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Seria Esta a Prova Final de Que o Rap Não Influencia o Crime?

O hip hop sempre foi apontado por muitos como força motriz no crescimento do crime e violência, mas isso não condiz com as estatísticas do Rap Research Lab.
24 Setembro 2014, 7:39pm

Poderiam a arte e o entretenimento influenciar de fato as ações de alguém? O aumento de ferimentos genitais relacionados à tortas de maçã após o lançamento de American Pie, e o fato de que certa vez usei uma jaqueta de couro após ouvir aos Sex Pistols por algumas horas sugerem que a mídia pode sim influenciar nosso estilo de vida. Mas será que a influência é tanta quanto nos levam a acreditar?

Dos dias em que Elvis era criticado por “causar sensações que não deveriam ser causadas em adolescentes” ao Limp Bizkit convencer todo mundo que tudo bem andar com uma corrente de carteira no bolso de trás, a música há muito é vista como grande influência nos jovens. O hip hop – apesar de influenciar a maior parte da cultura moderna como a conhecemos – sempre obteve reações negativas. A subcultura foi apontada por muitos como força motriz no crescimento do crime e violência; noticiários chamavam o rap de “vangloriação em busca de autoafirmação“ e o break de “guerrilha ritual”. Duas décadas depois, a visão negativa continua, colocando a cultura hip hop no papel de influência danosa à sociedade ao invés de produto direto de uma sociedade que não deu certo.

Mas as concepções das pessoas sobre o hip-hop seriam verdadeiras? Elas escutam um disco de rap e depois saem pra cometer um crime?

O Rap Research Lab – fundado por Tahir Hemphill – trabalha em um banco de dados definitivo e pesquisável de letras de hip-hop. Usando as letras, o estudo feito por Emmanuel Kohdra, integrante da instituição, comparou as menções de crime no rap a índices de criminalidade. E o que ele descobriu? A falta de uma correlação, é claro.

“Após a persistente cobertura da mídia sobre as letras de rap serem usadas como evidência em julgamentos, decido que seria benéfico mapear os crimes mencionados nestas músicas e cruzá-los com índices de criminalidade no país”, consta no relatório. “Os dados mostraram pouquíssima correlação entre os crimes nas letras e suas contrapartes. Por exemplo, uma queda significativa na criminalidade entre 1993 e 1995 é notada facilmente, enquanto as menções ao crime no rap só aumentaram no período”.

Poderia isto dar fim à publicação de artigos como este? Provavelmente não, mas vale a sua leitura mesmo assim. Dê uma olhada aqui e observe o gráfico abaixo.

Tradução: Thiago “Índio” Silva