O novo álbum do Muddy Brothers mistura blues, rock setentão, ocultismo e psicodelia

‘Facing The Sky (Backwards)’ é a investida da Läja Records para mostrar que nem só de hardcore-tosco-moleque resiste o underground em Vila Velha.

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29 Março 2016, 5:00pm


Foto: divulgação

O som cru e cheio de energia do Muddy Brothers, trio capixaba de rock setentão, chega com tintas de psicodelia inglesa em Facing The Sky (Backwards). Neste lançamento da Läjä Records, a sonoridade Delta Blues ainda permanece nas fissuras, mas os riffs espelham os climas próprios de bandas como Soft Machine, Andromeda e Cream. As letras, por sua vez, seguem equivalente mudança de paradigmas do álbum anterior, Handmade. É que as influências do blues do Mississipi, que já renderam letras mais pessoais no disco de 2013, agora dão espaço à temática ocultista e psicodélica. Formado por João Lucas (voz e gaita), Renato Just (bateria) e Will Just (guitarra e violão), o grupo fez o álbum em duas etapas. Uma parte foi gravada pelo baterista e pelo guitarrista ao longo de 45 dias num sítio de um amigo, em Linhares, norte do Espírito Santo. “Para fugir da pressão de um estúdio comercial e ter a liberdade de sair dali com o trabalho mais puro e honesto”, segundo o Will.

A outra metade do trabalho foi gravada com a banda inteira no Studio Sabotage, em Vila Velha, onde eles contaram com a participação do tecladista Dinho, do Figueroas, que criou e gravou o solo de sintetizador da música que nomeia o álbum. Durante as sessões foram adicionados teclados, definidas as melodias, e a letras, finalizadas. Então, o próprio Will caiu pra dentro da mixagem. Quanto à captação, nada de muita noia: apenas quatro canais e quatro microfones. Um toque que deixou o som mais harmonioso foi o modo como eles gravavam a bateria, sem ambiência, na varanda da casa do sítio. A microfonação, bem incomum para os dias atuais, dá ênfase à bateria como um instrumento completo, e não como peças separadas. “A busca pelo timbre foi intensa, passamos três dias só na microfonação”, conta Will Just. Timbres novos também foram experimentados com uma porrada de pedais de guitarra, baixo e voz, o que deixou a atmosfera bem encorpada.

A massa sonora produzida pelos instrumentos fundiu-se com os vazamentos nas faixas, som de pássaros, vento, essas coisas. Mas, segundo o guitarrista, isso não se trata de nenhuma brecha: “Decidimos não limpar nada, o som não foi editado digitalmente. Do jeito que veio a gente mixou e, depois, fizemos a master num gravador de rolo da Akai, de 1973. Daí o som começou a acontecer, aquela textura, aquele bacon que só o rolo dá!”. Ele conta que o gosto pelo rock e a estética dos anos 1970 serviu para aproximar os integrantes: “É algo que carregamos conosco desde a infância. Tínhamos outra banda antes, com uma sonoridade diferente e um baixista, mas só a partir da saída dele é que caímos na real sobre o que realmente sabemos fazer juntos, que é isso, o blues elétrico herdado do Delta.”

O lançamento oficial de Facing The Sky (Backwards) rola no próximo dia 8 de abril, quando o Muddy Brothers toca junto com Os Pedrero no Liverpub, em Vitória. Nesse show, a banda vai se apresentar pela primeira vez com baixista e tecladista. Uma mini turnê de divulgação em São Paulo e interior, com o pessoal do Lo-fi, está marcada para junho. Se liga nas datas:

2/6 – São Paulo – Casa do Mancha

3/6 – São José dos Campos – Hocus Pocus

4/6 – Bom Jesus dos Perdões – Rarozine Fest

5/6 – Campinas – Quintal do Gordo

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