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Como o camming mudou o mundo do pornô para sempre

Cam shows e conteúdo personalizado transformaram nossas experiências com pornô em momentos pessoais.

por Samantha Cole; ilustrado por Zoe Ligon; Traduzido por Marina Schnoor
30 Agosto 2019, 10:00am

O quarto de Ela Darling não é particularmente sensual, com luz suave, ou o que a maioria chamaria de “sexy”. As paredes são brancas e turquesa, e, no momento, ela está ajoelhada num cobertor branco e dourado, te mostrando – o espectador, com um óculos de realidade virtual – seu quarto real em casa. Virando a cabeça para a esquerda, você vê o gaveteiro dela, com adesivos e bonequinhos. À direita, você vê a porta do quarto e vários cartazes nerds nas paredes.

“Isto é parte do meu quarto de verdade, onde como, durmo e transo”, ela diz no vídeo. Parece um quarto para onde você voltaria depois de qualquer encontro, não o estúdio de filmagem de uma cam model pioneira da indústria e chefe de marketing da PVR, uma empresa de pornô em realidade virtual. Mas a casualidade do cenário não é acidental. Darling atende um mercado que procura a fantasia do real: uma vida bagunçada, boba e mundana.

“Quando as pessoas querem conteúdo diretamente de um artista, elas querem algo autêntico”, disse Darling por telefone. “Elas não querem uma grande encenação, querem algo que pareça um vislumbre da sua vida, da sua vida sexual.”

Quando ela fazia trabalho de cam, fãs regulares visitavam seu show para falar sobre seus trabalhos, vida amorosa, e para saber como ela estava. Um desses fãs vem há oito anos. “Tem essa longevidade aqui – sei as preocupações dele, sei de coisas que ele tem vergonha, e não faço ele se sentir mal por isso, porque ele não deveria se sentir mal”, disse Darling. “São coisas que, quando você fala com uma garota pessoalmente, a chance de rejeição seria muito alta. Tem um conforto em saber que sou muito aberta e não vou fazer ele se sentir envergonhado, e que esse é um lugar seguro onde podemos só falar de coisas, e isso faz ele se sentir seguro.”

O que Darling está fazendo é muito distante de como o pornô moderno vinha operando nos últimos anos. Na última década, sexo virtual – seja com um óculos de RV, numa sala de cam ao vivo, ou uma selfie de celular – vai se distanciando rapidamente das vendas de DVD e downloads de vídeos, para uma experiência única num momento do tempo.



Olhar uma página inicial de qualquer site de camming hoje parece contemplar um abismo pornográfico multidimensional desses momentos. Centenas de janelas em quartos e estúdios estão esperando você abri-las – thumbnails de bundas e sutiãs anônimos e nomes artísticos. Mas em um clique, sua visão é reduzida ao menor pedaço da vida possível: a atenção de uma pessoa, o quarto dela e você.

Bom, essa é a fantasia. Na realidade é você, a pessoa e entre cem e mais de 10 mil outros espectadores na sala de bate papo – assistindo, comentando e interagindo uns com os outros enquanto o artista faz seu trabalho.

Pela maior parte de sua existência pré-histórica, o pornô foi um espelho de um lado só: você podia olhar para as pessoas pintadas nos seus vasos ou projetadas na TV, mas elas não podiam responder ou reagir. Até os últimos anos, com a invenção da internet, webcams e redes sociais, o abismo nunca olhou de volta pra você.

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A máquina de autenticidade

Às vezes um brinquedo lubrificado escapa da bunda do namorado de Ryan James. Quando ele tenta pegá-lo com as mãos também lubrificadas, o consolo escorregadio acaba escapando e vai parar do outro lado da sala. James, cujo nome artístico é HungerFF, me disse que esse é o tipo de momento não roteirizado que seus fãs vieram a esperar e apreciar em seu trabalho.

“Esse tipo de momento engraçado e comum nunca seria deixado na edição final de um filme pornô profissional, e acho que é isso que faz meus fãs se identificarem com meus vídeos, e é isso que eles querem ver”, ele disse. “Estamos dando um vislumbre real e autêntico da minha vida sexual, e também validação de que essa vida sexual nem sempre tem que atender os padrões de um estúdio de filme pornô.”

