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Sexo

Hackers estão postando pornô nos sites do ISIS

Os terroristas estão bastante confusos.

por Mahmood Fazal; Traduzido por Marina Schnoor
30 Novembro 2017, 4:23pm

Matéria originalmente publicada na VICE UK.

Ao crescer como um muçulmano, ideias sobre sexualidade geralmente eram reprimidas e proibidas. Ninguém fala realmente sobre sexo ou te ensina sobre isso. Me mandaram não olhar para tela naquela cena do Titanic onde a mão do Leonardo DiCaprio escorrega pela janela embaçada do carro — minha imaginação foi obrigada a preencher as lacunas. Quando assisti pornô pela primeira vez, aquilo ia muito contra a imagem inocente que eu tinha do que seria um romance. Me senti meio enjoado e muito envergonhado, depois um pouco puto que meus pais faziam isso. Aí fiquei mais enjoado ainda.

Num esforço para derrubar o ISIS, hackers iranianos conhecidos como “Daeshgram” estão explorando a culpa e a ansiedade dos fundamentalistas ao postar pornô em seus canais oficiais de comunicação. Durante o anúncio de que uma central de mídia abriria numa parte da Síria ainda controlada pelo ISIS, o Daeshgram postou uma imagem de uma mulher nua num pornô. Um vídeo de combatente do ISIS assistindo o anúncio foi alterada para parecer que os extremistas estavam assistindo a um filme pornô projetado numa parede.

O golpe acabou plantando sementes de dúvida nos fóruns online. Simpatizantes do ISIS começaram a descartar os sites onde o vídeo circulou com declarações como “os cruzados da mídia dizem que o Amaq [a 'Agência de Notícias' do Estado Islâmico] foi hackeada”. Os anúncios foram eclipsados pelo choque envergonhado da indecência. O fluxo de pornô cortou muito do respeito pelo meio de comunicação mais respeitado deles.

O Daeshgram pretendia confirmar a suspeita de que eles controlavam o site do Amaq, postando um vídeo no site de propaganda do ISIS. Vários grupos do ISIS começaram brigas online, outros removeram membros de grupos secretos onde eles discutiam planos. O pico dos esforços de caos dos hackers veio quando o ISIS disse a seus membros para não confiar mais no Amaq – uma coisa e tanto, considerando que o Amaq é o principal site que o grupo terrorista usa para assumir responsabilidade por seus ataques.

O Daeshgram é um grupo de seis homens muçulmanos do Iraque que explora a tecnologia moderna para atrapalhar o “califado virtual” e sua popularidade cada vez maior no Oriente Médio. Todos no grupo de estudantes, engenheiros e pesquisadores de segurança virtual, escondem suas atividades de amigos e da família.

No começo do mês, o Fossbytes relatou que o Amaq tinha afirmado antes que seu site era “impossível de hackear”. Um grupo de hackers muçulmanos chamado Di5s3nSioN logo respondeu “desafio aceito”. Horas depois, eles hackearam o Amaq e vazaram e-mails com informações dos assinantes.

De maneira similar, em 2016 um hacker chamado WachulaGhost atacou os perfis do ISIS nas redes sociais e postou pornô gay neles. O hacker disse ter tomado o controle de mais de 250 contas associadas ao ISIS nas redes sociais, substituindo seu conteúdo por mensagens de orgulho gay e pornografia. O WachulaGhost disse a CNNMoney: “Descobrimos uma vulnerabilidade, então pensamos: 'vamos começar a invadir as contas deles... e humilhá-los”.

Quando hackers muçulmanos exploram sensibilidades culturais em atos de guerra psicológica, eles deixam cicatrizes que duram mais que ferimentos físicos. Orgulho e vergonha são as emoções mais importantes na vida social do mundo muçulmano: suicídios e assassinatos muitas vezes acontecem por ideais bastante abstratos como “honra”. Como um adolescente cheio de tesão, eu preferia apanhar 100 vezes do que meus pais e amigos verem meu histórico de buscas na internet — todo mundo, né? Mas na nossa cultura, a culpa psicológica é imperdoável espiritualmente.

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