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O homem que cometeu o erro de tentar ajudar o WikiLeaks

Depois de tentar decifrar um arquivo, Jason Katz se deparou com o FBI em sua casa. A saída? Mudar-se para Islândia e fundar o Partido Pirata.

por Kim Zetter; Traduzido por Stephanie Fernandes
25 Maio 2017, 9:01pm

Quando irromperam as notícias de que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos preparava acusações criminais contra Julian Assange, fundador do WikiLeaks, a história reverberou não só em Londres, na Inglaterra, onde ele se refugiou (na embaixada do Equador), como também na Islândia, onde um peão da história da WikiLeaks mora há anos.

Seis anos atrás, durante julgamento militar sobre as atividades de Chelsea Manning, fonte do WikiLeaks, uma testemunha do governo contou que uma pessoa chamada "Jason Katz" ajudou o WikiLeaks a descobrir a senha de um arquivo em particular. O arquivo continha um vídeo que Manning supostamente vazou para o grupo (mais tarde, ela foi absolvida da acusação). Katz nunca falou publicamente sobre o assunto e, além de seu nome e alguns detalhes apresentados no tribunal, seu papel no incidente permanece um mistério.

Hoje com 36 anos, Katz contou à Motherboard que tentou obter a senha uma única vez. E acabou que o WikiLeaks nunca publicou o vídeo. Contudo, ele perdeu o emprego em um laboratório do governo americano e contou que, depois que o FBI invadiu seu trabalho, seu apartamento, e a casa de seus sogros, os agentes federais o intimaram a depor diante de um grande júri na investigação de Assange e do WikiLeaks.

Katz se recusou a depor sem imunidade, e nunca mais foi procurado pelos agentes federais. Tampouco foi processado por qualquer crime. Em 2012, ele se mudou para a Islândia, onde fundou o Partido Pirata junto a diversos antigos colaboradores do WikiLeaks, e "tem se comportado", segundo o próprio.

Semana passada, Manning foi solta logo após ter sua sentença revogada. Contudo, Katz teme que, se o governo atacar Assange com acusações de conspiração, capaz que vá atrás dele também, independentemente do quão pífio e inconsequente tenha sido seu papel nos vazamentos de Manning.

"Não me arrependo das minhas ações, pois me levaram a uma jornada muito interessante."

Katz mantém a discrição desde o caso e evita conversar com amigos na Islândia sobre seu atrito com as autoridades.

"Quando invadiram minha casa, cercaram toda a minha rede de apoio — amigos, familiares próximos, acabaram com tudo", ele contou à Motherboard. "Fiquei bem reticente quanto a envolver as pessoas ao meu redor em tudo isso."

Durante uma entrevista por telefone, ele se perguntou várias vezes se era mesmo uma boa ideia abrir o bico.

"Estou sendo burro", disse ele. "E podem publicar que eu disse isso. É que não quero me complicar mais a esta altura."

Ressalvas à parte, Katz conversou com a Motherboard a fim de esclarecer seu papel no caso Manning e limpar seu nome.

"Não me arrependo das minhas ações, pois me levaram a uma jornada muito interessante", disse ele. "Eu faria tudo de novo. Acabou que me mudei para cá, e se não tivesse me mudado, os Piratas jamais teriam existido."

*

Em 2009, Katz tinha 28 anos e trabalhava como administrador de sistemas quando entrou em uma sala de bate-papo do IRC do WikiLeaks e alguém mencionou que precisava de ajuda para abrir um arquivo protegido por senha. Isso foi meses antes dos primeiros vazamentos de Manning, e o público mal conhecia o WikiLeaks. A organização já estava em operação há três anos na época, e havia publicado alguns vazamentos dignos de nota, obtidos de outras fontes, que não chamaram muito a atenção das autoridades americanas.

Katz disse que se interessou pela organização pois acreditava nas ideias de Julian Assange sobre confidencialidade e transparência no governo, e achou empolgante a oportunidade de ajudar o WikiLeaks.

"Falava ao coração do meu ethos hacker", lembrou ele. "O arquétipo Davi-Golias."

