Identidade

Um guia do edging – a arte de conseguir orgasmos extremamente intensos

Quanto mais você se segurar, mais intenso o orgasmo pode ser.
13 Março 2020, 12:10pm
edging
Foto por Alexey Kuzma, via Stocksy.

Já gastaram muita tinta tentando ajudar o pessoal a experimentar ORGASMOS MAIORES E MELHORES, com dicas que vão do normal (vendas, mais preliminares) até, sabe, criativo (“ Coloque uma rosquinha no pau dele!”) Mas uma coisa muitas vezes esquecida nesses guias de sexo é a técnica simples e muito eficiente conhecida como edging.

O que é edging?

Para não confundir com o termo de manutenção de gramados que também leva esse nome, edging é uma técnica para se levar (ou levar outra pessoa, ou os dois juntos!) até o limite antes do orgasmo, aí parar. Repetir isso algumas vezes faz o corpo a se transformar num nervo gigante e pulsante de sensações; e seu orgasmo, se e quando você se permitir, será muito mais intenso e poderoso.

Edging também é conhecido como “peaking”, “surfing”, “treinamento de orgasmo”, “negação de orgasmo” e “paradinha”, e compartilha semelhanças com a “masturbação lenta” do livro Os Prazeres do Sexo de Alex Comfort e a técnica “Venus Butterfly” em The One Hour Orgasm de Leah e Bob Schwartz.

A técnica também pode e é usada para ajudar pessoas com pênis a controlar a ejaculação, no que às vezes é chamado de “método parar e começar”.

Fato! Para complicar um pouco as coisas, edge play, que não tem nada a ver com edging, é um termo do BDSM que envolve levar alguém ao limite psicológico. Edge play pode variar muito, mas geralmente é algo muito tabu, intenso, emocional, às vezes violento, mas altamente erótico. (Um exemplo e asfixia erótica, que restringe o suprimento de ar de alguém.) Cada pessoa tem um limite, então cada edge play é diferente. Mas, esse é outro tópico para o How to Sex!

Quais as vantagens do edging?

Orgasmos melhores não é o suficiente pra você? Tudo bem. Aqui vão mais vantagens.

Pra quem tem pinto, o apelo do edging muitas vezes é que encontros sexuais podem durar mais tempo. (A duração média do sexo pênis na vagina é de 5,4 minutos, segundo um estudo de 2015 no Journal of Sexual Medicine.) Não gozar também significa que o período refratário não é necessário, então o cara tem menos chance de cair no sono enquanto o parceiro ou parceira só queria “gozar uma vez no ano, Carlos!”.

Além de viver o sonho Boyz II Men de transar a noite inteira (ou só um pouco mais de 5,4 minutos), o edging atrai as pessoas porque permite ficar num estado aumentado de excitação. Ir aumentando a excitação de alguém também permite que quem tem vulva vá se aquecendo, e aumenta a chance delas terem seu próprio orgasmo – se o parceiro decidir que ela merece, né, seus safadinhos.

Como usar o edging no BDSM?

Em se tratando de fetiche, doms e subs também praticam o edging, mas com elementos adicionais de controle psicológico e físico para praticar o atraso ou negação da pessoa ou do/a parceiro/a gozar. A excitação aumentada ainda se aplica, mas com um toque de dinâmica de poder para apimentar as coisas.

Pra quem é dom, edging o parceiro pode aumentar suas sensações de poder e controle – mas também funciona ao contrário. Dominantes que querem testar seu controle do corpo e desejo também pode praticar o edging. Para os submissos, o edging pode aumentar sentimentos de submissão, objetificação consensual e rendição.

Levando as coisas um passo além, do edging para a negação total de orgasmo, isso pode ser usado pelos doms para aumentar a tolerância dos subs para certos tipos de estímulo, atos como tortura erótica (cintos de castidade, gaiolas penianas, algemas, etc.), e até para treinar alguém para gozar sob comando, o que não é só um truque divertido para mostrar nas festinhas.

Quanto tempo devo fazer edging antes do orgasmo?

Depende de você, bicho!

Se não tem um dom habilidoso à disposição, você pode praticar o edging sozinho/a através da masturbação. Conhecer seu corpo e como ele responde a sensações, pressões e ritmos é muito útil não só para edging, mas qualquer atividade sexual. Como diz o antigo ditado grego: “Conheça a si mesmo”. E, considerando que esse pessoal era grego, podemos supor que eles estavam falando sobre masturbação mesmo.

A abordagem básica para ediging envolve se masturbar até sentir que pode gozar, parar por um tempinho, mas não tanto ao ponto de perder o interesse até, sei lá, entrar no Instagram, e começar de novo. Repita isso algumas vezes para ver como você se sente, não só os genitais, mas o corpo todo. Quanto mais você treinar, mais você descobre quanto tempo aguenta, e mais explosivo o orgasmo será.

Pra quem tem pau, outro método é o de “apertar”. Isso envolve chegar até o limite, e quanto estiver prestes a gozar, parar e apertar a ponta do pênis por uns 30 segundos, aí recomeçar.

O edging é uma boa pra você?

Ciência de verdade sugere que o edging tem benefícios de saúde. Mas, vivendo numa cultura orgasmo-cêntrica, focar em objetivo em vez de prazer pode gerar muita ansiedade, vergonha e até orgasmos fingidos. Aposto que isso contribui para o alto número de pessoas anorgásmicas (quem tem muita dificuldade pra gozar), ou que não nunca tiveram um orgasmo (10 a 15% das mulheres nunca gozaram, segundo uma pesquisa). Tirar o orgasmo da mesa, mesmo por um curto período, pode libertar a pessoa do fardo e dever do sexo até o fim e permitir focar no prazer, diversão e em saborear as respostas eróticas do corpo do mesmo jeito que fazemos com uma refeição de vários pratos. Radical.

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