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Ilustração: Cassio Tisseo
A BANCA DE BOLSONARO

Azevedo e Silva: o militar que Bolsonaro não conseguiu ser

Na série que apresenta os ministros do presidente do Brasil, a VICE conta a história do dono da pasta da Defesa.
01 Fevereiro 2019, 3:35pm

Jair Messias Bolsonaro entrou para a Academia Militar de Agulhas Negras, o principal centro de formação de oficiais do exército brasileiro, em 1973. Lá conheceu um jovem que estava ali desde meses antes, um cadete carioca chamado Fernando Azevedo e Silva. Em comum entre os dois, o gosto pelos saltos de paraquedas. Mas, enquanto o hoje presidente da República teve apenas uma promoção como oficial da ativa, Azevedo foi em frente – e para cima. Capitão, major, coronel, general desde 2007, hoje é o ministro da Defesa, responsável pelas três Forças Armadas. Acima dele, só seu antigo colega.

Azevedo é apenas o segundo militar a ocupar o posto. Explica-se: durante quase um século de protagonismo na política brasileira, com alguns golpes e incontáveis levantes, o comando de cada uma das forças – Exército, Marinha e Aeronáutica – tinha status de ministério. Previsto desde a Constituição de 1946, o ministério da Defesa foi enfim criado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 1999 como uma forma de tirar o poder político das fardas. Mais ainda: a entrega do cargo a um civil era a prova de que os militares estavam no segundo escalão da hierarquia estatal – além disso, evitaria ciumeiras hierárquicas entre as diferentes armas.

A tradição manteve-se por quase duas décadas até fevereiro do ano passado, quando Michel Temer deslocou Raul Jungmann para a pasta extraordinária da Segurança Pública, criada junto com a inútil intervenção militar feita no Rio, e nomeou o general Joaquim Silva e Luna. Num governo cheio de generais em posições de comando, Bolsonaro flertou com o general Augusto Heleno, que preferiu os bastidores do Planalto e a chefia do Gabinete de Segurança Institucional, mas indicou Azevedo e Silva para o posto.

Não foi nenhuma novidade para ele estar próximo do poder. Como major, Azevedo e Silva foi nomeado por Fernando Collor como ajudante de ordens, ou seja, aquele faz-tudo que serve quase como sombra das autoridades. Ficou no posto em todo o mandato de Collor até setembro de 1992 e retornou depois aos quartéis para seguir sua escalada até o topo da carreira. Chefiou batalhões, acostumou-se à relação com deputados e senadores como assessor parlamentar do Comando do Exército, esteve na missão de paz no Haiti e comandou a segurança dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, como chefe do Comando Militar do Leste.

No ano passado, logo depois de ir para a reserva, o general Azevedo ganhou as manchetes por outra missão de bastidores: foi nomeado assessor por Dias Toffoli antes mesmo de ele assumir presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo era garantir uma interlocução entre a cúpula do Poder Judiciário e as Forças Armadas, relação que nem sempre foi das mais saudáveis ao longo da história da República. Vale lembrar, por exemplo, que meses antes, na véspera de o STF decidir sobre a prisão do ex-presidente Lula logo após o julgamento em segunda instância, o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, fez um tuíte em tom de ameaça velada que por pouco não causou uma crise institucional.

Discretíssimo, Azevedo e Silva até agora não fez nenhuma declaração polêmica – nem sequer usa o Twitter, o veículo preferencial do governo Bolsonaro. Participou do gabinete de crise após a tragédia de Brumadinho, mas não opinou publicamente sobre a colaboração dos militares israelenses nas buscas; não abriu a boca sobre as denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro, tampouco se posicionou no debate sobre liberar ou não Lula para o velório de seu irmão, Vavá.

Em sua posse, em 2 de janeiro, como bom subordinado ao antigo colega, Azevedo mais ouviu Bolsonaro do que efetivamente falou. Em breve discurso, disse que o Judiciário vinha cumprindo o papel de “catalisador da ordem nacional”. Sua missão principal parece ser manter as Forças Armadas em paz, de preferência longe de qualquer crise dessas em que o governo parece doido para entrar. Se possível, reduzir ao máximo a perda dos militares numa possível reforma da Previdência.

Nome: Fernando de Azevedo e Silva
Idade: 55
Ministério: Defesa
Formação: Oficial do Exército pela Academia Militar de Agulhas Negras
Partido: nenhum

Acompanhe os perfis de todos os ministros do Brasil na série A Banca de Bolsonaro . Novos textos às quartas e sextas-feiras.
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