Publicidade
Interviews

Jonhyelson Quer um Golpe Militar, Tortura e Ditadura

"Não é tortura. É a defesa da família. É uma ditadura para perseguir comunistas, ladrões e traficantes, protegendo a família pelos preceitos cristãos. É Deus, pátria e família."

por João Paulo Charleaux
01 Abril 2015, 3:21pm

Crédito: Reprodução/Facebook.

Enquanto os deputados federais aprovavam a redução da maioridade penal dentro prédio da Câmara, ontem, em Brasília, Jonhyelson Pimentel e seus amigos defendiam, do lado de fora, um golpe de Estado, "já". O empresário manauara de 41 anos entrou hoje no quinto dia de protesto na frente do Congresso Nacional, onde promete ficar "por tempo indeterminado".

Um dia antes de o golpe militar de 1964 completar 51 anos, o empresário via o sol se pôr na capital federal, sonhando com o dia em que o governo volte a arrancar unhas e dentes com alicates, prender eletrodos no saco escrotal de dissidentes, enfiar ratos e outros insetos por narizes, bocas, ânus e vaginas de prisioneiros. Para ele, isso "não é tortura. É a defesa da família" contra "comunistas, ladrões e traficantes".

Na terça-feira, circulavam na área de desembarque do aeroporto de Brasília alguns colegas de Jonhyelson vestindo camisetas brancas com emblemas militares e os dizeres "S.O.S. Forças Armadas". O grupo se articula pelo Whatsapp e pelo Facebook, realiza, grava e transmite debates em vídeo pela internet e reúne milhares de "seguidores" nas redes sociais, propondo com frases curtas e assertivas uma saída para a crise política do Brasil: um novo golpe militar.

Vocês não pensaram antes em lutar por mudança nas regras de financiamento de campanha, reforma política, em vez de pedir a volta da ditadura?
Nós já sabemos onde vai dar todo esse processo da reforma política. Quando a população pede impeachment, a mídia fala em reforma política, mas nós não pedimos reforma política porque sabemos que não há relação de confiança para uma reforma política, uma vez que esse governo negocia através de propina institucionalizada e faz o que bem entende.

Quando tempo duraria a intervenção que você defende?
Sabemos que o processo pode ser demorado ou pode ser um processo curto. Hipoteticamente, poderia durar 90 dias e chamar novas eleições, mas sabemos que esse prazo é hipotético porque ele pode demorar um ano, pode demorar 10 anos. Dependendo da relação de insurgência, de revolta, de milícias como o MST (Movimento Sem Terra) e grupos paramilitares que estão adentrando o território da nossa nação.

Você representa quantas pessoas?
Temos grupos pelo Whatsapp e páginas no Face em todo o Brasil. Só num grupo eu tenho 4 mil pessoas. No meu Face pessoal, tenho outras 4 mil pessoas e sou coligado a outros grupos de Whatsapp e Face no Brasil inteiro.

Como se chama o grupo?
Um dos grupos se chama Movimento Brasil Melhor.

Você não teme que crimes como a tortura, que aconteceram durante a ditadura, se repitam?
É uma pergunta perfeita. Eu me sinto um privilegiado de poder responder. Vou fazer uma explicação figurativa para ser mais simplificado: você está na sua casa e entra um ladrão para estuprar sua esposa e sua filha, te estuprar, te bater, enfim uma série de situações. Você vai defender sua família. Você já não tem mais arma pra isso, mas, por obra do destino, você consegue brigar com o ladrão, pegar um porrete e bater nele. Quando a polícia chegar lá, o ladrão vai dizer que foi torturado. Não. Você defendeu a sua casa. Esse é o paralelo. O Brasil é nossa casa. As Forças Armadas defendem a família. Não há tortura. Há a defesa da família. Quem foi o invasor? Foi o comunista. Através de quem? Através da Rússia e da China.

Mas nós nem estamos em Guerra Fria. Você não acha isso traumático?
Vou fazer outra analogia: o Brasil está doente, o Brasil tem um câncer. Há apenas duas opções: ou passa um remédio, que é o impeachment, ou faz uma cirurgia. Toda cirurgia é traumática.

O trauma é inevitável?
É.

E isso significa repetir a tortura, que você está chamando de outro nome.
Não é tortura. É a defesa da família. É uma ditadura para perseguir comunistas, ladrões e traficantes, protegendo a família pelos preceitos cristãos.É Deus, pátria e família.

É uma ditadura religiosa?
Somos cristãos desde a colonização.

Você não se preocupa de defender uma coisa completamente inconstitucional?
Tenho um prazer imenso de ter a oportunidade de responder essa pergunta. Se nós olharmos o artigo 142 da Constituição, da forma como ele está, chegaremos à conclusão de que é inconstitucional. Mas a coisa é mais complexa. Se eu for para o artigo 1º, ele diz que todo poder emana do povo, podendo ser exercido pelos seus representantes ou diretamente. Isso significa que, se eu tenho um Parlamento que não é mais equilibrado, que não tem mais autonomia, que nós estamos sendo solapados, se estão perdendo os direitos que conquistamos na época do militarismo, temos uma obrigação dentro do fluxograma do poder. O clamor dá legitimidade para a intervenção militar.