A primeira incursão de James na indústria veio um pouco mais de uma década atrás, quando ele tinha acabado de se formar no colegial. Ele entrou num estúdio e em pouco tempo conseguiu um contrato exclusivo com a produtora. Mas em apenas 10 anos, essa ordem de operações mudou para muitos artistas do entretenimento adulto procurando uma chance – entrar num set e conseguir um contrato, com pouca experiência, é bem menos comum agora. Muitos começam com conteúdo que eles mesmos produzem e de que são donos, e postam em plataformas direto para o consumidor como ManyVids, MyFreeCams, OnlyFans e JustForFans, que tiram uma porcentagem do lucro em troca do meio, exposição e apoio técnico. James fez uma pausa alguns anos atrás e voltou ao pornô recentemente, para o JustForFans, quando viu a ascensão do conteúdo adulto direto para o consumidor.

Dominic Ford, fundador desse site, trabalha na indústria há ainda mais tempo. Ele viu tendências nascerem e morrerem, especialmente a ascensão e queda de filmes superproduzidos que eram populares quando ele começou, no começo dos anos 2000. Seu estúdio independente, lançado mais de uma década atrás, oferecia pornô gay de alta definição e produção. Mas nos últimos anos, conteúdo mais simples e personalizado compartilhado diretamente nas redes sociais começou a ganhar popularidade. Qualquer pessoa pode postar vídeos de baixa qualidade no Snapchat, Twitter ou em vários sites estilo tube de seus celulares, e os fazer serem notados.

Quando atores amadores tiveram a possibilidade de postar seu próprio conteúdo em plataformas para fãs, ficou mais difícil para os estúdios manter o interesse do público em perfeição. Ano passado, Ford colocou seu estúdio num hiato para focar no JustForFans. “Nos últimos 10 ou 11 anos, a ideia de assistir algo autêntico tem sido uma questão importante”, ele disse.

Há algo genuíno em produções casuais e imperfeitas, explicou Ford, e talvez até um tabu – talvez no sentido em que a pessoa que você está assistindo não é um profissional, mas está fazendo isso por amor, só pra você. “Mesmo entre meus amigos, tenho orgulho do que fiz antes, mas eles dizem 'Isso é incrível, mas gosto do cara que está num dormitório universitário com iluminação ruim'.”

A acessibilidade e capacidade de se identificar com pessoas fazendo sexo sem um roteiro é a chave, diz Jay Donahue, um modelo do JustForFans. “É como uma inspiração – as pessoas querem algo quase crível, que podem imaginar acontecendo com elas.”

“Acho que meus fãs gostam de ver sexo mais 'normal', dois caras se encontrando para se divertir transando”, disse Donahue. “A internet sabe quando uma coisa é falsa e quando a química é real. É isso que eles querem ver, seja num pornô de estúdio, caseiro ou qualquer coisa no meio disso. Gente sexy fazendo sexo.”

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Uma história muito breve do camming

O primeiro show de camgirl era o ápice da iluminação ruim e produção amadora. Em 1996, Jennifer Ringley, então com 19 anos, ligou uma câmera em seu computador pessoal. A câmera tirava uma foto a cada 15 ou 30 segundos, transmitindo o cotidiano mundano dela para o mundo conectado na internet – por menor ele que fosse na época – 24 horas por dia, todo dia. Os espectadores da JenniCam podiam vê-la navegando pela internet, estudando, comendo, se masturbando – o que ela estivesse fazendo naqueles momentos. Era algo um tanto devasso, para uma época antes da transmissão propriamente dita em tempo real, e infinitamente hipnótico.

Ringley fez camming por sete anos, aí parou abruptamente. Mas o que ela começou eventualmente cresceu para se tornar uma indústria de cam models de bilhões de dólares.

JenniCam estava a frente de seu tempo. Foi só em 2001 que o LiveJasmin, uma das primeiras plataformas de camming, foi lançado. Dezoito anos depois, estamos no meio de um boom de plataformas adultas; agora são pelo menos uma dúzia de plataformas do tipo para escolher.