Não se sabe quem exatamente solicitou assistência no bate-papo do IRC naquele dia. Todos os participantes do bate-papo usavam pseudônimos e evitavam fornecer detalhes que pudessem identificá-los, e Katz conta que não sabe se chegou a se comunicar diretamente com Assange. A Motherboard tentou contatar o WikiLeaks, mas a organização não enviou respostas até o momento de publicação deste artigo.

Katz decidiu baixar o arquivo, um documento chamado "b.zip". E baixou também uma ferramenta de leitura de senhas para tentar abri-lo. Mas não funcionou.

"Foi o mais longe que cheguei", Katz contou à Motherboard.

Créditos: ArTIsT

Quatro meses depois, o WikiLeaks publicou o infame vídeo "Assassinato Colateral", o primeiro grande vazamento de informações confidencias por parte de Chelsea Manning (então conhecida como Bradley Manning), responsável por chamar a atenção do mundo. O vídeo mostrava um ataque americano de helicóptero sobre o Iraque em 2007, que feriu duas crianças e matou o pai delas, dois funcionários da Reuters e diversas outras pessoas. Não era o vídeo que Katz tentou abrir, embora ele não soubesse disso na época.

O arquivo que Katz tentou abrir, segundo os testemunhos subsequentes do Agente Especial David Shaver, da Unidade de Investivação de Crimes Digitais do Exército Amerciano, continha outro vídeo militar confidencial, referente a um ataque aéreo americano conduzido em 2009, próximo à vila Garani, no Afeganistão, que matou quase 100 civis, em sua maioria crianças, de acordo com os locais. O WikiLeaks nunca publicou o vídeo, aparentemente porque o grupo nunca conseguiu descobrir a senha.

Katz diz que, quando baixou o arquivo b.zip, não fazia ideia do que era.

"Não compreendi muito bem os dados, não sabia com o que estávamos trabalhando", disse Katz, "até esses outros vazamentos [de Manning] emergirem e o WikiLeaks figurar nas manchetes."

O envolvimento de Katz pesou porque, na época, ele trabalhava como administrador de sistemas no departamento de física do Laboratório Nacional de Brookhaven, um complexo do Departamento de Energia dos Estados Unidos que opera um acelerador de partículas em Long Island, e faz parte de um projeto colaborativo para analisar os dados do LHC, da Suíça.

Quando perguntamos se ele baixou o arquivo criptografado em seu computador pessoal ou corporativo, Katz titubeou.

"Deixa eu pensar um pouco antes de responder", disse ele. "É, essa eu passo."

No entanto, segundo um testemunho do julgamento de Manning, os investigadores encontraram o arquivo e o programa de leitura de senhas em seu computador de trabalho. Katz foi demitido poucos meses depois de baixar o arquivo, por conta de "atividades digitais inapropriadas". Ironicamente, Katz contou que, na época, o laboratório não estava ciente de suas conexões com o WikiLeaks, visto que os vazamenos de Manning ainda não haviam sido publicados. Na verdade, ele foi demitido por razões mais mundanas.

"Falava ao coração do meu ehos hacker", lembrou ele. "O arquétipo Davi-Golias."

Algumas semanas depois do download, segundo ele, um programador do laboratório teve um colapso mental. O programador, que Katz descreve como um imigrante asiático, não tinha família por perto. Então quando o laboratório fechou por conta do feriado de Natal e todo mundo foi para casa, esse funcionário ficou sozinho no campus. O período extenso de isolamento, ao que parece, engatilhou um episódio psicótico. Katz contou que recebeu um telefonema durante o feriado e teve uma conversa "sem pé nem cabeça" com ele.

"Eu sabia quem estava me ligando, e sabia onde ele estava, mas não sabia do que ele estava falando", contou.

Katz relatou que o programador incendiou o próprio quarto no campus do laboratório, e quando chegaram os seguranças, ele estava bradando desvarios. O nome de Katz pipocou na conversa, embora ele não saiba exatamente por que, ou o que o programador disse a seu respeito. Os dois haviam conversado sobre o WikiLeaks antes, mas Katz não sabe se o programador chegou a mencionar isso para os seguranças.

"Era um colega de trabalho, e um dia ele me perguntou o que eu estava fazendo no computador", contou Katz. De qualquer forma, Katz acha que o programador não sabia da existência do arquivo.

