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Protestos se espalharam pelas escolas de Hong Kong

“Este movimento não é uma rebelião, é um clamor por justiça.”

por Diana Chan; Traduzido por Marina Schnoor
11 Outubro 2019, 10:00am

HONG KONG – Milhares de estudantes de universidades e escolas de ensino médio mataram aula no primeiro dia do fim das férias, como parte de um boicote por toda cidade em apoio aos protestos contra o governo que chacoalham Hong Kong há quase três meses.

Estudantes de 11 universidades se juntaram na Universidade Chinesa de Hong Kong em Sha Tin, usando camisetas pretas e máscaras. Eles gritavam slogans como “Lute pela Liberdade” e “Liberte Hong Kong”, e exigiam que o governo responda a meses de impasse político e táticas cada vez mais violentas da força policial da cidade.

“A situação em Hong Kong está piorando”, um estudante da Universidade de Hong Kong disse no palco, o rosto escondido por óculos de proteção e uma máscara. “Todos que defendem os valores de Hong Kong, todos que têm orgulho de se chamarem de honcongueses agora são alvo de repressão do governo.”

“Devemos continuar corajosos durante esses tempos anormais”, ele acrescentou.

Hong Kong Protests
Estudantes seguram cartazes dizendo 'boicote' num comício na Universidade Chinesa de Hong Kong. (Diana Chan para VICE News.)

Mais cedo naquele dia, mais de mil estudantes do ensino médio realizaram um comício separado em apoio aos protestos, pedindo que os colegas boicotem as aulas no começo do novo ano escolar. Muitos outros estudantes realizaram protestos nas escolas para mostrar seu apoio ao movimento geral. A polícia, enquanto isso, foi criticada por ter equipes posicionadas em várias escolas pela cidade e revistar mochilas dos estudantes em estações de trem.

Estudantes têm liderado o movimento pró-democracia desde seu início em junho, principalmente contra uma proposta de lei de extradição de Hong Kong, que daria a Pequim o poder de extraditar indivíduos para a China continental. Muitos residentes veem a lei como uma tentativa de Pequim de apertar seus laços na cidade semiautônoma.

Esperanças de que os protestos morreriam quando os estudantes voltassem às aulas acabaram enquanto milhares de jovens se juntava a protestos pela cidade, muitos expressando a resolução de continuar se manifestando até que suas demandas sejam atendidas.

A líder da cidade Carrie Lam diz que a lei está “morta”, mas os manifestantes aumentaram suas exigências desde o começo do movimento. Agora eles querem que o governo cumpra cinco exigências, que incluem derrubar oficialmente a lei e lançar uma investigação independente para examinar o uso de força excessiva pela polícia.

Hong Kong Student Protests
Alvin (E), calouro da Universidade Chinesa de Hong Kong, num comício de boicote às aulas com um amigo (D). (Diana Chan para VICE News.)

“Boicotar as aulas não significa boicotar o aprendizado”, disse outro estudante no comício, com o rosto também escondido. Ele disse que matar aula dá tempo aos estudantes para protestar e que a luta contra o governo é parte do dever de todos os honcongueses.

Muitos estudantes no comício estavam vestidos como ele, com capacetes, óculos de proteção e máscaras de gás.

“Estou usando todo o equipamento porque quero que as pessoas vejam o que temos que usar para nos sentir seguros quando saímos para protestar”, disse Alvin, um calouro de ciências sociais da Universidade Chinesa de Hong Kong. “Quero que elas saibam o que encaramos todo dia.”

Hong Kong Student protests
Milhares de estudantes num comício de boicote às aulas na Universidade Chinesa de Hong Kong. (Diana Chan para VICE News.)

Os organizadores estimam que mais de 300 mil estudantes compareceram aos comícios universitários, que vieram depois de um final de semana de violência e turbulência renovadas. Na noite de sábado, a polícia invadiu trens do metrô, batendo em passageiros e manifestantes com cassetetes, e uma grande barricada foi incendiada por manifestantes num movimentado distrito de compras. Horas depois, milhares de manifestantes lotaram o aeroporto da cidade no domingo, causando grandes congestionamentos depois que o transporte público foi suspenso e muita gente foi obrigada a andar por horas para voltar para a cidade.

“Estou usando todo o equipamento porque quero que as pessoas vejam o que temos que usar para nos sentir seguros quando saímos para protestar.”

A polícia disse que 159 pessoas foram presas durante o final de semana e 16 foram acusadas de causar tumulto. Mais de mil pessoas já foram presas desde que os protestos em larga escala começaram em junho.

Hong Kong student protests
Estudantes num comício de boicote às aulas na Universidade Chinesa de Hong Kong. (Diana Chan para VICE News.)

“Há uma grande injustiça em nossa cidade”, disse Christy, recém-formada na Universidade de Hong Kong.

Ela explicou que não tem coragem de ficar nas linhas de frente e contra-atacar, então apoiar o boicote e sua maneira de protesto.

“Este movimento não é uma rebelião, é um clamor por justiça”, ela disse.

Matéria originalmente publicada na VICE EUA.

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