Noisey

Há 25 anos, o Prêmio Multishow é a consolidação do que é cultura pop no Brasil

Com shows de Pabllo Vittar, MC Kekel, Ivete Sangalo e apresentado por Anitta, a premiação une tudo o novo ao já consagrado da música popular brasileira.

por Amanda Cavalcanti
26 Setembro 2018, 7:08pm

Foto via Reality Social no Twitter 

Ivete Sangalo, Anitta e Tatá Werneck juntas no palco, conversando e cutucando umas às outras. Poucas cenas poderiam ser mais um resumo da cultura pop no Brasil em 2018 do que essa. Mas que tal Pabllo Vittar fazendo uma declaração sobre ser afeminada, voando acima do palco e dançando ao som de "K.O."? Que tal Rincon Sapiência entrando em meio ao show da IZA, que cantava cercada de bailarinos? Que tal MC Kekel e Luan Santana dividindo um palco?

Todas essas cenas aconteceram na última terça (25) no Prêmio Multishow de Música Brasileira, a premiação que chegou à sua vigésima quinta edição. São 25 anos premiando e apresentando o mais relevante da música pop no Brasil em categorias de voto popular, como Melhor Clipe, Melhor Cantora e Melhor Música, e em outras que ficam a encargo de um "superjúri" de jornalistas, produtores e curadores, como Melhor Disco e Artista Revelação.

Ao longo dessas duas décadas e meia, o palco do Prêmio Multishow se tornou um forte índice de carreira consolidada para os artistas que nele subiram. Olhemos, por exemplo, para os vencedores da categoria de Artista Revelação nos últimos anos: Rincon Sapiência, que ficou surpreso ao receber o prêmio em 2017 por conta de sua já longa carreira, rodou o Brasil inteiro com a turnê do Galanga Livre e fez feats com uma galera como IZA, Haikaiss e MC Pedrinho; Liniker, que venceu em 2016, e Ava Rocha, em 2015, ambas já contam com discos e carreiras muito mais amplamente recebidos que à época do prêmio.

Mas isso talvez seja ainda mais verdadeiro nas categorias de voto popular, em que artistas como Anitta, Luan Santana e Ivete Sangalo foram grandes ganhadores ao longos anos – Ivete, inclusive, é a maior vencedora da história do prêmio e foi homenageada com um vídeo de todas as suas participações, além de um troféu entregado em mãos por Carlinhos Brown. O sertanejo, como não poderia deixar de ser, marca grande presença no evento: além de Luan, Michel Teló, Paula Fernandes e Maiara e Maraisa também já foram muito premiados.

Se no ano passado, porém, o funk não recebeu nenhuma indicação e nenhum show, em 2018 a trupe do KondZilla e Start Music juntaram forças para dar um jeito nessa situação. Além das apresentações de Kekel, Kevinho, WM e Jerry Smith, Kevinho foi indicado a Melhor Cantor e sons voltados ao funk como "Din Din Din", de Ludmilla, com participação de MC Doguinha e MC Pupio, e "Vai Malandra" de Anitta, com participação de Yuri Martins e MC Zaac, também receberam indicações. Seria ótimo ver a presença do funk se intensificando nas próximas edições do evento.

Outros novos nomes também subiram ao palco da Jeunesse Arena na terça, pelas mãos do Superjúri. Anelis Assumpção, apesar da já longa carreira, ganhou seu primeiro prêmio pela premiação – o de Melhor Disco, com Taurina – e Baco Exu do Blues, o de Artista Revelação e o de Canção do Ano pelo megahit "Te Amo Disgraça". Parece rolar uma desconexão, porém, entre o voto popular e o Superjúri (do qual fiz parte esse ano como convidada, em programação exibida no Canal BIS), que parecem propositalmente não falarem dos mesmos artistas, nem com o mesmo público – segregando, assim, a discussão entre o fortemente popular e o mais nichado.

Como toda premiação, algumas homenagens e polêmicas também subiram ao palco nessa terça: além de Ivete, Mr. Catra, que faleceu no começo do mês, recebeu um tributo de um de seus filhos e do MC Jerry Smith. Referências à campanha #EleNão, contra o candidato Jair Bolsonaro, e a Marielle Franco vindas de Russo Passapusso, do BaianaSystem, do grupo Rouge e de Pabllo Vittar também marcaram a noite; além do beijão de Anitta num membro do Atitude67.

Apesar das lacunas de timing, o Prêmio Multishow de Música Brasileira, como única premiação televisiva de música no Brasil após o fim do saudoso VMB (e além do ainda recém-nascido MIAW MTV), cumpre um importante papel de consolidar o estado da cultura pop no país – seja musicalmente, politicamente ou na área do entretenimento –incentivando e abarcando tendências vigentes pelos últimos 25 anos.

Leia mais no Noisey, o canal de música da VICE.
Siga o Noisey no Facebook e Twitter.
Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.