A certa altura, depois do feriado, quando Katz voltou ao trabalho — ele já não se lembra quanto tempo depois — os seguranças do laboratório o abordaram. Katz disse que tomaram seu computador e seu laptop pessoal, que ele usava para se comunicar no IRC. A máquina pessoal estava criptografada, e Katz se recusou a liberar a senha e assinar um documento alegando que tinha abdicado do computador voluntariamente.

"Provavelmente, foi por isso que fui demitido", Katz contou à Motherboard. "Não coperei com a contrainteligência, e minha negativa configurou insubordinação."

Por fim, Katz conseguiu reaver o laptpo, mas foi demitido em março de 2010 — ao que tudo indica, simplesmente porque ele tinha uma ferramenta de leitura de senhas em seu computador, visto que os investigadores do laboratório só foram descobrir meses depois o que havia no arquivo .zip critpografado. (O laboratório não respondeu às solicitações de informações acerca do vínculo empregatício com Katz.)

Pouco tempo depois de sua demissão, dia 5 de abril de 2010, o WikiLeaks publicou o vídeo "Assassinato Colateral". Manning foi preso no mês seguinte, depois de confessar a um hacker chamado Adrian Lamo que havia vazado centenas de milhares de documentos para o WikiLeaks, e Lamo o entregou.

Em setembro, Katz conseguiu um novo emprego, como administrador de sistemas na Tower Research Capital, uma empresa de fundo especulativo situada em Nova York, e deixou incidente do laboratório para trás. No entanto, uma série de eventos estava se desdobrando, e logo tudo voltaria à tona.

*

Em julho, de alguma forma, Lamo descobriu a tentativa de Katz de abrir o arquivo de vídeo de Garani, e repassou a informação aos investigadores do exército americano que estavam trabalhando no caso Manning. Eles examinaram o antigo computador de trabalho de Katz, do laboratório, ou pelo menos fotos dele, e encontraram provas de que ele havia baixado e tentado abrir o arquivo b.zip com uma ferramenta de leitura de senhas— embora não tenham conseguido determinar se ele logrou êxito ou não na empreitada.

Katz só foi ficar sabendo da delação de Lamo meses depois. Ele estava em um emprego confortável, de 75 mil dólares por ano, refeições gratuitas, festas em coberturas e cinco semanas de férias. Mas ele logo enjoava de seus trabalhos, e no começo de 2011 começou a procurar outro emprego. Ele ficou sabendo da oportunidade na Islândia por meio de um anúncio da start-up Videntifier, que desenvolvia tecnologias para impressões digitais e vídeos de identificação. Ele não se interessou muito pela vaga, mas ficou deslumbrado com a Islândia e achou que seria uma boa oportunidade de viajar com todas as despesas pagas. Contudo, quando viajou para se encontrar com os fundadores da start-up em fevereiro daquele ano, ele ficou surpeso com a tecnologia e decidiu aceitar a vaga.

"Eu já pensava em morar fora dos Estados Unidos", disse Katz. "E sou muito impulsivo às vezes."

Katz voltou a Nova York no fim de fevereiro, refletiu um pouco e notificou o então chefe, contando que trabalharia ainda mais alguns meses na Tower, antes de deixar o país. No entanto, dia 31 de março, duas semanas depois do aviso prévio, o FBI deu as caras na firma. "Acho que me viram indo e voltando da Islândia, e ficaram ouriçados", disse ele.

Dado o cronograma desses eventos todos, especula-se que Katz estava sob vigilância desde julho do ano anterior, quando Lamo o dedurou para os agentes federais. Assange e o WikiLeaks estabeleceram uma base de operações na Islândia em 2010, enquanto se preparavam para publicar os vazamentos de Manning, e a viagem de Katz um ano depois deve ter soado os alarmes. Três meses após a viagem de Katz para a Islândia, o procurador geral Eric Holder anunciou pela primeira vez que estavam conduzindo uma "investigação criminal ativa" e um inquérito sobre Assange e o WikiLeaks. No mês seguite, o FBI enviou um mandato para um homem chamado Andrew Strutt, para confiscar um servidor que ele geria.

