Publicidade
Esta história tem mais de 5 anos de idade.
Tecnologia

O Primeiro Ciborgue do Mundo Disponível Comercialmente É uma Barata Ciborgue

Basta anexar uma mochila em qualquer barata e usar um smartphone para controlá-la. Mas organizações pelos direitos dos animais não curtiram a ideia.

por Rebeka Marcarelli
08 Outubro 2013, 12:06pm


Imagem cortesia de Backyard Brains.

Mês que vem, a Backyard Brains vai começar a vender o Bluetooth RoboRoach, o primeiro ciborgue voltado para o público geral. Custando US$99,99 (cerca de R$220), o produto é barato e fácil de usar. Depois de uma “breve cirurgia”, o usuário anexa uma mochila eletrônica a uma barata e usa o smartphone para superestimular o inseto, fazendo-o se mover para a direita ou esquerda.

Greg Gage e Tim Marzullo, os fundadores da Backyard Brains, começaram a criar o ciborgue depois de financiar a empresa pelo KickStarter em 2010. Apesar de terem começado a trabalhar no projeto há três anos, a ideia para a RoboRoach surgiu muitos anos antes, quando eles conduziam experimentos neurológicos juntos como estudantes na Universidade de Michigan. A família de Greg sempre sofreu com depressão e problemas neurológicos e a neurologia o ajudou entender melhor seus familiares. Ele imaginou que criar um ciborgue divertido e comercialmente viável seria uma maneira interessante de estimular o interesse do público por questões neurológicas.

“Doenças neurológicas são um saco”, Greg me disse por telefone. “Fazer as pessoas se interessarem pelo cérebro é a ideia [por trás do RoboRoach].”

Greg e Tim querem fazer do produto um projeto educacional. Estudantes de todo os Estados Unidos vêm conduzindo seus próprios experimentos com uma versão beta do RoboRoach, coletando dados que ajudam a Backyard Brains a melhorar seu modelo.

“Ele fica mais avançado a cada ano”, disse Greg.

Mas há um problema que nem o time da Backyard Brains nem os estudantes conseguiram resolver: os ciborgues não podem ser controlados indefinidamente porque as baratas aprendem a ignorar a bateria fixada em suas costas depois de um tempo. Se a barata é devolvida à sua gaiola, ela obedecerá aos comandos do celular outra vez, mas o inseto para completamente de responder os sinais depois de alguns dias. De acordo com o site da Backyard Brains, quando isso acontece “é possível cortar os fios e devolver a barata à sua colônia, onde ela passará o resto de seus dias fazendo mais baratas para você”.

No começo dos anos 2000, na Universidade Estadual de Nova York, pesquisadores conduziram um experimento similar com camundongos, controlando os roedores por computador em vez de celular. Ao final do experimento, o time foi capaz de manobrar os ratos ao longo de vários obstáculos; o sinal para virar à esquerda era como alguém esfregando seus bigodes. Os camundongos eram constantemente recompensados, o que os deixava mais propensos a responder como o esperado. Mas isso não vai funcionar com baratas.

Entretanto, antes que a Backyard Brains possa consertar os bugs do produto, eles terão que lidar com o PETA. A notória organização em defesa dos direitos dos animais não ficou muito feliz com a ideia de cientistas usando celulares para controlar animais. Por e-mail, uma representante do PETA me disse que o Backyard Brains está tratando animais como “Legos”. Ela disse: “Desrespeitar formas de vida porque são pequenas, ou porque não entendemos ou apreciamos seu lugar no grande esquema das coisas, é errado. Isso é retrógrado e moralmente duvidoso”.

Greg entende por que esses experimentos enfurecem os ativistas e outros grupos contrários a testes com animais, mas acha que o problema é mais profundo – ele acredita que a oposição ao projeto deriva do medo de que “esses aparelhos possam ser usados em humanos”. Greg e o time da Backyard Brains acham isso ridículo.

No dia 1º de abril deste ano, eles anunciaram seu novo projeto: uma “sociedade” com universidades, igrejas e políticos interessados em usar esse tipo de “controle da mente” em humanos. O projeto custaria $25 milhões e levaria aproximadamente 40 mil anos para ser concluído.

“Acho que foi uma piada muito intelectualoide para que algumas pessoas entendessem”, disse Greg.

Mais sobre ciência:

As Críticas do Primeiro Hambúrguer Cultivado em Laboratório Não Foram Ruins

A Estranha Ciência da Coreia do Norte

Combustão Humana Espontânea

Tagged:
ciencia
PETA
cerebro
neurologia
Ciborgue
Robôs
animais
Vice Blog
roboroach
Backyard Brains
insetos
barata ciborgue
Greg Gage
Tim Marzullo
Universidade de Michigan
direitos dos animais
Rebeka Marcarelli