Há algo genuíno em produções casuais e imperfeitas, explicou Ford, e talvez até um tabu – talvez no sentido em que a pessoa que você está assistindo não é um profissional, mas está fazendo isso por amor, só pra você.

Cada site visa um público ligeiramente diferente – JustForFans é principalmente para modelos gays, o ManyVids recentemente adotou um novo logo inclusivo queer e um portal de conteúdo trans chamado MVTrans, e assim por diante – e cada plataforma tem um conjunto diferente de usuários que tendem a ser fiéis à marca. Muitos desses sites funcionam com modelos inscritos, com os fãs assinando para consumir o conteúdo de seu modelo favorito. Tudo nessas inscrições leva a conteúdo personalizado e acesso platinum: Snapchats “premium”, conteúdo “exclusivo”, shows “privados”.

Tem muitos jeitos de encontrar um modelo de cam que seja do seu gosto. Como você se conecta com eles depende de você – e do que os modelos estão dispostos a compartilhar sobre si mesmos.

Quando a conexão cruza para a vida real

Dependendo de sua agenda, Phattony1587 tenta entrar nas salas de suas modelos favoritas pelo menos uma ou duas vezes por semana. Ele sabe quando outros clientes regulares também estão logados, geralmente em sites de cam ao vivo como Chaturbate ou CamSoda. Esses sites têm salas de bate papo junto com a transmissão dos vídeos, onde as pessoas assistindo podem mandar mensagem para o modelo e para os outros espectadores.

“Sempre tentamos dar um oi pra todo mundo, e falar sobre qualquer coisa que se passa na nossa cabeça”, escreveu Phattony1587 – que pediu para usar seu nickname para proteger sua privacidade – numa mensagem direta pelo Twitter. “Sentimos que é importante conversar, porque gostamos de nos divertir e trocar ideias enquanto também apoiamos a modelo.”

Scarlett Moon, que faz show de cam ao vivo e posta vídeos personalizados no MayVids, diz que essas conversas no seu chat vão do tempo, notícias, esportes e claro, o que ela está fazendo na tela.

“Quando uma conversa começa, eles podem falar por horas”, ela disse. “É algo altamente influenciado pelo meu show, mas alguns clientes acabam fazendo amizade, o que traz muita atenção para o chat, trazendo mais espectadores porque há essa interação.”

Nas salas de cam, as pessoas mandam dinheiro para os modelos usando um sistema de gorjetas que geralmente envolve uma moeda similar as usadas em videogames: usuários compram tokens ou moedas com dinheiro real, e os usam para mostrar sua apreciação para o modelo na tela. Quanto mais pessoas numa sala dando gorjetas, mais as outras pessoas assistindo se sentem incentivadas a dar gorjetas, e quanto mais gorjetas entram o show sobe na homepage ou lista de popularidade da plataforma, num círculo que alimenta a si mesmo.

Para alguns fãs, salas de chat de cam shows também podem ser um tipo de rede social. É um jeito de se conectar com pessoas online que curtem a mesma coisa que você, num ambiente receptível.

“Sinto que fiz muito mais amigos do que encontraria normalmente, porque não moro perto deles”, disse Phattony1587. Ele e as pessoas que ele conheceu em salas de cam show se conectam pelo Twitter também – levando essas amizades para outras esferas.

Algo que Darling observou sobre seu próprio trabalho, que frequentemente foca na experiência de namorada e garota da porta ao lado, é como muitos homens são reticentes em se conectar com pessoas na vida real, ou fazer terapia e divulgar suas inseguranças sexuais para um profissional de saúde mental. Então eles se voltam para alternativas mais acetáveis para homens: strippers, modelos de cam, operadoras de telessexo. Eles buscam aceitação de trabalhadoras sexuais, através de interações pagas, quando não conseguem isso em outro lugar.

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Alguns de seus clientes pedem validação a ela na forma de fetiche. “O que eles perguntam não é 'Ei, você pode me mostrar seus pés'”, disse Darling. “O que eles estão perguntando é 'Ei, ainda sou digno de afeição se curto esse tipo de coisa?'”

