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A FLM Ocupou 16 Prédios em São Paulo

Na madrugada de segunda-feira (13), a Frente de Luta por Moradia fez uma ocupação simultânea em 16 prédios no centro de São Paulo, na Zona Leste, no Sul e no Norte.

por Patrícia Monteiro
16 Abril 2015, 5:00pm

Todas as fotos foram feitas pela própria autora.

Na madrugada de segunda-feira (13), a Frente de Luta por Moradia (FLM) fez uma ocupação simultânea em 16 prédios no centro de São Paulo, na Zona Leste, no Sul e no Norte. A lista de endereços pode ser encontrada no site da FLM.

Em um dos prédios, na Rua XV de Novembro, na Sé, a ocupação seguiu sem grandes problemas, ainda que seguranças e policiais militares tenham rondado a área durante toda a madrugada. Por volta das 2h30 da manhã, os seguranças do prédio (que não estavam lá na hora em que a comissão de frente chegou para quebrar o cadeado e deixar as famílias entrarem) tentaram arrombar a porta, levando todos os homens da ocupação a descerem e reforçarem a proteção da entrada. Cofres e armários que estavam no térreo foram colocados na porta, já fechada com um novo cadeado.

Nessa hora, houve muita apreensão. Segundo Ivaneti Araújo, coordenadora do Movimento de Moradia na Luta por Justiça, que faz parte da FLM, um policial ameaçou os manifestantes com uma arma de fogo. Quando o clima já havia acalmado, muitos ainda se lembravam do ocorrido e de terem presenciado a ameaça com arma. "Eles achavam que tinha meia dúzia de gatos pingados aqui", chegou a dizer Maria Silva, uma das responsáveis pela coordenação da nova ocupação.

Além de idosos, como Deoclides Cândido, de 66 anos, a ocupação também conta com muitas crianças, que participaram desde o início, algumas ficando acordadas durante a noite, acompanhando tudo. Uma das mais novas era Beatriz, de 1 mês e 15 dias.

Por volta das 8 horas da manhã, uma bandeira da FLM foi colocada em frente ao prédio, como consolidação da ocupação. A polícia, agora, só pode entrar com mandado de reintegração de posse.

Pouco depois, o café da manhã, organizado por Renata, Marli e Juliana, foi servido. Isso segue o que é de praxe das ocupações: nos primeiros dias, todas as refeições são comunitárias, organizadas pela coordenação.

Ainda pela manhã, parte da grande imprensa apareceu pedindo para entrar no prédio e registrar a ocupação. Muitos dos ocupantes, no entanto, se preocupavam em ser flagrados pelas fotos, já que ainda existe muito preconceito com os movimentos de moradia, e não queriam ser prejudicados em seus serviços.