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A indústria alimentícia não quer que você pense em carne como animais

Um estudo norueguês comprova aquilo que já sabemos: ninguém quer admitir que nossos bifes eram bichos fofos de fazenda.

por Wyatt Marshall; Traduzido por Marina Schnoor
18 Outubro 2016, 10:00am

Foto via usuário do Flickr steve: they can't all be zingers!!!

Esta matéria foi originalmente publicada no MUNCHIES US.

Quando devora uma porção de frango a passarinho ou um x-bacon enorme, você provavelmente não pensa nas galinhas, vacas e porcos que tornaram sua refeição possível. E isso geralmente desespera ativistas dos direitos dos animais do mundo todo, que investem no vegetarianismo e veganismo como uma tentativa de introduzir a preocupação com o bem dos animais na cabeça dos humanos mais carnívoros. Agora, um novo estudo confirmou o que muitos seguidores do PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) acreditavam – a indústria da carne espera explorar essa desassociação entre a carne e os animais para nos tornar mais dispostos a comer suas galinhas, porcos e vacas.

Uma série de estudos da Universidade de Oslo, na Noruega, publicada no jornal Appetite, descobriu que as pessoas estão mais dispostas a comer carne quando ela é processada e apresentada de um jeito que distancia o produto final de suas origens animais. Os pesquisadores mostraram aos participantes do estudo um frango inteiro, coxas de galinha e filés de frango cortados, e perguntou qual a empatia que eles sentiam pelo animal. Eles também mostraram porcos assados inteiros, um com e outro sem a cabeça. Sem surpresa, os participantes sentiam menos empatia pelos filés de frango e o porco decapitado.

"A apresentação da carne feita pela indústria influencia nossa disposição de comer o produto", disse Jonas R. Kunst, um dos autores do estudo, num comunicado à imprensa. "Carne altamente processada facilita se distanciar da ideia de que o produto veio de um animal."

A embalagem e a publicidade também têm seu papel. Quando viam propagandas de carne apresentando a imagem de um cordeiro, a foto de um filhote de ovelha fez os participantes evitarem comer a carne em questão. Mesmo as palavras "bife" e "suíno" complicam nossa relação com a carne – os participantes estavam menos dispostos a comer os dois tipos de carne quando eles estavam listados como "vaca" e "porco" num cardápio.

Essa suspensão da descrença em relação à carne tem sido chamada de "hipótese da desassociação" pelos pesquisadores que estudaram esse fenômeno. O estudo de Oslo é o primeiro teste da hipótese, e agora ela é vista como algo real. Isso porque, tudo indica, que não queremos admitir que nossos bifes eram bichos fofos de fazenda.

Os autores do estudo sugerem que a pesquisa pode ajudar o governo a limitar o consumo de carne.

Eles também mencionaram o CEO do Facebook Mark Zuckerberg, que abateu todos os animais que comeu por um ano para entender melhor seu papel como consumidor de carne. Essa com certeza é uma maneira de entrar em contato com seu carnívoro interior, mas a maioria das pessoas não toma esse caminho.

Agora, dizer para qualquer churrasqueiro do mundo largar sua maminha e pegar um machado vai ser difícil.

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