“Para algumas pessoas é uma questão de solidão”, disse Cyndi Darnell, uma terapeuta de sexo e relacionamentos de Nova York, quando perguntei o que ela achava que fazia as pessoas buscarem validação de quem nunca vão encontrar, em termos financeiros. “Mas para outros é uma questão de aventura – essa terra da fantasia é muito mais interessante e excitante que o mundo humano de carne e osso... Para muitas pessoas solitárias, essa conexão paga é a ligação mais valiosa que elas têm.”

Voltar toda a semana e continuar esse relacionamento, e uma narrativa pessoal, é o aspecto mais importante do camming para alguns fãs.

“Eles querem sentir que podem voltar pra mim, e vou lembrar daquela merda que o chefe deles fez semana passada. 'O que aconteceu depois? Como está seu cachorro?' Sei o nome do cachorro deles, e eles sabem o nome do meu cachorro”, disse Darling. “Eles querem essa conexão.”

Limites, e quando eles são ultrapassados

Por mais integral que artistas e modelos sejam para a vida de alguns fãs, algumas pessoas tentam tirar coisas dos trabalhadores sexuais de graça. Quando essa negociação é feita de má-fé, as coisas podem dar errado.

Uma cam model do ManyVids que usa o nome Little Puck me disse que homens aleatórios “ficam perguntando se podemos nos encontrar e transar”, apesar de dizer que isso também acontece com muitas mulheres mesmo fora do trabalho sexual. Os fãs “reais” dela tendem a respeitar mais sua privacidade.

“Já encontrei alguns em convenções, quando estava ali especificamente para conhecê-los, mas só tive uma interação [com fãs] fora disso”, ela disse. “Me encontrei com um fã de longa data num bar para conversar e tomar alguns drinques. Foi fofo! Nos abraçamos! Descobri muito depois que ele tinha se separado da namorada recentemente e estava mal. Achei legal que pudemos alegrar o dia um do outro um pouco no mundo offline.” Mas isso é uma exceção extrema, ela disse, que ela só concede para fãs de longa data em quem confia.

Algo que Darling observou sobre seu próprio trabalho, que frequentemente foca na experiência de namorada e garota da porta ao lado, é como muitos homens são reticentes em se conectar com pessoas na vida real, ou fazer terapia e divulgar suas inseguranças sexuais para um profissional de saúde mental.

Outra modelo do ManyVids, Destiny Diaz, me disse que seus fãs geralmente são respeitosos, e que é extremamente importante pra ela estabelecer esses limites, mesmo atrás de uma webcam. “Alguma privacidade é necessária, e no entretenimento adulto já oferecemos uma parte muito íntima de nós mesmos, então ter nossa privacidade pessoal respeitada é muito importante”, ela disse.

Donahue disse que seus fãs mandam mensagem para ele no Twitter pedindo fotos exclusivas, ou no Instagram, onde eles os direciona de volta para o Twitter, seu meio preferido para postar o conteúdo que ele quer oferecer de graça. “Eles dizem 'Não tenho Twitter, mande as fotos por aqui...' E eu digo 'O Twitter é grátis. É só se inscrever e se masturbar pacas com o conteúdo!'”

Os limites estabelecidos no trabalho sexual não devem ser diferentes de qualquer outro serviço financeiro, disse Darling. “Você não contrataria um advogado e começaria a se masturbar na frente dele. Você não chegaria para o seu contador e pediria para se masturbar olhando os pés dele. Esses não são serviços que eles oferecem.”

Seja postando seus vídeos pagos em plataformas gratuitas sem seu consentimento, ou querendo uma conversa muito longa por DM, alguns supostos fãs estão sempre buscando novas maneiras de conseguir o mesmo conteúdo por menos dinheiro. Isso não é apenas exaustivo para os modelos, mas diminui o valor de seu trabalho – e num mercado saturado de novatos com webcams e aplicativos de transferência de dinheiro, há jeitos infinitos de explorar os trabalhadores e seu tempo.

Nos casos onde um bate papo no Twitter se torna muito longo, saber quando cortar a pessoa se torna um problema para trabalhadores sexuais. Eles rejeitam um cliente em potencial, ou continuam permitindo que ele desperdice seu tempo?

