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O festival Radioca continua eclético, afro e lindo

A terceira edição do evento em Salvador teve um aguardado Rincon Sapiência, Far from Alaska quebrando tudo, guitarrada progressiva, jazz e muito Brasil.

por Fernando Gomes; fotos por Felipe Larozza
11 Outubro 2017, 8:31pm

Rincon Sapiência fechando a primeira noite do Radioca. Foto: Felipe Larozza/VICE.

Apostando na riqueza musical do Brasil, o festival Radioca chegou à sua terceira edição firmando-se como uma boa vitrine do que tem rolado de bom nos palcos das diversas regiões do país. Realizado em Salvador nos dias 7 e 8 de outubro, o Radioca cumpriu bem a função de provocar o público unindo artistas de vertentes bem diferentes como a violeira de Raymundo Sodré e o jazz virtuoso da Quartabê.

Assim como na edição anterior, os shows de abertura ficaram na responsa de artistas baianos que estão se destacando no cenário local e esse ano a missão foi muito bem cumprida por Jadsa Castro e Livia Nery, que cresceu bastante estreando seu show com banda no festival. Pio Lobato veio do Pará com sua guitarrada virtuosa e reforçou seu time no palco com a participação de Lucas Estrela, conterrâneo da nova geração de talentos da música paraense.

Sabe-se lá o que tem na água ou nos pedais de distorção das bandas de Natal, mas ô povo que sabe fazer rock, viu! O Far from Alaska é de lá e provou que merece todo destaque que vem alcançando. Fizeram um show impressionante que foi, sem dúvidas, o mais intenso do festival. Rockão brabo, agressivo e sem medo de ser feliz e dançante, que deixou muitas gotas de suor no perfumado público do Radioca.

Curumin já é meio de casa na capital baiana e ainda chamou seu parceiro de composições, Russo Passapusso, pra fazer uma preza durante o show, deixando o palco naquele clima suave de jam entre amigos. O resultado foi um show que fluiu estilo filme em plano-sequência, com uma seleta do que tem de melhor nos quatro discos do paulistano mantendo a atmosfera de Boca, seu registro mais recente.

Salvador esperava muito pela vinda de Rincon Sapiência e certamente era recíproca a ânsia por esse encontro do afro-rap de Galanga Livre com a cidade mais afro do país. E como já era previsto, a primeira noite do Radioca foi encerrada metendo dança com a sequência de hits do Manicongo. A influência africana também se fez presente no encerramento da noite seguinte, com um show catártico do Metá Metá. O que se viu foi o resultado da soma de um powertrio afropunk, um sax caótico e uma voz que parecia vinda de alguma outra dimensão para coexistir perfeitamente com o caos instrumental dessa banda que já tem uma relação íntima com Salvador.

Além dos shows, o Radioca — que surgiu como extensão do programa de rádio veiculado semanalmente pela Educadora FM — ainda contou com feira de produtos independentes, oficina de fotografia de música ministrada pelos sergipanos da Snapic e intervenções na cidade com lambes temáticos de artes relacionadas às atrações do line-up. É mais um evento que se firma como espaço interessante para conhecer melhor a música e cultura do Brasil.

Lucas Estrela
Lívia Nery
Far From Alaska

Rincon Sapiência

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