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Como É Morrer na Cadeira Elétrica

É exatamente como você suspeitava, horroroso.

por Grace Wyler
27 Maio 2014, 1:14pm

A cadeira elétrica da Unidade Correcional de Sing Sing, Nova York. Foto cortesia de Wikimedia Commons

Está cada vez mais difícil executar um condenado à morte nos EUA. Ao enfrentar uma escassez nacional de drogas para injeção letal, os estados norte-americanos vêm tentando imaginar uma alternativa para continuar executando prisioneiros sem criar mais controvérsia sobre os métodos de punição capital. E o Tennessee acredita que achou a solução: trazer a Old Sparky de volta.

Na semana passada, o governador republicano Bill Haslam aprovou uma lei que permite que o estado eletrocute os condenados se a administração da prisão não conseguir adquirir as drogas da injeção letal. Isso tornou o Tennessee o primeiro estado norte-americano a trazer de volta a cadeira elétrica sem oferecer aos prisioneiros no corredor da morte nenhuma outra opção. “Acho que os legisladores sentiram que precisávamos ter algum tipo de alternativa, no caso de as drogas para a injeção letal não estarem disponíveis”, disse Haslam na sexta-feira.

A lei, que foi aprovada pela maioria dos legisladores do estado, chegou num momento em que surgem várias questões sobre a humanidade e a efetividade da injeção letal, o método preferido de execução nos 32 estados que ainda aplicam a punição capital. A seca das drogas da injeção letal forçou os governos a experimentar coquetéis que ainda não tinham sido testados, obtidos através de transações obscuras. E os resultados podem ser desastrosos, como aconteceu na execução fracassada de Clayton Lockett em Oklahoma no mês passado.

Como Philip Bump do Washington Post apontou, o uso da cadeira elétrica não é novidade – esse foi um dos métodos mais comuns de execução nos EUA na maior parte do século 20. Sete outros estados ainda oferecem essa opção aos detentos, e a última vez em que o método foi usado foi em janeiro de 2013 na Virgínia.

Claro, há uma razão para a maioria dos estados ter aposentado a cadeira elétrica: a eletrocussão é uma maneira complicada e horripilante de matar. “Basicamente, o prisioneiro é mutilado”, disse Deborah W. Denno, professora de Direito da Universidade Fordham, especializada em métodos de execução. Curiosa para saber que destino aguarda os 74 prisioneiros no corredor da morte do Tennessee, pedi a Denno para explicar como, exatamente, a cadeia elétrica funciona.

Segundo ela, o processo começa com o condenado tendo a cabeça e parte das pernas, geralmente perto dos tornozelos, raspadas, reduzindo a resistência do corpo à eletricidade. Em seguida, o prisioneiro é amarrado à cadeira pelo peito e pernas, e um capacete de metal com eletrodos – “parecido com um quipá”, explicou Denno – é colocado na cabeça dele por cima de uma esponja molhada. Então, o executor coloca um saco na cabeça do condenado e liga o interruptor.

Como a pessoa morre de fato não está totalmente claro, de acordo com a pesquisa de Denno, mas as mortes na cadeira elétrica são uma combinação de asfixia e parada cardíaca, e o sistema nervoso em geral é paralisado. O corpo tensiona – às vezes, de modo violento – e o condenado pode defecar. Fumaça e vapor sobem do corpo, provavelmente porque o sangue está fervendo. A temperatura sobe tanto que a carne desgruda quando alguém toca o corpo mais tarde, e o condenado geralmente apresenta queimadoras de terceiro e quarto graus sob o capacete. Perguntei a Denno se os olhos realmente saem para fora do crânio. “Às vezes os olhos podem sair”, ela disse. O corpo também pode sangrar por causa da pressão do tecido expandido. “É horrível, é como se o corpo estivesse realmente cozinhando”, disse Denno.

A antiga cadeira elétrica usada no Texas, que tem a maior taxa de execuções dos EUA. Hoje, o estado só utiliza a injeção letal. Foto cortesia de Wikimedia Commons

E isso acontece quando a execução dá certo. Se o processo falha, disse Denno, o resultado pode ser ainda mais horrendo. Em duas execuções na Flórida nos anos 1990, por exemplo, o saco na cabeça dos prisioneiros pegou fogo porque os oficiais da prisão usaram esponjas erradas. Em outro caso particularmente chocante, a execução de Allen Davis na cadeira elétrica em 1999 deu muito errado, deixando o condenado com o rosto desfigurado por queimaduras e coberto de sangue que saiu pelo nariz. Evidências mostraram que Davis foi parcialmente asfixiado por uma correia que o prendia à cadeira pela boca, segundo a pesquisa de Denno.

Mas o pior que pode acontecer é quando o condenado não morre depois dos primeiros minutos na cadeira elétrica. “Os fracassos geralmente acontecem devido a problemas na corrente elétrica”, disse Denno. “Quando isso acontece, o condenado não morre no primeiro choque – a eletricidade pode ser extremamente dolorosa, mas não forte o suficiente para matar a pessoa. O condenado pode queimar até a morte, consciente do que está acontecendo e incapaz de gritar.”

Diante desses casos, não é de se estranhar que os estados norte-americanos tenham decidido abandonar a cadeira elétrica e adotar a injeção letal, um método de execução que, na época, parecia mais evoluído – claro, injetar um coquetel de químicos tóxicos numa pessoa também apresenta vários problemas. “O mais estranho é que, ao mesmo tempo em que passamos para esses métodos modernos de execução, eles foram se tornando ainda mais bárbaros”, disse Denno.

Mas os oficiais prisionais do Tennessee não parecem preocupados. “Estaremos prontos quando for preciso” usar a cadeira elétrica, disse o comissário correcional do estado, Derrick Schofield, na sexta-feira. “Acreditamos que os procedimentos que temos aqui para testar o equipamento vão fazê-lo funcionar.”

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Tradução: Marina Schnoor

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