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Ozzy me ensinou a fazer o que você ama, diz Zakk Wylde

Após visitar Brasil em 2018 com o Madman, guitarrista e vocalista volta ao país com o Black Label Society; SP, RJ e BH tem shows no fim de semana.

por Luiz Mazetto
04 Abril 2019, 2:21pm

Foto: Divulgação.

“Apenas toque o que você ama.” Essa é a principal lição que Zakk Wylde diz ter aprendido com Ozzy Osbourne, a quem chama carinhosamente de “boss” (“chefe”, em inglês), ao longo dos muitos anos de parceria. “O Ozzy ama o que ele faz e ele ama música. Essa é a chave principal para tudo na vida. Ame o que você está fazendo”, afirma o músico norte-americano, que volta ao Brasil nesta semana para uma série de shows com o Black Label Society.

Quando despontou para o mundo com o clássico No More Tears (1991), o seu segundo – e mais bem-sucedido - disco com Ozzy, em uma época em que ainda não ostentava uma generosa barba que virou sua marca registrada, Zakk parecia, pelo menos à primeira vista, “apenas” mais um ótimo guitarrista a tocar com o eterno vocalista do Black Sabbath, que já tinha contado com nomes como Randy Rhoads e Jake E. Lee em sua banda solo.

No entanto, com o passar do tempo, o músico mostrou uma versatilidade que talvez pouca gente esperasse lá no final dos anos 1980, quando iniciou seu trabalho com Ozzy. Para além da sua banda principal, o Black Label Society, coleciona uma variedade de parcerias e projetos, com destaque para Book of Shadows e Pride & Glory, em que revelou possuir tanto talento como compositor e vocalista quanto já tinha mostrado com a sua icônica Gibson Les Paul.

“Gosto tanto de ouvir o Eagles e coisas mais melódicas, o Greg Almann sentado com um violão, e o Elton John, quanto adoro ouvir coisas mais calcadas em riffs, seja o Cream, o Sabbath ou o Zeppelin. Então é basicamente o meu amor por coisas mais suaves e também pelos riffs”, afirma Zakk ao ser perguntado sobre essas “andanças” musicais na carreira entre sons mais suaves, com violão, voz e piano, e os muitos riffs e solos marcantes.

Não por acaso, a lista dos três discos que mudaram a sua vida traz alguns dos artistas citados acima. “Provavelmente seria o We Sold Our Souls for Rock’n Roll (coletânea de 1975), do Black Sabbath. Acho que também o Greatest Hits (outra coletânea, mas de 1974), do Elton John, e o Live (disco ao vivo de 1978), do Mahogany Rush.

E é um pouco de tudo isso que Zakk traz ao Brasil com o Black Label Society, cujo disco mais recente, Grimmest Hits (2018), o décimo do grupo, pinta um bom retrato do fôlego e do já mencionado alcance do multitalentoso músico. Está tudo lá: os riffs sabáticos e cativantes, presentes em faixas como “Trampled Down Below” e “Seasons of Falter”, que abrem o disco, assim como a busca pela suavidade, alcançada com louvor nas bonitas “Trampled Down Below” e “Seasons of Falter”.

“As pessoas me falavam ‘Zakk...Quer dizer, Grimmest Hits. Você não acha que as pessoas vão ficar confusas com esse álbum pensando que talvez seja uma coletânea (greatest hits, em inglês)?’ E pensava: não sei, acho que não. Para ter um disco de greatest hits, você precisa ter hits e eles precisam ser ótimos. E nós não temos nada disso. Nós não temos nenhum hit e nenhum deles é ótimo. Então ninguém vai ficar confuso desta maneira (risos)”, relembra de forma bem-humorada o guitarrista, que compara o processo de composição com um trabalho de escavação – “É apenas uma questão de escavar até achar algo de que goste”.

Com 52 anos recém-completados, Zakk, que se diz abençoado e grato por todas as coisas na carreira, não parece dar sinais de desacelerar o ritmo. Ao ser perguntado sobre o seu álbum favorito com o BLS em cerca de 20 anos de carreira, a resposta aponta para o futuro. “Acho que o meu disco favorito (com o BLS) é o que ainda vamos gravar. Obviamente, estou muito feliz...Quer dizer, acho que todo mundo fica feliz com o álbum que acabou de fazer. Agora que o nosso último disco já saiu há algum tempo, obviamente estou ansioso para trabalhar no próximo.”

Black Label Society no Brasil
Show no RJ – 05/04
Show em SP – 06/04
Show em BH – 07/04

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