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Rimas e Melodias é o grupo de cypher só de mulheres

Mayra Maldijan e Tatiana Bispo se juntaram a Drik Barbosa, Karol de Souza, Stefanie, Tássia Reis e Alt Niss num clubinho de slowjam entoando sons de minas para minas.

por Victor Apolinário
25 Maio 2016, 7:58pm

No melhor do estilo cypher — o encontro de MC's em rimas conjuntas, como as rodas de freestyle, com versos que podem (ou não) ser de improviso —, algumas das minas conhecidas do rolê hip-hop no Brasil, como a DJ Mayra Maldjian e a rapper Tatiana Bispo, sentiram que estava na hora de desacelerar o flow e cantar mais próximo do ouvido e coração.

Foi com essa ideia e a partir desses encontros que nasceu o coletivo familiar das minas chamado Rimas e Melodias, que reúne num casting de peso nomes como Drik Barbosa, Karol de Souza, Stefanie, Tássia Reis, Alt Niss além da Tatiana e da Mayra.

"Sempre curti muito rap, R&B e neo soul e estou envolvida com as mulheres no rap desde 2008, quando comecei a tocar”, diz Mayra. “Eu participei de uma crew de DJs, a Applebum, e sempre achei legal esse rolê de uma mina ajudar a outra, principalmente no hip-hop, que é um movimento muito dominado por homens". E se a sororidade já estava rolando, foi fácil pras minas criarem um projeto. "Pensamos em criar umas "live sessions" com as meninas cantando e algumas rimando. Começamos a agitar isso entre nós. Só vemos as minas rimando e nenhum projeto com minas que cantam r&b e "neosoul"; decidimos nos juntar pela música", completa Mayra.

A proposta, conta Karol Souza, é reunir em vídeo as cantoras e MCs que têm carreira solo mas que já fizeram parcerias. Nos encontros, que rolam sempre com um roteiro aberto, como uma jam feita na garagem e o microfone aberto, cada uma traz seu repertório sempre fortalecendo os beatmakers nacionais, como na faixa “Remember the Time”, remixada pelo DJ Duh, som que pertencente ao EP Michael Jackson Vive, lançado em 2013. "O cypher começa com a Drika, depois cola a Karol e eu fecho, cada uma com uma leitura desse som. Essa track me traz boas memórias, tanto que minha parte escrevi pensando nos meus pais e na história deles." conta , emocionada, Tássia Reis. "As letras são de conteúdo particular, mas é comum que uma se identifique com as questões retratadas pelas outras, já que somos todas mulheres e pretas vivendo de arte no Brasil." completa, MC Karol de Souza.

Em uma semana de cypher, o Rimas e Melodias já colocou no ar quatro vídeos e as minas terminam esse primeiro ciclo do coletivo com um EP e uma série de shows, algo que estava longe dos planos iniciais. "A ideia agora é a gente fazer alguns shows. No começo não imaginamos, mas surgiram alguns convites e o que mostra que o rolê está dando certo numa velocidade que não esperavámos" diz Mayra.

Gravado por Moah Buffalo, um grande apoiador do projeto, o coletivo Rimas e Melodias comemora nesta sexta-feira (27), o lançamento deste primeiro compilado de refêrencias embebidas em empoderamento feminino na festa que rola na Casa Brasilis, em São Paulo. Aproveite e conheça um pouco mais do trampo de todas elas, porque o lance só começou, IMBICA!

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