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Os protestos de ontem pelo Brasil terminaram em violência

Panelaço, buzinaço, dedo na cara, cabeçada, soco e chute. Ontem, não foi pacífico.

por Equipe VICE
17 Março 2016, 5:25pm

Foto: Rodrigo Zaim/ R.U.A Foto Coletivo

No final da tarde da última quarta-feira (16), o juiz Sérgio Moro, a frente da operação Lava Jato, vazou o áudio de uma ligação entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o novo ministro da Casa Civil, o ex-presidente Lula. Na gravação, Dilma informa que está enviando o termo de posse. "Só usa em caso de necessidade", falou. A direita brasileira, que já estava histérica com a tomada de Lula no ministério mais importante do país, convocou panelaços, buzinaços e foi às ruas em diversas cidades, inclusive para o Congresso Nacional, em Brasília. Desta vez, os ditos manifestantes pacíficos pela maior parte da imprensa brasileira não pouparam a oposição e, depois de muito explorar a violência verbal, partiram para a violência física.

Em São Paulo, um casal voltava para casa depois do trabalho pela Avenida Paulista quando foi agredido pelos manifestantes de verde e amarelo. "Vaca", "vagabunda" e "putinha comunista" foram alguns dos xingamentos proferidos por quem protesta por um Brasil melhor para Isadora Schutte, de 18 anos. "Nem sabíamos que estava rolando manifestação", ela relata. "Começaram a gritar que a gente tinha cara de comunista, que nossa bicicleta era vermelha. Um cara me empurrou da bicicleta e outro veio com uma bandeira pra me bater. Fiquei assustada."

Manifestação na Avenida Paulista. Foto: Jardiel Carvalho/R.U.A Foto Coletivo

Um dos sujeitos teria dado uma cabeçada no namorado de Isadora. Depois do tumulto, o casal atravessou a avenida e foi até a base da Polícia Militar. "O policial disse que não poderia fazer nada, que teríamos de fazer um B.O. online. Fiz um escândalo." Ela contou ao PM que o sujeito que tinha a agredido ainda estava na manifestação. O casal e o provável agressor foram para o 78º DP, nos Jardins, onde foi feito um termo circustanciado. "Ficamos três horas e meia lá e o cara falou que a gente agrediu ele. Mostrou um arranhão no braço, mas ele estava de blusa na hora", relata Isadora, que preferiu não divulgar o nome do agressor. O namorado dela, Lucas Brasileiro, está com ferimentos no rosto. A reportagem da VICE entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para obter mais informações, mas a assessoria de imprensa afirmou que ainda está apurando o caso.

Em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, um homem e uma mulher que vestiam camisetas vermelhas foram encurralados por manifestantes pró-impeachment, que os xingavam.

Em frente ao prédio de Lula, na cidade de São Bernardo do Campo (SP), também teve confusão. Ali, a polícia tentou apartar manifestantes pró e contra o governo. O ex-deputado Vanderlei Siraque (PT) levou um soco no rosto e teve seu carro chutado. No Facebook, ele postou a imagem de um homem ensanguentado. "Infelizmente tiraram sangue de um companheiro. Isso é inadmissível. Canalhas e covardes!", publicou. A polícia jogou bombas de gás lacrimogêneo em direção aos manifestantes e, de acordo com o G1, chegou a apontar armas em direção ao manifestantes pró-Lula.

Em Brasília, houve uma tentativa de invadir o Congresso. E, quem antes tirava selfies felizes com a polícia e a aplaudia, passou a criticá-la. "Ei, soldado, você está do lado errado", gritavam os manifestantes para os policiais que tentavam conter a invasão. Para dispersar a multidão, foram utilizadas bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água.

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