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Sexo

Como artistas pornô contornam as regras antinudez das redes sociais

Apesar de alguns serviços terem oficialmente proibido a veiculação de conteúdos adultos, é relativamente fácil encontrar pornografia no Twitter e no Snapchat, e essa tendência não parece que vai mudar.

por Amber Roberts
01 Agosto 2016, 11:00am

Ilustração por Joel Benjamin

Ilustração por Joel Benjamin.

Matéria original da VICE UK.

Você só precisa rolar um pouquinho pela conta no Twitter de Meana Wolf para tropeçar num vídeo em autoplay mostrando um pênis enorme. Wolf é uma atriz pornô de fetiche, então isso não é uma grande surpresa. O que parece estranho é que faz uns cinco anos que as pessoas começaram a cruzar com conteúdo adulto em sites de redes sociais que não foram criados primariamente para pornografia — e esse tipo de coisa ainda não foi derrubada. Do Twitter ao Snapchat, Whatsapp, Tumblr, Instagram — e até no LinkedIn — você acha pornografia em todas as plataformas sem restrição de idade.

Wolf diz que embora o Twitter seja útil para propaganda, ela usa a rede "principalmente para networking. Muitas vezes o Twitter é o principal ponto de contato entre artistas e produtores, e já conheci muita gente da indústria seguindo e por mensagem privada", ela diz, falando do Canadá. A plataforma também pareceu um bom lugar para começar para a triz pornô amadora Curious Clover.

"PlumperPass me abordou pelo Twitter e logo eu estava em Miami para minha primeira cena alguns anos atrás. Vou voltar lá em agosto e estou falando com outras companhias através do Twitter, então esse definitivamente é um bom jeito de fazer as pessoas notarem seu nome." Resumindo, o Twitter é uma grande ferramenta de marketing, mesmo não gerando dinheiro diretamente.

O site em si não paga os artistas, mas age como uma mola para que os consumidores conheçam e paguem por conteúdo em outros sites. Tanto Meana Wolf como Curious Clover tuítam um gif ou teaser de fotos assim que lançam uma nova cena, junto com um link. E como o editor de redes sociais de qualquer publicação online, depois elas tiram vantagem desses números.

"Desde que comecei a rastrear minhas postagens com um aplicativo que mostra de onde os cliques vêm, vi um aumento considerável de visualizações", diz Clover. "O Twitter me trouxe mais tráfego." Também é comum que camgirls tuítem avisando sobre seus próximos shows online, convidando os seguidores para clicar num link e ter gratificação instantânea. Clover diz que num show online normal, ela teria sorte de fazer $20 a $50, mas se tuíta sobre o show, ela consegue um retorno muito maior, mais de $100 por show.

Nos últimos anos, Clover diz que o Twitter se tornou "a principal plataforma para que as camgirls consigam postar conteúdo adulto e fotos explícitas sem problemas". Em comparação com plataformas como Facebook e Tumblr, o Twitter tem a reputação de ser tolerante com conteúdo pornográfico. Nos Termos de Serviço, o site diz não permitir mídias pornográficas no perfil ou na imagem do avatar, mas permite certas formas de conteúdo forte nos tuítes marcados como "mídia sensível".

Clover me conta que essa definição "normalmente pega quase todas as minhas postagens, mas nem sempre". Mesmo se um tuíte recebe a classificação de material sensível, todos os usuários ainda podem clicar em "visualizar" e ter acesso ao conteúdo. Clover diz que assim "a censura do Twitter não é realmente censura", e que na verdade ela gostaria de que houvesse uma forma mais eficiente de bloquear esse tipo de material, porque "o Twitter está ficando mais popular entre crianças agora. Quando penso na minha irmã, ela só tem 12 anos..."

O Twitter não respondeu meus pedidos de comentário, mas uma olhada rápida no histórico deles mostra que a censura não é o forte do site. Em 2009, eles sofreram críticas por publicar anúncios ao lado de perfis pornôs, que depois foram atacados por um hacker que espalhou um cavalo de Troia nos computadores dos usuários. Na verdade, num memorando vazado em 2015, o CEO da plataforma, Dick Costolo, declarava sua incompetência em censurar trolls e similares. "Somos péssimos nisso há anos", ele escreveu.

Isso acontece provavelmente porque, fora alguns sistemas de censura automatizados, o Twitter confia em crowd sourcing para denunciar a maioria do material sensível. O ônus de denunciar conteúdo forte fica para o público. Com o Twitter crescendo numa taxa exponencial, aplicar regras de maneira uniforme parece menos confiável. Tipo, quem se importa com flashes de bundas e peitos? Um pouco como as drogas legais, uma conta pornô pode mudar ligeiramente sua fórmula e passar pela rede.

"Meus fãs gostam de ver o que acontece nos bastidores. Eles querem sentir que você é como a vizinha deles, e não apenas alguém de quem eles compram pornografia; isso eles conseguem em qualquer lugar de graça." — Curious Clover

É assim também no Snapchat, em que centenas de artistas pornô e até empresas como o RedTube e o Brazzers já têm contas. Clover é uma das muitas atrizes pornôs cobrando por acesso ao seu Snapchat, seja uma taxa mensal, anual ou vitalícia. Nos Termos de Serviço, o Snapchat proíbe especificamente a venda de snaps sem a permissão escrita deles, o que não parece ter muita força.

"Eu costumava cobrar $10 por mês e $50 por uma assinatura anual — mesmo se as pessoas te acham, sem pagar, você pode bloqueá-las." Muitos artistas também têm listas de desejos e alguns só permitem o acesso ao seu Snapchat para quem comprar algo dessas listas. Listas de desejo podem conter de lingerie até um carro. Clover me diz que "a maior doação que recebi foi de um cara que me mandou um cheque de $5 mil para que eu pudesse comprar um carro". Realmente uma mão na roda.

Mas muitos artistas, incluindo Clover, decidiram deixar o acesso aos seus Snapchats gratuito. "É uma boa ferramenta de marketing", ela diz. "Tento equilibrar coisas da indústria pornô e coisas do meu dia a dia, porque meus fãs gostam de ver o que acontece nos bastidores também. Eles querem sentir como se você fosse a vizinha deles, não só alguém de quem eles comprar pornografia; isso eles conseguem em qualquer lugar de graça."

Essa parece ser a chave para fazer dinheiro na indústria pornô; Wolf concorda. "As maiores empresas de pornô querem ver o artista se conectando aos fãs, o que é algo grande hoje em dia. Por quê? Porque os caras não querem só se masturbar te assistindo, eles querem curtir suas fotos no Instagram e te conhecer através dos seus tuítes e snaps." Wolf diz que muitos fãs estão tentando criar um contexto emocional para seu desejo, que eles se sentem atraídos também pelos seus caprichos quando ela não está atuando. Wolf conclui que "quanto mais eles gostam de um artista, mais de sua presença nas redes sociais e vídeos eles vão querer consumir, e isso é extremamente vantajoso para as empresas pornôs vendendo assinaturas. No final das contas, é uma situação em que todo mundo sai ganhando".

Os artistas pornô estão sempre inovando, e enquanto as redes sociais se desenvolvem, a indústria do sexo está encontrando mais e mais maneiras de tirar vantagem delas. Com os sites pornôs representando 52% de todas as visualizações de internet no Reino Unido, está claro que a indústria do entretenimento adulto vai passar por todas as barreiras, mesmo com a restrição de idade online no caminho. Essa é uma ereção muito difícil de derrubar.

@amberroberts6

Tradução: Marina Schnoor

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