Fotos dos U.S. Marshals em Ação

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Fotos dos U.S. Marshals em Ação

Tipo um filme de ação, só que de verdade.
18 Fevereiro 2015, 11:00am

No ano passado, publicamos algumas imagens do novo livro de Brian Finke, U.S. Marshals, sob o nosso guarda-chuva Crime Verdadeiro. Um tempo depois, ele fez uma exposição das fotos na ClampArt, uma galeria de nova fotografia de Manhattan.

Muitos livros de fotos têm saído ultimamente, mas esse realmente vale a pena: Finke se incorporou aos caras, enquanto eles realizavam batidas; logo, a narrativa resultante é quase a de um filme de ação. E o que pode ser mais cheio de suspense do que a imagem de uma mulher de olhar hostil, segurando uma arma numa cabine de avião cheia de fumaça? Conversei com Finke sobre como ele juntou tudo isso.

VICE: O projeto envolve um amigo de infância que se tornou Air Marshal, certo?
Brian Finke: Ele era um amigo do colégio que entrou no U.S. Marshals (o Serviço de Delegados dos EUA) em Houston. Eu tocava numa banda com o cunhado dele. Ele é o cara da capa do livro, e também há uma entrevista com ele. Fui até o escritório dele em Houston e consegui permissão para fazer um livro – acho que eles estavam abertos à imprensa por causa do reconhecimento que meu trabalho poderia proporcionar. Além disso, o livro saiu no aniversário de 125 anos dos U.S. Marshals.

Parece que a qualidade técnica é muito importante para você. Você usou câmera de filme ou digital?
Esse foi meu projeto de transição. Comecei com filme, mas, com o tempo, troquei para digital.

Foi difícil combinar os dois?
Não. Cortei todas as imagens em quadrados. Achei que isso dava uma maior formalidade. Também usei um flash que criava uma incerteza se a foto era real ou encenada. Meu interesse é jogar com a espontaneidade da reportagem: fazer imagens que pareçam mais formais e estruturadas do que imagens documentais normais. Gosto que minhas imagens questionem a realidade.

Você chamaria essa de uma série documental?
Eu me considero um fotógrafo documental. Gosto de trabalhar nessa tradição, mas às vezes dirijo um momento e às vezes só o capturo. Faço correções de cor e outras mudanças mínimas, mas não mexo nos pixels.

Você acha que está contando a verdade sobre essas pessoas, ou elas são só personagens que representam uma ideia que você está tentando passar?
Quando escolho recriar algo, é porque isso já aconteceu antes. Não peço que a pessoa faça algo que ela não faria normalmente, mas às vezes leva mais tempo para capturar a imagem que quero. Sempre tento ser fiel ao tema.

Muito do meu interesse em fotografar é tradicionalmente jornalístico em termos de tema, mas visto de uma maneira que não se adere ao estilo documental tradicional.

Desde que fiz essa série, tenho recebido muitos pedidos para fotografar histórias relacionadas a armas. A WIRED me passou um trabalho para fotografar John McAfee. Três dias depois de eu ter voltado para Nova York, ele fugiu quando foi acusado de matar seu vizinho em Belize.

Adoro fotógrafos como Eugene Richards, Eugene Smith e Gilles Peress. O trabalho da Magnum foi o que fez eu me apaixonar por tirar fotos. Adoro aquele tipo de tema, mas estou interessado num estilo menos tradicional.

Você acompanhou os delegados em chamadas reais. As pessoas que eles estavam investigando concordaram em ser fotografadas?
Eu nunca mostrava o rosto de ninguém. O projeto é sobre os delegados. Então, deixei os suspeitos de lado e as pessoas presas no anonimato. Mas vi as entranhas de todos os lugares aonde fomos.

Conte alguma coisa louca que aconteceu.
Eles estavam tentando prender uma mulher acusada de tráfico humano no norte de Los Angeles. Eles foram até um prédio de apartamentos, onde queriam achar uma prostituta. Ela estava usando um tomara que caia verde-limão e salto alto, e havia uma mesa de massagem e tudo mais. Os delegados têm um senso de humor muito sarcástico – acho que o trabalho deles seria muito pesado se eles não tivessem esse senso de humor. Uma delegada disfarçada estava fingindo morar no prédio e teve de deitar na mesa de massagem. Todos os delegados estavam fazendo piada sobre como a mesa era nojenta. Eles pediram a ela para vigiar a prostituta enquanto ela estava se trocando, porque ela era a única mulher do grupo. Ela saiu de lá e anunciou que tinha visto sua primeira prostituta nua.

Eles chegaram a te pedir para participar de alguma coisa?
Meu assistente e eu nunca influenciamos a situação, estávamos sempre no banco de trás. Quando eles invadiam algum lugar, estávamos bem atrás deles. Amo o que faço: estou sempre em situações únicas e em coisas novas. Às vezes, é demais, pode ser um pouco chocante. Mas é incrível ter essas vinhetas de mundos tão diferentes.

Como seu trabalho pessoal se encaixa no seu trabalho comercial e editorial?
Quando eu tinha acabado de sair da escola, eu costumava dar ideias de projetos para as revistas. Agora, não preciso esperar que as pessoas me financiem ou apoiem – posso ir lá e fazer.

Um projeto tende a levar a outro. Fiz um trabalho sobre comissárias de bordo, e isso me levou a fotografar para a campanha da Delta. Depois de fazer um projeto sobre esportes, peguei trabalhos comissionados pela Nike e por outras marcas esportivas. Para mim, é ideal quando os projetos se sobrepõem assim.

Seus projetos estão ficando mais "difíceis" com o tempo? Você está lidando com temas mais pesados ou violentos?
Tenho que realmente amar um projeto e estar honestamente interessado para embarcar nele. Tenho um interesse real em todos os meus temas. Um projeto tende a ocupar o lugar do outro. Meu próximo projeto se foca nas modelos de hip-hop e na produção dos clipes de que elas participam. Estou sempre caindo no buraco do coelho.

Veja mais fotos do Brian no site dele e compre o livro aqui.

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Tradução: Marina Schnoor