Strutt, conhecido na comunidade hacker como r0d3nt, era coproprietário e administrador do pinky.ratman.org, um servidor Linux utilizado por mais de 300 pesquisadores da área de segurança e entusiastas de tecnologia. Ele também fornecia seus serviços para o exército americano. Strutt domina o campo há anos, já até hospedou a rede IRC para a comunidade hacker 2600, ao passo que também trabalhava para o exército e para o governo americano, e fazia parte do programa Infragard, do FBI, que cultiva parcerias entre os agentes federais e o setor privado. Ele contou à Motherboard que tentou combater o mandato, mas não tinha os recursos necessários, e precisou entregar o servidor para os agentes federais.

"Eu me recusei a responder qualquer pergunta", disse Strutt. "Ameaçaram me fazer depor diante do grande juri sobre um crime que não conhecia, e uma pessoa que não conhecia, caso eu não consentisse com um processo legal selado, muito específico. Centenas de hackers, usuários e pesquisadores confiam a mim seus segredos. Vou morrer com eles. Não queria depor e me ver obrigado a responder perguntas sobre pessoas e crimes desconhecidos."

Em um comunicado que Strutt publicou na internet no dia 30 de março, depois dos agentes federais lhe concederem permissão, ele declarou que o FBI estava atrás de informações sobre "as atividades de um usuário em particular, cuja identidade não me revelaram".

Não ficou claro se o arquivo que Katz tentou abrir chegou a passar pelo servidor de Strutt, mas Katz acha bem provável. Strutt disse que, no início, os agentes pensavam que ele era o responsável pelas atividades suspeitas.

"O que quer que fosse que estavam procurando, associaram a mim", Strutt escreveu em uma mensagem para a Motherboard. Por conta das relações que ele havia firmado com o programa Infragard, os agentes o contataram por telefone, em vez de simplesmente aparecer e tomar seu servidor. Quando ele demorou para responder, enquanto buscava auxílio da Electronic Frontier Foundation, visitaram o seu escritório.

"Quando expliquei para eles, através do meu advogado, que havia mais de 300 pessoas com contas naquela máquina, e que eu oferecia serviços de acesso à internet, eles ficaram embasbacados. Não faziam ideia de que outras pessoas tinham acesso à maquina", disse ele.

Ele contou que os agentes prometeram lhe fornecer, mais tarde, uma lista de tudo que examinariam no servidor, mas jamais o fizeram. Curioso é que estavam interessados somente nas atividades que ocorreram antes de agosto de 2010, em torno da época em que Lamo delatou Katz. Srutt disse que só descobriu por que o servidor fora confiscado quando leu um artigo sobre o papel de Katz no caso Manning. No final das contas, ele conseguiu reaver o servidor, mas só em outubro de 2015. Ele contou à Motherboard que precisou assinar um acordo de confidencialidade para obtê-lo de volta. Em um tweet que ele publicou quando o servidor voltou à ativa, ele citou o WikiLeaks, Katz e Lamo, explicando em linhas gerais a todos da comunidade por que seu servidor havia sido apreendido.

Hoje o @FBI devolveu o hardware de 5 anos atrás http://pinky.ratman.org . um sonoro vsf a @wikileaks, Jason Katz e @6 pela dor de cabeça 1/2 #fb

@andrew_strutt Não sabemos nada sobre o seu servidor. Sabemos que o FBI está assediando Katz. Gostaríamos de um pronunciamento atualizado.

Na manhã de 31 de março de 2011, um dia depois de Strutt publicar sua nota oficial sobre o confisco, Katz chegou à firma, abriu o laptop que carregava com ele, e então percebeu que três estranhos se aproximavam. Ele contou à Motherboard que imediatamente percebeu que algo estava fora do lugar e se levantou para pegar um copo d'água. Foi quando um dos homens o agarrou aos berros — "FBI! Você não está preso!" — e outro pegou seu computador. Era o mesmo laptop que a segurança de Brookhaven havia apreendido e devolvido no ano anterior.

"Sou mesmo uma anta", Katz contou à Motherboard. "Continuei usando o laptop que me devolveram para me conunicar no IRC e fazer coisas fora da estação de trabalho da empresa."

Dado que ele não havia sido preso, Katz sugeriu uma conversa numa sala de reuniões. "Acho que a minha segunda ou terceira frase foi, 'Preciso falar com o meu advogado'."

