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Como não ser abduzido

Tive que participar de uma vigília ufológica na praia e levei todo tipo de ferramenta antialien.

por Débora Lopes; fotos por Felipe Larozza
28 Agosto 2014, 11:00am

Foto e GIF por Felipe Larozza/VICE.

Um dos problemas de ser jornalista é quando a pauta é sua, mas você não quer fazê-la. Nunca tive o menor interesse em extraterrestres. Inclusive, me cago de medo desses assuntos. Pela internet, tomei conhecimento de um roteiro ufológico que aconteceria em Peruíbe, litoral sul de São Paulo. Estamos falando da cidade com a maior quantidade de relatos de avistamentos de UFOs, amigos. E eu tive de enfrentar essa pica.

O roteiro incluiria trilhas e passeios por locais que provavelmente receberam a presença de nossos amigos ETs e uma vigília na praia durante a noite. Como nos filmes de terror, de dia tudo é tolerado e mais fácil. Por isso que meu principal cagaço era pensar na vigília, na praia, à noite.

"Eu não quero ser levada. Eu não quero ser contatada." Proferi frases como essas diversas vezes na redação da VICE para deleite dos colegas desalmados, que me infernizaram com vídeos, fotos e memes de ETs (inclusive o saudoso Bilu).

Antes de sair de São Paulo, procurei todo tipo de informação no Google que pudesse me ajudar a não ser abduzida. Alguém sugeriu que eu fizesse um capacete de papel-alumínio, como em Sinais – filme que nunca assisti, óbvio. Disseram que isso poderia evitar que alienígenas tentassem ler meus pensamentos, me levar, me examinar. Prontamente acreditei, porque sou um ser humano de fé. Soube também que os ETs do filme não curtem se molhar, por isso os personagens espalham copos de água pela casa. Para a vigília, levei uma garrafa de água na bolsa. Caso algum deles se aproximasse, eu apelaria para todas as minhas ferramentas. Também levei sal. Alguns sites na internet comparam a pele dos alienígenas à das lagartixas – assim sendo, o sal age como um elemento corrosivo para a epiderme dos meus inimigos mais distantes. Eu estava disposta a lutar com todas as minhas forças para manter minha alma aqui neste mundão zuado.

Escrevi para Cassyah Faria, hipnoterapeuta especializada em tratar pessoas que foram abduzidas ou contatadas, e perguntei se ela sabia de algum método para evitar qualquer tipo de contato extraterreno. Ela me explicou algo que não entendi, mas que me deu algum alívio. "Só faz contato extraterrestre quem é contatado/missionário aqui das diversas linhagens que tem função no planeta. Fora isso, o que pode acontecer é espírito obsessor do plano dos desencarnados se passar por extraterrestre." Meu léxico ufológico (ou espírita) ainda é muito básico para sacar o que é o "espírito obsessor dos desencarnados".

Alan Ferguson, um pesquisador gringo, explicou que o melhor jeito de não ser abduzido é dizer em voz alta aos alienígenas que você não quer ser abduzido. O foda é que eu não sei se meus manos ETs falam português.

Colei na vigília ufológica com todo o meu aparato antiabdução e nada aconteceu. Não vi nenhum alienígena, nenhuma luz, nenhum objeto voador. Só ouvi histórias de gente que conhece pessoas que foram abduzidas, que entraram na nave e que, inclusive, tiveram relações sexuais com aliens. E, obviamente, elas não acharam nada engraçado o fato de eu ter ido equipada para afastar manos extraterrenos. A única coisa que levei pra casa foi areia no meu chinelo e um pouco da frustração do soldado que vai à guerra mas nem consegue pegar na arma. O foda é que a curiosidade imperou. E agora eu quero ver ET.

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