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10 perguntas que você sempre quis fazer para um lutador de MMA

“Na primeira vez que fui nocauteado, ao levantar, fui ao juiz e perguntei se ganhei.”

por Maria Christoph; Traduzido por Thiago “Índio” Silva
30 Agosto 2018, 7:24pm

 Foto: Simon Plestenjak 

Andreas Kraniotakes é PhD, autor de livros infantis e atual campeão dos pesos-pesados do German MMA Championship (GMC).

Sob a alcunha “Big Daddy”, o lutador de 36 anos começou sua trajetória no MMA em 2009. Agora, Kraniotakes é mais um entre os milhares de lutadores profissionais da modalidade espalhados pelo mundo, parte de uma indústria que se tornou um negócio multibilionário graças ao sucesso do maior evento da categoria, o Ultimate Fighting Championship (UFC).

Bati um papo com Kraniotakes para saber se ele gosta de mandar uns caras pro hospital, como é ser nocauteado e se vale à pena levar porrada na cara como ganha pão.

Nach dem K.O. des Gegners steht Kraniotakes in Siegerpose neben dem am Boden liegenden
Andreas Kraniotakes celebra o nocaute de um oponente. Crédito: Tim Leidecker

VICE: Você começou a lutar MMA só pra se meter em brigas legalmente?

Andreas: Seria tão ruim assim se fosse verdade? Se alguém quer brigar, entrar nessa de artes marciais pode ser uma boa válvula de escape. No meu caso, teve mais a ver com me conhecer, coisas como saber como eu reagiria em uma situação extrema como ser nocauteado. Graças ao MMA, descobri que eu sigo em frente, por mais que esteja ali beijando a lona.

Como é sensação de quebrar o maxilar de alguém?

Ainda não cheguei lá – fraturas assim não são tão frequentes. Usamos protetores, então teria que ser algo bem foda pra quebrar o maxilar de alguém. Agora traumatismo cranioencefálico, esse sim é um clássico dos nocautes. Já deixei uma galera de olho roxo e já quebrei uns narizes – o barulho de um nariz quebrando não é nada bonito. Fora isso, muitas vezes um oponente desmaia quando mando um mata-leão e eles não desistem rápido o bastante; entenda, a maioria dos mata-leões acaba por impedir a passagem de sangue e ar, deixando seu sistema em colapso, aí você desmaia. Mas se você largar cedo demais, o oponente volta rapidinho. Fora isso, só uns cortes e arranhões na maior parte do tempo.

Você se empolga quando uma vitória sua significa que alguém foi parar no hospital?

Olha, uma vitória sempre deixa a gente se sentindo bem, mas não com esses ferimentos. Já vi e participei de muitas lutas, mas nunca vi ninguém feliz da vida com os ferimentos horrorosos sofridos pelo oponente caído ali na frente.

VICE: Você começou a lutar MMA só pra se meter em brigas legalmente?

Andreas: Seria tão ruim assim se fosse verdade? Se alguém quer brigar, entrar nessa de artes marciais pode ser uma boa válvula de escape. No meu caso, teve mais a ver com me conhecer, coisas como saber como eu reagiria em uma situação extrema como ser nocauteado. Graças ao MMA, descobri que eu sigo em frente, por mais que esteja ali beijando a lona.

Como é sensação de quebrar o maxilar de alguém?

Ainda não cheguei lá – fraturas assim não são tão frequentes. Usamos protetores, então teria que ser algo bem foda pra quebrar o maxilar de alguém. Agora traumatismo cranioencefálico, esse sim é um clássico dos nocautes. Já deixei uma galera de olho roxo e já quebrei uns narizes – o barulho de um nariz quebrando não é nada bonito. Fora isso, muitas vezes um oponente desmaia quando mando um mata-leão e eles não desistem rápido o bastante; entenda, a maioria dos mata-leões acaba por impedir a passagem de sangue e ar, deixando seu sistema em colapso, aí você desmaia. Mas se você largar cedo demais, o oponente volta rapidinho. Fora isso, só uns cortes e arranhões na maior parte do tempo.

Você se empolga quando uma vitória sua significa que alguém foi parar no hospital?

Olha, uma vitória sempre deixa a gente se sentindo bem, mas não com esses ferimentos. Já vi e participei de muitas lutas, mas nunca vi ninguém feliz da vida com os ferimentos horrorosos sofridos pelo oponente caído ali na frente.

Foto: Artur Lik

Quão fodido está seu corpo?

Está até que bem se tratando de um cara envolvido com esportes competitivos há dez anos. Nós fazemos essa diferenciação de idade e tempo de ringue; há uma diferença entre quem começou aos 30 e quem tem 30 com 40 lutas no cartel. Um lutador capaz de bater bem e de aguentar porrada geralmente tem mais experiência no ringue que os outros. Boxeadores pesos-pesado atingem o auge beirando os 40 anos, então só vou cair fora quando não conseguir acompanhar os moleques e sentir que não estou mais melhorando.

Como ter levado tantas pancadas na cabeça te afetou?

Se eu fizer muitos treinos com sparring, percebo que nos dias seguintes é bem mais difícil pensar.

Como é ser nocauteado?

Você não sente muita coisa. A visão escurece e você acorda com uma leve amnésia. A primeira vez que fui nocauteado, levantei e fui perguntar do juiz se ganhei. Não fazia a menor ideia do que tinha acontecido; depois, quando vi o vídeo, notei que havia aberto a guarda e praticamente me atirei no punho do oponente. Já vi uns caras que acordaram e perguntaram quando a luta ia começar.

Você luta melhor quando está agressivo?

Acredito que as pessoas – independente de classe social, gênero ou origem – sejam naturalmente agressivas. Sem uma válvula de escape para essa agressão, problemas podem surgir. A adrenalina sobe muito em alguns, que até mesmo rugem dentro do ringue. Se isso os ajuda, tudo bem, mas comigo é diferente. Cada luta dura de três a cinco minutos se não for pelo cinturão, o que é tempo demais para ficar com raiva. Se alguém fica puto por dois minutos inteiros, bem, já era. Não preciso nem acertar o cara, basta dar um empurrãozinho. Agressividade cega e descontrolada deixa o oponente mais fácil de ser derrotado.

Matéria originalmente publicada na VICE Alemanha.

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