Ele se lembra de receber um documento com os nomes de Assange, Manning e Jacob Appelbaum...

Os agentes disseram que não estavam interessados nele; o foco era outra pessoa. Sua memória é nebulosa, mas ele se lembra de receber um documento com os nomes de Assange, Manning e Jacob Appelbaum — amigo de Assange e da organização que volta e meia se pronunciava em público em nome do WikiLeaks —, mas já não sabe se isso aconteceu no dia da invasão ou depois. Caso os ajudasse, disseram, eles avisariam os promotores que ele estava coperando.

"Respondi, 'Ótimo, assim que vocês registrarem isso por escrito, contatarei meu advogado e retomarei a conversa com vocês", contou Katz.

Por acaso, Katz tinha um cartão de visita de Rainey Reitman em sua carteira, ativista da Electronic Frontier Foundation que ele conhecera um mês antes na Shmoocon, convenção anual de hackers sediada na cidade de Washington. Ele se retirou da sala e telefonou para Reitman em busca de um advogado de defesa que pudesse ajudá-lo em Nova York. (A Motherboard tentou contatar Reitman por telefone, mas não recebeu respostas até o momento de publicação deste artigo.)

A reunião de Katz com o FBI demorou mais de uma hora, pelo que ele se lembra. Nesse meio tempo, segundo Katz, seu apartamento do Brooklyn foi invadido, bem como a casa em Long Island que pertencia à família de sua namorada. O FBI supostamente tirou fotos do laptop de seu colega de quarto, e de vários outros laptops que se encontravam no apartamento, e também examinou os computadores da casa dos sogros. Katz contou que ela viu um agente do FBI pegar algo de seu carro, que estava estacionado em frente à casa; Katz imagina que seja um rastreador GPS.

Dias depois, alguém que se identificou como agente do FBI ligou para o pai de Jason e pediu para conversar, e ele retrucou que conversaria apenas na presença de um advogado. Segundo o pai, que contou sua história à Motherboard por telefone, o agente desligou e nunca mais ligou. A Motherboard concordou em não identificar o familiar para proteger sua privacidade. Ao que parece, os agentes também confrontaram o irmão mais novo de Katz no trabalho, e convenceram-no a acompanhá-los até a sede do FBI para um interrogatório que durou horas a fio.

"Não envolvi muitas pessoas nos meus atos. Então ninguém tinha o que dizer para as autoridades."

Embora ainda tivesse que cumprir alguns meses de trabalho na Tower, quando voltou ao escritório depois da invasão, a empresa o demitiu. (A Motherboard tentou contatar a Tower Research Capital por telefone, mas não recebeu respostas até o momento de publicação deste artigo.)

Nas semanas seguintes, segundo Katz, todos os seus contatos foram abordados pelo FBI. Sua namorada também foi intimada a depor diante do grande júri, na Virgínia, e concordou em obter imunidade, mas Katz disse que ela não sabia de nada sobre seu envolvimento com o WikiLeaks.

"Não envolvi muitas pessoas nos meus atos", explicou ele. "Então ninguém tinha o que dizer para as autoridades."

Depois de se recusar a depor, Katz decidiu levar a cabo a mudança para a Islândia. Lamo declarou que Katz correu para a Islândia para fugir de acusações.

O visto para a Islândia exigia uma checagem de antecedentes por parte do FBI. Então, ainda estava sob suspeita por seu envolvimento com o WikiLeaks, Katz deliberadamente enviou suas impressões digitais para a agência. Ele recebeu a ficha limpa meses depois e se mudou para a Islândia em fevereiro de 2012. Ele nunca pediu para o FBI devolver o laptop, temendo que isso reacendesse o interesse pelo seu caso. (A Motherboard tentou contatar o FBI por e-mail para conversar sobre a investigação de Katz, mas não recebeu respostas até o momento de publicação deste artigo.)

Quatro meses após a mudança, ele fundou o Partido Pirata com o político islandês e ex-colaborador do WikiLeaks Birgitta Jónsdóttir, e um punhado de apoiadores do WikiLeaks e ativistas.

"Essa papagaiada toda com o FBI me induziu a tomar o lado dos ativistas", disse Katz. "Não tem mais volta."