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Noisey

Chora, Fio: Ouça Com Exclusividade “Alto Zé do Pinho”, Som Inédito do Sabotage com o Instituto

Música faz parte do 'Violar', álbum do coletivo paulistano que será lançado virtualmente na sexta (16).

por Peu Araújo
15 Outubro 2015, 2:43pm


Sandrão e Sabotage no Cemitério. Acervo do Alexandre De Maio, originalmente publicada nesta matéria aqui.

O Sabotage morreu há 12 anos, na altura do número 1800 da Avenida Abrão de Morais, no bairro da Saúde, Zona Sul de São Paulo. Os quatro tiros nas costas calaram um dos mais cabulosos nomes do rap brasileiro. Foi pesado.

Mas se você acha que a carreira do rapper parou em 2003 junto com sua morte está quadradamente enganado. A parceria com o Instituto, estabelecida com a participação do Sabota no álbum Coleção Nacional, de 2002, e na trilha sonora e elenco do longa metragem O Invasor, também lançado naquele ano, entre outras pérolas, continua mais viva do que nunca. Hoje, com exclusividade no Noisey, soltamos a faixa “Alto Zé do Pinho”, segundo som póstumo oficial do MC com o Instituto, Nação Zumbi e Otto. Ouve aí:

“A gente tem um cuidado muito grande com os fãs do Sabota, que podem reclamar que o disco não tá pronto e estamos soltando essa faixa fora do álbum. Tem uma explicação pra isso. Nós e os filhos do Sabotage tomamos essa decisão juntos, esse som é um blues, não é um rap. Não é um som que ele faria sozinho. Eles [os familiares] que falaram. ‘Tira do álbum dele e coloca no de vocês’. Não foi uma decisão esperta nossa”, explica Tejo Damasceno, membro do Instituto e um dos produtores do álbum Violar, que será lançado virtualmente sexta (16).

“Alto Zé do Pinho” traz o cantor numa versão rara. Cantando um refrão, quase mantra, com falsete e voz aguda em homenagem à capital pernambucana. “Recife, Alto José do Pinho. Recife Antigo, José do Pinho. Recife, Alto José do Pinho. Meu pai dividiu o pão e o vinho. Recife, Alto José do Pinho. Eu vi meu pai dividir o pão e o vinho”. Na sequência Sombra, peça rara no rap, emenda umas linhas preciosas e o segundo refrão recebe ainda o sotaque carregado de Otto. O instrumental recebe quase toda a Nação Zumbi. Pupillo na bateria, Lúcio Maia na guitarra e o vocalista Jorge du Peixe nos teclados e Gilmar Bola 8 na percussão.

Tejo explica como rolou a música. “Essa faixa ele gravou na casa do Quincas Moreira, que até assina o baixo acústico. O som era só ele e o baixo. Foi uma brincadeira que ele fez depois da nossa ida ao Recife, lá nós ganhamos o prêmio de melhor trilha sonora do Festival (de Cinema) do Recife com o Invasor. O Sabotage nunca tinha ido pro Pernambuco e adorou estar na terra do Chico Science, ele gostava mesmo do Chico. Ele voltou, se empolgou, foi pra casa do Quincas e fez esse som”.

Depois de um hiato de 13 anos, o Instituto volta à cena. Neste período o coletivo paulistano produziu trilha sonora para 15 filmes, oito séries, além de produções de discos como o do Turbo Trio, do 3 na Massa, entre muitos outros. A história de Violar começa na primeira vinda ao Brasil do baterista nigeriano e lenda vivíssima do afrobeat, Tony Allen, em 2004. "A gente passou a tarde gravando com ele. No que acabou a gravação falamos: ‘Temos um começo de disco’”, conta Tejo. Além de Tony Allen, Sabotage, Otto e Sombra, o disco conta mais algumas dezenas de artistas como Lanny Gordin, Karol Conká, Tulipa Ruiz, Curumin, Kiko Dinucci, Thiago França, Juçara Marçal e grande elenco.


Capa do álbum Violar

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