“É algo nebuloso”, disse Darling. “Quando eles estão pagando pelo meu tempo é ótimo, mas também pode fazer a pessoa sentir que tem direitos, quando um cara acha que não é 'como os outros', e quer que você saiba, quer ser seu amigo... tipo, eu tenho amigos, cara. Não preciso de um estranho da internet vindo aqui e dizendo que não começou a se masturbar imediatamente com o meu conteúdo, então merece uma estrela dourada.”

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Quando ela rejeita os avanços de alguém desperdiçando seu tempo, esses fãs às vezes não aceitam bem. “As pessoas reagem a rejeição de um jeito negativo e às vezes agressivo”, ela disse. “As pessoas às vezes são muito condescendentes, outras vezes já começam a xingar. Eles me insultam e me chamam de vadia – tipo, 'Sim, faço sexo diante de uma câmera por dinheiro!' – mas acho que a coisa mais irritante é quando a pessoa fica triste e manda um emoji triste; acho muito manipulador. Tipo 'Desculpa se parti seu coração por não te dar meu tempo de graça'.”

Mas a maioria deles entende, ela disse. Esse é um trabalho, e o tempo dela é dinheiro.

Se sentir menos sozinho

Antes de me dizer por que ele acha que algumas pessoas buscam conteúdo “autêntico” e casual de atores pornô hoje, Ford, o fundador do JustForFans, fez questão de qualificar sua resposta: essa é a experiência dele, e ele não pode falar por todos. Mas ele gosta muito de carinho.

“Sei que, pessoalmente, prefiro intimidade a sexo porque sexo é fácil”, ele disse. “Pode ser uma coisa gay, não sei – porque sexo geralmente é mais fácil no mundo gay que no mundo hétero, ou, pelo menos, foi o que me disseram – mas o que é importante pra mim é o beijo, ficar de conchinha, coisas que não dá pra fingir. Talvez porque vivemos num mundo de pornô falso por 10 anos, onde todo gemido era pedido por um diretor, quando alguém é agressivamente alto na cama automaticamente penso que aquilo não é real.”

Outros são atraídos pelo trabalho sexual online porque conseguem uma conexão em troca – seja com outros artistas, seus fãs ou com seu próprio poder sexual. Thomas Marks, um modelo cuja plataforma preferida é o JustForFans, disse que entrou no negócio recentemente, mas numa idade madura. “Achei fascinante, principalmente porque caras mais velhos são bem pagos em tokens para se mostrar”, ele disse. “Definitivamente não o tipo idealizado de homem que eu associava com o pornô.”

Marks viveu a crise da AIDS nos anos 1980 e 1990, quando muitos amigos dele morreram. Ele era sexualmente aberto antes disso, mas depois, ele parou de procurar por sexo.

“Você não chegaria para o seu contador e pediria para se masturbar olhando os pés dele. Esses não são serviços que eles oferecem.”

“Esses sites me deram uma sensação de liberdade e ajudaram a tirar um pouco do meu medo sutil de sexo”, ele disse.

Plataformas que mostram algo diferente ou real – algo que centra em corpos e experiências fora do modelo de juventude, magreza e heterossexualidade, ideais que grandes produtoras de pornô apostaram por tanto tempo – estão vendo a demanda crescer. Esse é parte do motivo para cam shows onde modelos só conversam sobre a vida, ou onde homens mais velhos fazem sexo íntimo e carinhoso, serem tão populares agora.

É “meio que uma coisa humana básica”, disse o editor da indústria adulta Brian Scott Gross sobre o desejo de uma proximidade real com as pessoas e coisas em que estamos interessados. “Então se temos mais e mais dessas experiências, vamos querer mais e mais... Temos um desejo constante de sermos entretidos, e queremos que esse entretenimento seja pessoal, queremos sentir uma conexão.”

E essa conexão, como Ford apontou, raramente é só uma questão de sexo. “Então a resposta tem que ser em algum nível... O que mais tem ali? É a conexão íntima com uma pessoa – que não é necessariamente sexual, mas é autêntica. Muito no trabalho sexual não é só uma questão de sexo, é sobre te fazer sentir que você não está sozinho.”

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Matéria publicada na Edição Fronteiras da Revista VICE. Essa edição é uma exploração global das fronteiras físicas e invisíveis, examinando quem é afetado por essas linhas e por que damos tanto poder a elas. Clique aqui para assinar.

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