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Sem menção honrosa e sem massagem: Senado confirma afastamento de Dilma

Com mais de dois terços dos votos a favor, casa admite abertura do processo de impeachment em sessão extenuante.

por Amauri Gonzo
12 Maio 2016, 9:54am

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Após uma das sessões mais longas que se tem notícia na história recente do Senado brasileiro, a presidente Dilma Rousseff está afastada por até 180 dias do cargo após a casa aprovar a abertura do processo de impeachment por 55 votos a favor e 22 contra.

Começando na manhã desta terça-feira (11), o debate pré-votação seguiu até quase 6h da manhã da quinta-feira (12). 71 senadores se inscreveram para falar, e cada um contou com um tempo máximo – muitas vezes extrapolado – de 15 minutos para discursar.

Diferentemente da conturbada e já folclórica votação na Câmara, o processo de abertura de impeachment no Senado foi mais civilizado. Atentou-se muito para os crimes de responsabilidade relacionados aos decretos de crédito suplementar, base do pedido de impeachment, mas também falou-se muito da situação econômica do país, numa admissão ampla de que o julgamento do impeachment será, antes de tudo, político.

É claro que não faltaram discursos fantasiosos, como o de Magno Malta (PR-ES), declarou ter saudades das aulas obrigatórias de OSPB (Ordem Social e Política Brasileira), doutrinação ufanista da época da ditadura. Do lado do governo, não faltou quem chamasse o processo de "golpe" – Telmário Mota (PDT-RR) chegou a evocar Renato Russo e "Que País É Esse?", da Legião Urbana (por sorte ninguém respondeu, como parece ter virado costume nos shows do Capital Inicial, "é a porra do Brasil").

A votação em si ocorreu às 6h30 da manhã de quinta, e marcou uma derrota importante para Dilma e o PT. Apesar da falta de três senadores e da abstenção de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, o placar contou com mais de dois terços a favor da admissibilidade do processo – para afastar permanentemente a presidente ao final do julgamento, a oposição precisa de 54 votos. O PMDB se esforçou para cravar o placar, levando de última hora os senadores Edison Lobão e Rose de Freitas ao plenário – a capixaba Rose estava em São Paulo em um tratamento de saúde.

O acordo foi costurado de última hora por Michel Temer, que temia que uma revolta do PMDB no Senado atrapalhasse sua recém-iniciada presidência. Na ponta do lápis do seu mutante gabinete ministerial achou espaço para Fernando Bezerra Filho no Ministério de Minas e Energia, e ainda prometeu ao Senado a indicação (ainda sem nome) do ministro da Integração Nacional, azeitando as relações com a casa.

Agora começa efetivamente o julgamento de Dilma. As sessões no Senado serão presididas por Ricardo Lewandowski, presidente do STF, com direito a testemunhas de acusação e defesa. O Senado tem até 180 dias para encerrar o julgamento - se estourar o prazo, Dilma volta automaticamente à presidência. Para confirmar o impeachment ao final do processo haverá uma votação final, na qual dois terços dos senadores (54 votos), pelo menos, precisam votar pela saída da presidente. Com tudo contra, o PT vai ter que correr atrás do prejuízo para reverter esse implacável placar.

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