A Música do Sexo É Assim

Um artista prendeu sensores de movimento ao longo de seu corpo e de sua parceira durante o sexo para que um sintetizador transformasse tudo em música. Ouça aqui a transa.

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30 Outubro 2015, 3:14pm

Rory Viner. Crédito: Yo Ishigaki

E se o sexo fosse transformado em uma música? Bem que os astros do pop tentaram algumas versões bastante aproximadas, mas nada foi tão fundo quanto Rory Viner. O artista japonês prendeu sensores de movimento ao longo de seu corpo e de sua parceira durante o sexo e mandou os sinais a softwares programados para responder com notas de sintetizador, ao vivo.

E a sinfonia transante ficou assim:

"O argumento principal era explorar a forma como o som pode dilatar a proximidade emocional", me contou Viner sobre seu novo projeto chamado "Sexo, Sensores e Música".

Viner – que ganhou as manchetes no ano passado ao traduzir as estatísticas de suicídio no Japão em uma obra de 22 minutos no piano – afirma que o que estamos ouvindo é o equivalente aural dos altos e baixos do sexo de verdade.

"Quanto mais intenso, mais rápido os sensores responderão", ele afirmou. "Isto é, quanto mais contato físico for gerado, mais rapidamente os sensores responderão. Esse resultado foi, digamos, um ato."

Em uma publicação em seu site, ele explica que o projeto não se resume ao interesse em sons de sexo. Ele também se interessa pelo automonitoramento e pelo compartilhamento de dados:

"O self corpóreo está constantemente monitorando a si e aos outros conforme nosso self tecnológico se expande. Quando o íntimo se torna público, como nossa distância emocional muda? O que é mais íntimo do que o sexo? E se os dados biométricos do sexo fossem trocados ou coletados ao vivo? Será que nós nos sentiríamos mais próximos ou distantes de nós mesmos e nossos companheiros? Em meu experimento, transformei os movimentos cinéticos do sexo em sons. Para isso, grudei vários sensores piezoelétricos em mim e em minha parceira, na cintura e braços, então transmitimos e gravamos a resposta ao vivo. Cada sensor piezoelétrico estava programado para disparar uma nota diferente e específica dentro de um esboço de Arduino depois que os sensores foram conectados a um microcontrolador. As notas, como dados em MIDI, foram enviados do programa Arduino para um sintetizador. Essa resposta foi transmitida ao vivo a fim de ser ouvida durante o ato sexual, de modo a criar um loop de feedback em que os sons e os movimentos poderiam interagir entre si – o instrumental de nossos corpos, editando nossos movimentos em tempo real para mudar nosso comportamento, e para mudar a resposta musical."

Embora satisfeito com o projeto como um todo, Viner diz que a musiquinha frustrou suas expectativas.

"Pensei que estaria mais perto da pessoa, mas o efeito foi o contrário", ele escreveu. "Eu pensava que esse loop de feedback criaria uma grande conexão, ou sentimentos de conexão, mas a experiência em si foi bastante diferente."

Ele continuou: "Em vez de eliminar a distância, a experiência criou, na verdade, uma distância que influenciou a proximidade emocional do ato e criou um tipo de efeito impessoal."

As sinfonias elétricas do sexo, então, podem ser um tipo de gosto adquirido.

Tradução: Amanda Guizzo Zampieri