O saldo do racha entre PCC e CV em presídios pelo Brasil

Acre, Alagoas, Maranhão, Rondônia, Roraima e São Paulo são os estados que tiveram registros de fugas, ataques a ônibus, rebeliões e mortes.

|
21 Outubro 2016, 5:19pm


Foto: Beto Martins publicada originalmente aqui.

Fugas, rebeliões, queima de ônibus e mortes em presídios foram noticiados em diferentes estados brasileiros na última semana. O cenário de calamidade surge como resultado de presídios superlotados e o racha entre as duas principais facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e o Comando Vermelho, surgido no Rio de Janeiro.

No últimos dias, foram relatados distúrbios em prisões nos estados do Acre, Alagoas, Rondônia, Roraima, São Paulo, além de indícios do aumento da violência em presídios no Maranhão. Depois dos ocorridos, o ministro da justiça Alexandre de Moraes disse que o governo fará um esforço para julgar casos de cerca de 100 mil presos por crimes não violentos no país. A ideia do ministro com a ação é diminuir as superlotações relatadas em tantos presídios brasileiros.

Enquanto as ações não saem do papel, a violência se acirra. Abaixo, um apanhado geral do que aconteceu até esta sexta (21):

ACRE

Depois de uma série de homicídios nas ruas da capital Rio Branco — muitas delas com características de execução —, uma rebelião deflagrada dentro do maior presídio do Acre, o Complexo Penitenciário Francisco D'Oliveira Conde, terminou com quatro detentos mortos e 20 feridos. Segundo o secretário da Segurança do estado, Emylson Farias, as tentativas de homicídio tem ligação com a briga entre duas facções rivais. A rebelião no complexo prisional foi controlada na noite da quinta (20). Dois agentes penitenciários, porém, estão sendo investigados por fornecerem armas para rebelião.

ALAGOAS

Leia: "Distúrbios em Alagoas também evidenciam racha entre PCC e CV"

Quatro ônibus incendiados nas ruas de Maceió chamaram atenção para a superlotação da Penitenciária Masculina Baldomero Cavalcanti de Oliveira, que hoje comporta cerca de 1300 homens em um espaço destinado para apenas 300. Kleyton Anderson, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Alagoas (Sindapen), afirmou que a ação da queima de ônibus foi motivado por rixas entre as facções. "Há cerca de seis meses elas [as facções] estão brigadas e exigiram que o Estado as separasse em módulos diferentes em todos os presídios, isso aconteceu inclusive aqui em Alagoas", relata Anderson. "Hoje, na nossa configuração, quem é do CV fica junto, assim como quem é do PCC. Se colocar o de uma [facção] na mesma cela do outro, eles matam. Até os dias de visitas são separados." Desde a última segunda (17), não houve registro de mais ônibus incendiados .O Coronel Lima Junior, secretário de Estado da Segurança Pública de Alagoas, anunciou a identificação e transferência para o Presídio do Agreste, no município de Girau do Ponciano, de cinco presos ligados ao caso.

MARANHÃO

No final de setembro, depois de uma rebelião na Unidade Prisional de Ressocialização (UPR), em São Luís, além de ataques a ônibus e bancos, 700 agentes ocuparam a prisão. Para evitar novos confrontos, Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Sejap)dividiu presos de facções distintas por unidades.

RONDÔNIA

Oito presos morreram por asfixia depois que colchões foram queimados dentro de uma cela da Penitenciária Estadual Ênio dos Santos Pinheiro, em Porto Velho, na segunda-feira (17). O próprio secretário de justiça do estado afirmou que as mortes foram causadas depois do confronto entre facções em Boa Vista, Roraima.

RORAIMA

Na tarde do domingo (16), durante o horário de visita, dez detentos foram mortos em confronto entre facções na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo. Segundo autoridades locais, 100 familiares dos presos foram feitos reféns dentro da unidade durante o confronto. A rebelião foi controlada no fim da tarde daquele domingo com os parentes dos presos liberados pelo BOPE. Nesta sexta (21), cinco presos envolvidos na ação foram transferidos.

SÃO PAULO

Na segunda-feira (17), depois de uma rebelião, 55 detentos escaparam do Hospital de Custódia de Tratamento Psiquiátrico I "Prof. André Teixeira Lima", em Franco da Rocha, Grande São Paulo. Esta é a segunda grande fuga registrada no estado em um mês. Em outubro, 470 presos fugiram do Centro de Progressão Penitenciária (CPP), em Jardinópolis. Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou que 349 detentos foram recapturados.

Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter e Instagram.