Como assistir a quarta temporada de 'Black Mirror'

Uma dica: não é na ordem que os episódios foram disponibilizados.

por Noel Ransome; Traduzido por Marina Schnoor
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jan 3 2018, 3:48pm

Imagens cortesia da Netflix.

Matéria originalmente publicada na VICE Canadá.

Black Mirror é o ápice de toda série “a grama do vizinho é sempre mais verde” no momento. As coisas podem não estar indo muito bem pra você, mas o espelho quer te mostrar algo pior. Ele pega toda a tecnologia que você tanto ama, bate no liquidificador e tira toda a parte boa até você se ver numa fazenda, usando chapéu de palha e coçando o queixo enquanto observa a roça.

E isso Black Mirror de Charlie Brooker faz incrivelmente bem. Ele pega nossa dependência da tecnologia moderna, joga na nossa cara e chama isso de série — com todo o niilismo distópico desastroso incluso. Depois de assistir toda quarta temporada, posso dizer que nada disso mudou, mas também que é importante saber como assistir essa nova leva de episódios. Não dá pra assistir tudo de uma vez. Com vários gêneros e tons diferentes entre os episódios, a coisa está espalhada pelo mapa todo e você precisa saber como navegar. E como equilibrar as coisas, para sair pensando mas ainda conseguir olhar pro seu celular sem jogar ele pela janela.

Episódio 1: "USS Callister"

Sim, uma paródia básica de Jornada nas Estrelas bem fácil de digerir. Mas diferentemente de outros episódios, há um conceito sobre realidade virtual e a moral que deveria se estender por esses mundos, através de uma lente clichê da fronteira final. Jesse Plemons ( Friday Night Lights, Breaking Bad) faz uma imitação precisa do Capitão Kirk, mas esse é só um detalhe comparado com a experiência total. Assista esse primeiro como um precursor da fodelança que vem a seguir.

Episódio 3: "Crocodile"

O que torna uma mentira crível é o fato de que ela soa crível. Mas tire todas as merdas circulando dentro do seu cérebro — todas essas sentenças e fatos alternativos, e jogue tudo fora. Esse é o cenário que “Crocodile” apresenta; uma tecnologia que pode ler sua mente. Quão longe você está disposto a ir para guardar esses segredos quando já não pode mais? Caralho... muito longe. É bom acompanhar esse com uma bebida forte.

Episódio 4: “Hang the DJ”

Um respiro bem-vindo depois de “Crocodile”. O conceito é simples. Imagine um mundo onde seguimos nossos matches no Tinder literalmente. Tipo como se fosse uma lei. Onde a gente começa e termina os relacionamentos com prazo de validade, até achar o par perfeito. “Hang the DJ” é uma ode clássica ao amor nos tempos das redes sociais com uma surpresa, e um toque de PQP. É o único tipo de história de amor que você vai achar nessa temporada de Black Mirror, então aproveite.

Episódio 5: "Metalhead"

Basicamente um Exterminador do Futuro, galera — mas o Exterminador é um cachorro de metal sem história ou contexto. Esse é o tópico menos perturbador comparado com os outros, já que ainda não atingimos o território Skynet; então esse é o menos crível. Mas em termos de tensão, ele vai longe, principalmente no que não é dito. Estamos acostumados demais com tecnologia sem rosto — aquelas que não expressam emoção. Mas imagine se seus maiores medos viessem numa forma que você deveria amar. Que está em maior número e que quer nos matar. Qual seria a aparência? Os sons? “MetalHead” é o que chega mais perto disso no estilo Black Mirror. E se você é do tipo cinéfilo, esse episódio também tem a fotografia mais artística.

Episódio 2: "Arkangel"

Todo mundo vai se identificar com esse. Se você já teve pais ou irmãos que te amavam tanto, tanto que você conseguia sentir o fardo desse amor quase doentio, você vai entender. “Arkangel”, como muitos episódios da série, usa uma tecnologia para jogar com o tema de superproteção. Tipo aqueles aparelhos de rastreio que já existem para crianças e bichos de estimação, aqui eles adicionaram outro nível de vigilância. Um nível que flerta perigosamente com os limites morais da privacidade. Não tem robôs assassinos nem nada assim nesse episódio, mas tem muita coisa para pensar e questionar sobre paternidade.

Episódio 6: "Black Museum"

Esse te traz de volta para a Terra. É um episódio de Black Mirror dentro de um episódio de Black Mirror. É tipo Contos da Cripta com um toque tecnológico. Na história, uma garota se descobre no meio de um museu de crime e um curador conta a ela todos os contos sobre as peças de tecnologia que lotam o espaço. Esse foi o menos interessante pra mim no sentido que pareceu um negócio meio “diga não às drogas” — com o iPhone no lugar da maconha. Divertido, mas esquecível.

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