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Os Manuscritos dos seus Artistas Favoritos, Vol. 3

O S2 do Tom Jobim, a firmeza do Emicida e a letra de uma música do Jaloo que ainda nem foi lançada estão na nossa terceira compilação.
22 Abril 2015, 7:45pm

Já tem duas semanas que estamos explorando cadernos e rascunhos de alguns dos nossos artistas favoritos para descobrir se os versos brotaram de uma caligrafia firme ou tremida, alinhada à direita ou à esquerda, com rabisco na lateral ou rasura. Você viu que o Mano Brown compôs em um caderno do Star Wars e que a letra do Cartola é tão delicada quanto a melodia de “As Rosas Não Falam”. A gente simplesmente ama conhecer a origem dessas letras de música e pensar o caminho que elas levaram até se tornarem ideia fixa em nossos ouvidos. Fuçamos mais de uma dezena de cadernos e descobrimos que isso já virou um vício. Tem mais nessa semana, lembrando que todos os manuscritos foram gentilmente cedidos pelos artistas e suas famílias:

Comecemos com o mestre Tom Jobim, que obviamente dispensa apresentações. Nesse manuscrito gentilmente cedido pelo Instituto Antonio Carlos Jobim, vemos a letra de "Vou te Contar", que nada mais é que a música instrumental "Wave" acrescida de letra em português. O título em português, inclusive, foi sugestão de Chico Buarque:

No original de “Eu Tive um Sonho”, do Kid Abelha, a Paula Toller escreveu que era preciso fechar os olhos “pra não morrer e ficar tudo bem”. Na gravação, a letra, também assinada por George Israel, ficou “pra não morrer e não me machucar”. Definitivamente ficamos intrigados com esse "x" no canto esquerdo superior:

“Ah! Dor” é um aperitivo do novo disco do Jaloo, que ainda não tem data de lançamento. O Jaime Melo nos confidenciou que essa é uma das faixas mais tristes do álbum, uma lembrança amarga, mas única, de um amor que se foi.

Continua abaixo

“Emicídio”, lançada em 2010, é praticamente um manifesto de apresentação do paulistano Emicida, e deixa bem claro o tom contestador/dedo na ferida que conhecemos dele. A caligrafia é cuidadosa e com poucas rasuras:

“Praia da Bosta”, do Mukeka di Rato, foi originalmente composta em 1997 pelo Mozine como “Praia Vala”. A música entrou no disco Gaiola, de 1999, e esses "íííí-úúúú" do manuscrito são particularmente bacanas:

Encerramos esse nosso terceiro volume dos manuscritos com o jorro emotivo do Di Ferrero, do NX Zero. Falta pouco mais de um mês para essa letra de "Razões e Emoções" completar nove anos - sim, estamos bem velhos!

Veja as matérias anteriores de #aletradaspessoas:
Os Manuscritos dos seus Artistas Favoritos, Vol. 2
Os Manuscritos dos seus Artistas Favoritos, Vol. 1