Publicidade
Music by VICE

Os Manuscritos dos Seus Artistas Favoritos, Vol. 2

Acompanhe a segunda parte da nossa série de letras de música originalmente escritas a mão pelos artistas.

por Amanda Mont’Alvão Veloso
15 Abril 2015, 2:00pm

Você viu na semana passada que a nossa nerdice por música fez com que corrêssemos atrás dos garranchos e caligrafias bonitas que deram origem às letras de música de artistas que amamos e/ou importam para o mundo de alguma forma. Foi aí de que descobrimos que o Mano Brown tem um caderno do Star Wars, e que o Nenê Altro, do Dance of Days, riscou, para todo o sempre, algumas linhas de "Comerciais de Cigarro". Teve rabisco, alinhamento à direita, alinhamento à esquerda, justificado, tremedeira, tem firmeza, ponto final enfático e timidez na pontuação, e a nossa apropriação daquela recente modinha de Twitter e de Instagram do #aletradaspessoas está apenas começando.

Começamos esse volume dois da nossa série com emoção e um baita orgulho. A família da Cássia Eller gentilmente nos disponibilizou essa bela e delicada caligrafia da cantora, que nos deixou em 2001. Esse caderno com a transcrição de uma letra do Renato Russo é simplesmente um arrombo no coração. A música “1º de Julho” foi composta em 1994, especialmente para a Cássia. Mais tarde, em 1996, a letra foi lançada na voz de Renato Russo, no disco A Tempestade, do Legião Urbana.



Você imaginaria que o grande, o inigualável, o ícone Cartola tivesse uma caligrafia tão preciosa quanto essa? "As Rosas não Falam", composta em 1976, nasceu do espanto da Dona Zica, mulher do compositor, diante das inúmeras rosas que desabrocharam a partir de um ramalhete plantado no jardim. Ela perguntou a Cartola o que tinha acontecido, e dele recebeu a resposta de que não sabia, já que as rosas não falavam. A música saltou da história cotidiana de um casal para o rol de clássicos incontestáveis da música brasileira. O Centro Cultural Cartola/Museu do Samba gentilmente nos cedeu essa imagem, e aqui ficamos babando diante dela:



Eis a letra do Jair Naves para “5/4 (Trovões Vêm me Atingir)”, tirada do semi homônimo e mais recente disco dele. Os versos intimistas foram escritos em setembro de 2014, nos intervalos das gravações no Estúdio El Rocha, em São Paulo. O Jair nos contou que o ambiente de gravação é bem inspirador:

O Don L participou da música “Special”, do segundo disco dos cariocas da Cone Crew, Com os Neurônios Evoluindo, e nos cedeu o original desta bela combinação de português e inglês. Essas rasuras dão o charme do manuscrito:

Se tem movimento riot grrrl no Brasil, o mérito é das Dominatrix, de São Paulo, que desde 1995 vêm fazendo barulho contra a hegemonia masculina na música. Essa é a letra de “Vai Lá”, composta em 2007 como um protesto contra comediantes misóginos no Brasil, como nos contou a fundadora Elisa Gargiulo. A música faz parte do EP Quem Defende pra Calar, de 2009:



“Desconfio” é a música que abre os trabalhos do terceiro disco do CPM 22, Chegou a Hora de Recomeçar, de 2002, e foi um verdadeiro hit nas rádios e nos corações dos hardocorers melódicos dos anos 2000. Um ano depois, o álbum vendeu mais de 100 mil cópias, garantindo o disco de ouro. Dá uma olhada na letra do Badauí:



Veja como foi a estreia de #aletradaspessoas.