do discurso-feminista-pra-comer-mina, o músico é o primeiro a apontar falas ou atitudes machistas, principalmente com representantes de um discurso político diferente do dele, como com o Lobão. Quando a situação se inverte, porém, e o alvo de críticas se tornam mulheres de direita, ele não mede palavras pra cometer o erro que ele mesmo condenou e "qualificá-las" – como fez com a Janaína Paschoal, a chamando de "puta louca".

Crédito: reprodução/ Twitter

9° LUGAR: José Abreu

Além de ser militante do PT e ator global senior, Zé de Abreu tem um fascínio em desconstruir sua timeline. Todo dia é uma esquerdada diferente em seu Twitter, onde assumiu ser bissexual, trocou farpas com políticos, xingou de volta seus haters e se defendeu depois de dar uma cusparada em um casal que o chamou de sanguessuga de Lei Rouanet num restaurante japonês. A novidade é que Zé aproveitou a onda do momento para dar aquela lacrada e questionar os colegas de profissão que andam num rolê errado. "Caio [Blat] está falando merda de novo? Daqui a pouco se arrepende e pede desculpas", publicou hoje – e acabou virando notícia internet afora. A galera do Twitter não perdoou e passou o dia xingando o ator de inúmeros impropérios, que, provavelmente se autoadjetivando, usava sempre uma mesma palavra: "feminista!".

10º LUGAR: Jean Wyllys 

Vira e mexe o deputado federal do PSOL causa um frisson ou outro com as feministas porque se sente na obrigação de emitir opinião sobre qualquer coisa do universo. Somando com a falta de jogo de cintura político e posicionamentos algumas vezes meia-bomba, Jean acaba encaixando naquele rótulo de militante mala e arrogante que se acha melhor do que qualquer pessoa. Não aceita críticas, não quer ouvir e acaba sendo agressivo com todo mundo que está no mesmo lado que ele. Embora seja titular de projetos de lei interessantes na Câmara, virou meio que aquele cara que grita muito e ninguém quer ouvir. Ainda assim, dá pra deixar passar, já que foi um dos poucos que fez o que muita gente sonha (cuspir no Bolsonaro).

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